Os motoristas e cobradores do transporte coletivo urbano de Bauru fizeram uma paralisação-relâmpago ontem, entre 16h30 e 17h20, na avenida Rodrigues Alves, no Centro da cidade. A paralisação foi uma forma de protesto do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários (Sindtran) por mais segurança. Praticamente todos os ônibus que passaram pela Rodrigues nesse horário, cerca de 150, foram estacionados na faixa direita de ambos os lados da via, o que deixou o trânsito tumultuado e os pontos de ônibus lotados.
O Sindtran reclama dos assaltos ocorridos nos ônibus, a maioria com arma de fogo. O protesto já estava sendo programado desde o último final de semana, quando um tiro foi disparado dentro de um ônibus, em direção ao cobrador, durante um assalto, conforme informou o JC na terça-feira passada. O presidente do sindicato, Elias Pinheiro da Silva, afirmou que o protesto foi feito porque a categoria não vai esperar ocorrer morte para depois tomar alguma medida.
De acordo com o Sindtran, em janeiro e fevereiro deste ano ocorreram 43 assaltos a ônibus, mas apenas 18 teriam sido registrados pela polícia. Em março, após a Polícia Militar ter reforçado o policiamento aos ônibus, fazendo abordagens aleatórias aos coletivos, o número de assaltos caiu em cerca de 50%, reconhece Silva.
No entanto, o presidente do Sindtran reclama que o assalto está tornando-se mais violento, com agressões a motoristas e cobradores. Silva citou o caso do disparo ocorrido dentro do ônibus, que poderia ter atingido o cobrador ou um usuário. A intenção do sindicato com a paralisação-relâmpago, conforme o sindicalista, é chamar a atenção das autoridades para o problema da criminalidade em Bauru, em especial aos assaltos a ônibus.
Silva disse lamentar os transtornos e acredita que a Polícia Militar está fazendo o que pode com o efetivo e as viaturas de que dispõe. Ele espera, com o protesto, que os vereadores e deputados estaduais de Bauru reivindiquem junto à Secretaria de Segurança Pública mais policiais e viaturas para Bauru. Também pede a revisão do Código Penal, redução da maioridade penal e votação de leis para a reforma de diversos setores do País para melhorar a segurança.