09 de julho de 2026
Geral

Greve nos presídios tem 70% de adesão

Rita de C. Cornélio*
| Tempo de leitura: 3 min

Nas penitenciárias I e II de Bauru e no IPA apenas 30% dos funcionários, percentual obrigatório por lei, trabalharam

Funcionários dos presídios, incluindo agentes das penitenciárias I e II de Bauru e do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, aderiram à greve estadual da categoria, iniciada a zero hora de ontem e que segue por tempo indeterminado. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Sistema Prisional do Centro-Oeste Paulista (Sindicop), Ramon Álvaro dos Anjos Sousa, a adesão chega aos 70% dos funcionários.

Na PII de Bauru, a adesão foi de quase 70% dos funcionários, segundo Aerton Alves de Assis, diretor da unidade. Ele disse que, apesar da greve, na PII, que tem capacidade para 538 detentos, mas ontem abrigava 920 presos, o dia foi tranqüilo. De acordo com ele, não ocorreu nenhuma tentativa de fuga ou outra movimentação anormal por parte dos presos.

Devido à greve, ontem os presos que trabalham nas oficinas e indústrias não exerceram suas atividades. O JC não conseguiu falar com o diretor da PI de Bauru, Wilson Erloza Júnior, mas a informação da Polícia Militar é que na unidade também não foi registrada nenhuma anormalidade, assim como no IPA. O capitão Reginaldo de Souza Braga, comandante da 4.ª Cia da PM, responsável pelo policiamento externo dos presídios, afirmou que até o final da tarde de ontem nenhuma ocorrência foi registrada no de Bauru.

Apesar da tranqüilidade de ontem, a PM mantém o reforço no policiamento dos presídios para coibir eventual tentativa de fuga. De acordo com Sousa, a adesão só não foi de 100% porque, por se tratar de serviços essenciais, por lei um terço dos trabalhadores não pode paralisar as atividades. A adesão está acima das expectativas, uma vez que a PII de Pirajuí, uma unidade nova, onde os funcionários estão em estágio probatório, aderiu ao movimento, disse ele.

Os 30% dos funcionários que estão trabalhando atendem os setores de alimentação (portanto a cozinha está funcionando), saúde (enfermaria está funcionando) e liberdade (alvarás de soltura de presos). Sousa lembra, ainda, que em alguns pontos estratégicos internos foi mantido o serviço de segurança. Não podemos deixar de fazer a segurança interna em alguns pontos considerados prioritários. Nestes locais mantivemos a segurança, disse.

Nas contas do Sindicop, atuam em Bauru 750 funcionários nas três unidades. Estamos pedindo a abertura de negociação. No último dia 30 tínhamos uma reunião com o secretário da Administração Penitenciária (Nagashi Furukawa) agendada por ele mesmo, mas ele não compareceu. Deu as costas para a nossa causa. Não somos radicais, porém tivemos que partir para a greve. A paralisação é por tempo indeterminado. Vai terminar quando o governo quiser negociar, afirmou.

O diretor da PII, Aerton Alves de Assis, disse que hoje deve ocorrer uma reunião entre Furukawa e a direção do comando de greve dos funcionários das penitenciárias. Com a greve, de acordo com Sousa, estão comprometidos os serviços judiciários. Não recebemos presos e não mandamos preso para lugar nenhum; eles não comparecerão às delegacias e nem ao fórum para serem ouvidos. Não recebemos oficiais de Justiça, advogados e nem representantes de igrejas, disse.

* Colaborou Ieda Rodrigues

Visita ainda não está comprometida

A visita aos presos no final de semana não está comprometida, segundo o Sindicop. Até poderia ser comprometida, mas não estamos fazendo movimento contra os presos. É contra o governo. Vamos fazer o possível para resolver o problema o quanto antes. Não queremos comprometer a visita dos presos, no próximo final de semana, disse Ramon Álvaro dos Anjos Sousa.