08 de julho de 2026
Geral

Sociedade amigos da Vila

(*) Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

As reportagens feitas pelo JC sobre as Associações de Moradores revelaram que essas entidades não têm, salvo algumas exceções, trazido ao seu bairro as contribuições que se esperavam. Algumas contam que tiveram um período de boas realizações e depois perderam força, caminhando para a extinção. Algumas alegam que só prosperaram quando o prefeito dava mais atenção a elas e que hoje não são ouvidas. Outras serviram de trampolim político para seus dirigentes. Enfim, o panorama não é dos mais promissores.

Muito antes das Associações de Moradores existiram, e talvez ainda existam em algum lugar, as Sociedades Amigos da Cidade ou Amigos da Vila, conforme o caso. Eram associações formadas por pessoas que voluntariamente se dispunham a trabalhar para a melhoria das condições de sua localidade e pela preservação do bem público, porque se é público é de todos e não da Prefeitura. Pagamos tributos à Prefeitura e temos direito de exigir que ela preste os serviços que são de sua obrigação, mas isto não significa que a nossa parte seja somente ir ao banco e fazer o pagamento. Quando o prefeito era o Nicolinha, uma espécie de Juscelino Kubitschek de Bauru, pelo arrojo de suas idéias, como é o caso do viaduto JK, inimaginável na época um pontilhão sobre o complexo ferroviário, a Prefeitura construiu 15 parques infantis. Cada vila ganhou, em sua praça, o parquinho onde as crianças iam brincar. Não levou muito tempo para que desaparecessem. Não sobrou um sequer. Os próprios pais viam as crianças mais crescidas e mesmo adultos depredarem e nada faziam. E hoje acontece a mesma coisa com escolas, postos de saúde e praças que são depredados sem que a população local se mobilize para preservar o que foi construído para o seu benefício.

Lendo as reportagens verificamos que as associações de moradores se caracterizam como organizações reivincadoras, constituídas para pedir e cobrar benfeitorias para o bairro. Só pra isso. O representante de uma delas afirma que a associação se esvaziou porque a vila já tem tudo e não há o que pedir ao prefeito. Mas uma associação de moradores não deve ser uma reunião de pedintes, deve ser uma organização para zelar pelo bem-estar daquela comunidade. É comum, não somente em Bauru, mas por todo canto deste Brasil imenso, encontrar escolas com sérios problemas de segurança e higiene, prédios com infiltrações, ameaçando desmoronar, sanitários infectos, enquanto os pais que são pedreiros, carpinteiros, pintores, eletricistas ou pessoas bem-relacionadas com empresas, não se importam que seus filhos corram riscos e desaprendam princípios de higiene. É mais fácil xingar o governo.

Toda cidade, quando pequena, é uma comunidade, tendo como pontos de referência a sua escola, a sua igreja, o seu clube, a sua praça. Ao ficar grande, como é o caso de Bauru, as comunidades passam a ser as vilas, os bairros. Mas há uma grande diferença porque, quando a cidade inteira se confunde com a comunidade o sentimento de pertencer é um só. Na cidade grande o sentimento fica dividido entre o pertencer à cidade e o pertencer à vila e é por isso que muitos, embora morando na vila tomam como referência a cidade e não a vila. Esse fato enfraquece as forças de coesão que devem aglutinar os membros da comunidade. É preciso que os moradores de uma vila se voltem não somente para os seus problemas mas também para as vantagens que a localidade lhes oferece e desenvolvam o sentimento de pertencer a ela.

A sugestão para aqueles que queiram contribuir para a melhoria de seu bairro é que constituam uma sociedade afastada de partidos políticos e usem, de preferência, como ponto de aglutinação, a escola, ou uma das escolas do bairro. Este é um lugar neutro e que serve indistintamente a todos, independente de credo, ideologia ou posição social. E mais ainda, que formem uma sociedade para zelar pelo bairro, que saiba cobrar o que o governo deve fazer mas que também saiba dar o seu esforço cuidando do que é colocado a seu benefício.

(*) Pedro Grava Zanotelli é professor e diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru, da ITE - e-mail: pegrazan@techno.com.br