08 de julho de 2026
Geral

Saiba mais sobre a dengue

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

A doença: o dengue é uma doença viral de curta duração, gravidade variável, que ocorre nas áreas tropicais e subtropicais, onde há condições para o desenvolvimento do mosquito transmissor. Apresenta-se sob as formas de dengue clássico e dengue hemorrágica.

Agente etiológico: o vírus do dengue é um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes) pertencente à família Flaviviridae que inclui aproximadamente 70 vírus, sendo que cerca de 30 causam doenças ao homem. Alguns exemplos desta família incluem os vírus da febre amarela, encefalite do Oeste do Nilo, encefalite de St. Louis, encefalite japonesa e rocio. São conhecidos quatro sorotipos de vírus causadores de dengue, classificados como: 1, 2, 3 e 4. As partículas virais são esféricas e constituem um envelope lipoprotéico, um nucleocapsídeo contendo uma proteína central e uma fita simples de RNA. A replicação viral é intracelular e intracitoplasmática.

Vetores: são mosquitos culicídeos do gênero Aedes. A principal espécie transmissora é Aedes aegypti, embora outras espécies como Aedes albopicutus, Aedes scutellaris e Aedes polyniensis tenham sido implicados principalmente na Ásia e na Oceania.

Nas Américas, não se verificou, até o momento, transmissão de dengue nas áreas em que se constatava a presença apenas de Aedes albopictus. A fonte de infecção e o hospedeiro vertebrado é o homem, embora tenha sido descrito, tanto na Ásia como na África, um ciclo selvagem envolvendo macacos. O Aedes aegypti apresenta distribuição nas regiões tropicais e subtropicais, limitadas entre as latitudes de 45ºN e 35ºS. Alguns fatores extrínsecos, como chuva, temperatura, altitude, topografia, umidade, condicionam a sobrevivência desses vetores. É considerada espécie domiciliada, sendo que sua convivência com o homem é favorecida pela utilização de recipientes artificiais para o desenvolvimento de suas formas imaturas, condição ecológica que torna esta espécie essencialmente urbana.

Ciclo evolutivo: os mosquitos adultos não apresentam grande dispersão, os machos costumam permanecer próximos aos criadouros, onde ocorre o acasalamento.

As fêmeas apresentam hábitos diurnos e para maturação dos ovos, praticam hematofagia, apresentando de dois a três ciclos gonotróficos durante a vida e podem ovipor de 100 a 200 ovos por vez. Após a eclosão dos ovos, passam por quatro estágios larvais e a fase final de desenvolvimento aquático é representada pelas pupas.

Em condições ótimas, acredita-se que o período larvário pode completar-se em cinco dias, ou estender-se por semanas, em condições inadequadas.

Transmissão: ocorre pela picada do mosquito infectado (fêmeas). Após a ingestão de sangue infectado, transcorre, no inseto, um período de incubação intrínseca que pode variar de 8 a 12 dias. Após esse período, o mosquito torna-se apto para transmitir o vírus e assim permanece durante toda sua vida.

Período de incubação: no homem, o período entre a picada infectante e o aparecimento de sintomas pode variar de 3 a 15 dias, sendo, em média, de 5 a 6 dias.

Período de transmissibilidade: ocorre quando houver vírus no sangue (período de viremia). Este período começa um dia antes do aparecimento dos sintomas e vai até o 6.º dia da doença.

Susceptibilidade: a susceptibilidade do homem ao vírus do dengue é universal. Os fatores implicados no desenvolvimento do dengue hemorrágica não estão totalmente esclarecidos. Existem hipóteses que relacionam manifestações mais graves ao sorotipo 2 ou à virulência de diferentes cepas e ainda, aos fatores imunológicos desencadeados por infecções seqüenciais.

Nesta teoria (Hastead), uma das mais aceitas, a resposta imunológica na segunda infecção é exacerbada e resulta na forma mais grave da doença. A suscetibilidade individual parece influenciar a ocorrência de FHD. Além disso, a intensidade da transmissão do vírus do dengue e a circulação simultânea de vários sorotipos também têm sido considerado fatores de risco.

Imunidade: a imunidade para um mesmo sorotipo (homóloga) é permanente. Entretanto, a imunidade cruzada (heteróloga) existe temporariamente. A fisiopatologia da resposta imunológica à infecção aguda por dengue pode ser primária ou secundária.

A resposta primária se dá em pessoas não anteriormente expostas aos flavivírus e o título de anticorpos se eleva lentamente. A resposta secundária se dá em pessoas com infecção prévia aos flavivírus e o título se eleva rapidamente.