08 de julho de 2026
Geral

Prefeitura quer abrir PS em 15 dias

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

A compra medicamentos, materiais e a contratação de médicos e enfermeiros estão sendo feitas em caráter emergencial

Vera Cruz - A Prefeitura Municipal de Vera Cruz organizou uma comissão no intuito de providenciar, em até 15 dias, a abertura de um pronto-socorro na cidade. Enquanto isso, várias providências já foram tomadas em caráter emergencial, inclusive a compra de material, medicamentos e equipamentos e a contratação de mais profissionais para a Unidade Básica de Saúde (UBS) do município.

Já fizemos algumas reuniões para discutir o problema e agora estamos aguardando que a Associação São Vicente de Paulo reassuma o prédio e faça uma cessão em comodato com o município para a abertura do pronto-socorro, disse o prefeito municipal, Antonio Rodolfo Devito (PSDB).

O provedor da Associação, José Estanislau Brandão Machado, garantiu que a entidade não põe qualquer objeção em que a prefeitura use o prédio para a abertura do PS. Mas temos que esperar a entrega do prédio, que a Unimar prometeu para até o próximo dia 15, comentou.

O pró-reitor da Unimar, Nery Aguiar Porchia, confirmou a informação, dizendo que o prazo foi pedido para que seja providenciada a limpeza do prédio. Estamos cumprindo uma cláusula do contrato de que devolveríamos o prédio com todas as reformas incorporadas e com o mobiliário que encontramos quando assumimos. Inclusive, a Associação solicitou que deixássemos no prédio alguns itens, coisas de cozinha, entre outros, e vamos atender, completou.

Enquanto tudo isso não é feito, a comissão acertou um convênio com a Direção Regional de Saúde (DIR) de Marília para que pacientes de Vera Cruz que precisem de internação possam ser levados para o Hospital das Clínicas de Marília. Exames de laboratório estão sendo feitos pelo Hemocentro e casos de obstetrícia serão tratados temporariamente no Hospital Maternidade Gota de Leite.

Emergência

Para tentar amenizar a situação, a Prefeitura tomou algumas medidas em caráter de emergência. Solicitei à Secretaria Municipal de Saúde um levantamento de materiais e equipamentos de primeira necessidade e vamos providenciar a compra. Também fizemos, esta semana, a contratação de três médicos, duas enfermeiras de alto padrão e auxiliares, disse.

Segundo Devito, a Lei permite, nesses casos, que a compra de materiais seja feita sem o processo de licitação e que a contratação seja efetivada sem concurso. Posteriormente, promoveremos um concurso para a ocupação efetiva das vagas, destacou o prefeito.

A Prefeitura também solicitou mais duas ambulâncias ao Governo do Estado: Temos três, mas agora não temos mais internação aqui e precisamos garantir a transferência de pacientes em casos graves. Como o governador (Geraldo Alckmin - PSDB) é médico, ele preza pela saúde.

Paralelamente a essas primeiras providências, o prefeito disse ter mantido contato com a Faculdade de Medicina de Marília (Famema) e com a Santa Casa de Misericórdia, também de Marília. Ambas teriam demonstrado interesse em assumir o hospital, mas as discussões ainda não são conclusivas.

UBS

A Unidade Básica de Saúde (UBS) de Vera Cruz funcionava de segunda à sexta-feira, das 7 às 19 horas. Desde o fechamento do hospital, na última segunda-feira, a UBS está funcionando 24 horas. De acordo com a secretária municipal de Saúde, Lauritz Guerreiro Marini, o número de atendimentos duplicou, prejudicando o usuário.

Segundo a Prefeitura, o hospital fazia uma média de 100 atendimentos diurnos, mais 35 atendimentos noturnos, dos quais 5 a 7 resultavam em internações. Toda essa demanda recaiu sobre a UBS, que já oferecia atendimento ambulatorial e consultas.

Para o cirurgião geral Rafael Marchioni, que trabalha para a UBS há cerca de 20 anos, corre-se, tranqüilamente, o risco de perder pacientes por deficiência no atendimento. Tudo aqui é básico, não estamos equipados para urgências, não temos equipamento para entubar o paciente, nem mesmo um respirador manual ou material para pequenas cirurgias, disse.

Ele confirmou que a demanda da UBS duplicou nestes dias, ressaltando que havia uma boa estrutura no hospital: Vera Cruz tinha uma resolução de 90% dos casos. Agora não tem nenhuma. O que tínhamos não pode ser visto como uma regalia perdida, pois saúde é básico para o ser humano.

Prefeito alega desinformação

O prefeito municipal de Vera Cruz, Antonio Rodolfo Devito (PSDB), disse não ter sido comunicado oficialmente sobre a decisão da Unimar de desativar a unidade hospitalar da cidade. Eles colocaram uma faixa na frente do hospital no dia 29 de março, anunciando que o encerramento seria no dia 2 de abril, disse.

O pró-reitor da Universidade, Nery Aguiar Porchia, rebateu esta afirmação: A Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde foram comunicadas, sim. O primeiro comunicado verbal eu, pessoalmente, fiz em janeiro, logo após a posse. Informalmente, eu já disse que ele (Devito) precisaria estudar e definir uma nova forma de atendimento à saúde.

Além disso, segundo Porchia, cerca de 20 dias antes de encerrar as atividades no hospital, uma comissão teria se reunido com o prefeito para reiterar que a Unimar deixaria de fazer as internações em Vera Cruz.

Segundo a própria Secretaria de Saúde do Estado, num município com 11 mil habitantes é inviável manter um hospital com menos de 30 leitos. A manutenção fica mais cara que o próprio benefício e a população de Vera Cruz teria muito melhor atendimento hospitalar a sete minutos de viagem, em Marília, completou Porchia.

Especulação

A ex-vereadora Sônia Terezinha Tozzi, membro do Conselho da Associação São Vicente de Paulo, disse que muita especulação tem sido feita sobre o fechamento do hospital. Muita gente culpa a Associação por ter cedido o prédio à Unimar. Mas naquela época não tínhamos nem remédio para tratar uma desinteria. Surge uma oportunidade destas, em que alguém se oferece para assumir todas as despesas, a gente cata com as duas mãos. Agora, a Unimar devolve o prédio, mas devolve um hospital totalmente restaurado e bem cuidado (...) Conseguimos atender o povo durante quatro anos, o que é o principal, destacou.