O caso da pedagoga norte-americana Hellen Adams Keller talvez seja o mais conhecido mundialmente em dupla deficiência. Ela nasceu, em 1880, no Alabama, e morreu em 1968, em Connecticut.
Aos dois anos de idade ficou cega devido a uma febre intensa. Pouco tempo depois, também ficou surda e muda. Aos sete anos, foi confiada a Anne Sullivan que, de início, lhe ensinou a exprimir-se à maneira dos surdos-mudos e, depois, a escrever.
Às vezes, eu ficava parada entre duas pessoas que estavam conversando e tocava seus lábios. Como não conseguia entender o que diziam, ficava irritada. Em algumas ocasiões, isso me deixava tão brava que gritava e esperneava até a exaustão, escreveu Hellen.
Ela obteve graus universitários e publicou vários trabalhos autobiográficos. Hellen Keller provou que a língua pode ser a maneira de os cegos e surdos-mudos se tornarem mais independentes.
No livro Midstraim, ela descreve sua frustração com o alfabeto, com a linguagem dos surdos-mudos e até mesmo com a velocidade com que seu professor soletrava as palavras, desenhando-as na palma da mão. Hellen conseguiu provar que, com a linguagem, era capaz de se comunicar com o mundo dos sons e das imagens. Meu trabalho com os cegos é apenas parte do que eu sou. Sou solidária com todos aqueles que lutam por justiça, escreveu.
Ela foi uma incansável ativista pela igualdade entre os sexos e pelos direitos raciais. Gostava de estar diante do público. Ela escreveu que adorava a onda de calor humano pulsando ao seu redor.