Há os que nada perdoam de quanto as administrações estaduais levam a efeito em qualquer tempo. Condenam tudo, de bom e de mau. Conseqüentemente, não dão a menor trégua aos governadores, seus secretários e demais auxiliares, pois, não se sabe como, conseguem descobrir fácil o que estaria escondido nas sarjetas. Até que de certa forma parece bom... Então, nunca estão satisfeitos com esta ou aquela decisão dos homens, considerando-a geralmente pouco ou nada aconselhável na conjuntura que desponta no pedaço. Será que em determinado dia aplaudiriam alguma? É admissível que sim, pois, ainda agora, acidentalmente ou a propósito, está surgindo uma, toda sorridente, e, portanto, com beleza suficiente para que logre desarmar os espíritos e possa, finalmente, ser recebida de braços abertos por todos, ou sejam os gregos e troianos que figuram nos compêndios de todas as procedências. Chama-se ela fuga da privatização de rodovias estaduais. Batizou-a assim o ilustre governador Geraldo Alckmin ao anunciar ter decidido abolir o Programa de Concessões Rodoviárias, que transferia para a iniciativa privada um bocado de atribuições, entre elas a operação, manutenção e ampliação da infra-estrutura das estradas estaduais em troca do direito de cobrar para si toda a receita dos pedágios específicos. Cessam, agora, dessa maneira, os poderes do discutido Programa, em conseqüência do que desaparecem as arranhaduras dos proventos por ele cobrados dos veículos de todos os tipos para poder transitar nos caminhos rodoviários construídos pelo poder público ou por este autorizados. Doravante, como acontecia há até pouco tempo, os chamados pedágios voltam a ser coletados pelo Estado. Naturalmente, não deverá a equipe de Alckmin taxá-los pelos olhos da cara e, então, algo de bom deverá surgir proximamente para os usuários do tradicional tipo de transporte, representado diretamente pelas figuras de automóveis, peruas, ônibus, caminhões e seus dignos parceiros. É uma coisa que o sucessor de Covas realiza de bom, efetivamente, dando então a impressão de que, abjurando as tradicionais críticas atiradas aos governos, o jovem chefe estadual tende a desenvolver uma administração diferente, sem as medidas antipáticas ou onerosas para a sociedade como as que caracterizaram muitas de suas antecessoras. Ainda bem! Poder-se-ia dar adeus às privatizações rodoviárias? É o que se pode elogiar neste início de gestão, aplaudindo a iniciativa do novo chefe da administração estadual, que, praza a Deus, possa prosseguir bastante nesse caminho, sem quaisquer tropeços nem atalhos. Seria ótimo, esplêndido mesmo, se Sua Excelência derrubasse também de seus tronos outras privatizações existentes em seu amplo setor de trabalho. Certo, governador? É a nossa opinião.
(*)O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.