08 de julho de 2026
Geral

Mangue Seco

Vanderlei e Maria José Malta
| Tempo de leitura: 2 min

Saindo de Aracaju, roda-se 35 km até o rio Vasa Barris. Uma balsa nos leva a outra margem do rio e após mais 30 km chega-se ao vilarejo Porto Nangola. Lá, pega-se uma lancha com destino a Mangue Seco, no Litoral Norte da Bahia. A lancha percorre um manguezal do rio Real, que divide os estados de Sergipe e Bahia. Na foz do rio, a lancha terá que vencer um braço de mar de aproximadamente 3 km.

Esse trecho da viagem é emocionante pois a pequena embarcação precisa se movimentar com rapidez para vencer a força do mar e, com isso, o turista toma um belo banho de água salgada e incontáveis solavancos que as ondas do mar proporcionam. Chegamos a Mangue Seco, terra de Tieta do Agreste, personagem de Jorge Amado. O nome Mangue Seco, segundo seus moradores, foi dado ao lugar em virtude do mangue ali existente ter sido aterrado pelo movimento constante das dunas. Do alto das dunas, olhando em direção ao continente, vê-se vegetação normal de mangue, porém, longe da água.

O vilarejo possui somente ruas de terra e é habitada, na sua maioria, por pescadores ou pessoas que vivem do turismo. O pitoresco é ver os moradores diariamente retirar montes de areia depositadas pelo constante vento e brisa do mar para desimpedirem as entradas das casas. Da mesma forma, ao se abrir as portas dos fundos das residências, dá-se de cara com as dunas que se movimentam do dia para a noite. Anos atrás, foi plantado nas dunas uma espécie de planta rasteira visando minimizar sua constante movimentação.

Na Igreja do lugarejo, a Rede Globo filmou parte das cenas da novela Tieta.

O passeio principal é percorrer as dunas e as desertas praias de bug. A beleza nativa e o sossego do lugar é algo difícil de descrever. O uivar dos ventos em contato com a areia transmite uma sensação de paz capaz de fazer as pessoas passarem horas à sombra de um coqueiro contemplando a natureza.

Não é aconselhável dirigir veículos nas dunas em vista dos inúmeros perigos que vão desde terrenos fofos até repentinas decidas íngremes que podem tombar o veículo. O ideal é alugar um bug dotado com pneus de avião no eixo traseiro e guiado por hábeis moradores que conhecem bem a região. De qualquer maneira, o cenário das dunas, a brisa, a vista do mar e as maravilhosas praias desertas compensam os percalços para se chegar em local tão distante da civilização. O vilarejo é dotado de um pequeno restaurante e uma pousada.

Pode-se chegar a Mangue Seco também pela bela rodovia totalmente pavimentada denominada Linha Verde ou Estrada do Coco, que liga Salvador às praias do Litoral Norte baiano. Os últimos quilômetros após a Linha Verde são de estrada de terra.

Vanderlei e Maria José Malta são bauruenses