09 de julho de 2026
Geral

Pequena empresa reduz lucro em 6%

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

A queda no faturamento em fevereiro deste ano, comparado a 2000, foi maior no Interior. No bimestre, saldo é positivo

O faturamento das micro e pequenas empresas (MPEs), em fevereiro, teve uma queda de 5,2% do que o registrado em fevereiro de 2000, na média do Estado de São Paulo. O Interior de São Paulo teve redução maior, de 6,9%, enquanto a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), teve um melhor desempenho, com uma queda de 3,2%. Os resultados são da Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Sebrae-SP) em conjunto com a Fundação Seade.

Além disso, o mês de fevereiro teve um decréscimo de faturamento 5,4% em relação à média do Estado em janeiro. Nesse aspecto, os dados da Região Metropolitana, apesar de muito próximos, foram piores que o do Interior: queda de 5,5% na RMSP contra 5,4% no Interior.

Na análise de fevereiro de 2001 com o mesmo mês do ano passado, por setores, na média do Estado, neste ano houve uma queda de 2,8% no faturamento das MPEs industriais. Nas empresas comerciais, a queda foi maior, chegando a 10,5% e o setor de serviços foi o único a registrar elevação, com 7,1% no faturamento.

Quando a comparação é de fevereiro de 2001 com janeiro, na média do Estado, a indústria teve retração de 0,9% no faturamento, enquanto o comércio teve redução de 5,6% e o setor de serviços apresentou baixa de 10,1%.

Porém, a média acumulada do primeiro bimestre mostrou um crescimento de 1,6% no faturamento das MPEs do Estado, sendo que a indústria cresceu 5,3% e os serviços 13,6%. Enquanto isso, o comércio teve uma queda de 4,3%.

Na análise dos técnicos da Sebrae-Seade, em fevereiro, o ambiente econômico internacional esteve turbulento. O principal fator de preocupação foi a trajetória de desaceleração da economia norte-americana. Há dúvidas quanto ao ritmo da desaceleração naquele país, uma vez que alguns dados apontam para o risco de recessão e outros sugerem um ajuste mais suave.

Na análise da Pecompe, os técnico do Sebrae-Seade destacam que a alta do dólar reflete a fragilidade das contas externas brasileiras e pode trazer problemas para o cumprimento da meta inflacionária deste ano fixada em 4%, medida pelo IPCA-IBGE, percentual já bastante apertado mesmo antes da subida do dólar. A desvalorização torna mais caros diversos itens importados, bem como insumos cotados em dólar. Por outro lado, é um estímulo importante para a nossa debilitada balança comercial, que apurou neste primeiro bimestre um déficit de US$ 400 milhões, destaca a pesquisa.

Emprego

A quantidade de pessoas ocupadas nessa categoria de empresas teve um crescimento de 7,1% na média do Estado, em relação a fevereiro de 2000. Mais uma vez, o Interior é que teve o pior desempenho, com crescimento de 5,3% no número de postos de serviços. Enquanto isso, a RMSP teve alta de 8,7%.

De acordo com a Pecompe, na média do Estado, em fevereiro de 2001, houve uma elevação de 8,8% no número de pessoas ocupadas nas MPEs industriais no primeiro mês do ano, comparativamente ao mês de ao mesmo mês do ano anterior. O setor de serviços também contratou, com alta de 7%. O comércio também teve desempenho positivo, apesar de ser em menor escala 6,2% a mais.

Os gastos com salários acompanharam a tendência de crescimento do pessoal ocupado e apresentaram alta de 14,2% em fevereiro de 2001, quando comparados com o mesmo período do ano anterior, sendo que o Interior, novamente, teve o pior desempenho, com alta de 7,2% contra 12,7% da RMSP. Porém, na comparação de fevereiro com janeiro, o desempenho se torna mais tímido, com uma alta de apenas 0,3% na média do no Estado.

Economista recomenda paciência

O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, disse que as micro e pequenas empresas (MPEs) estão apresentando, no todo, um melhor desempenho se comparando o desempenho do primeiro bimestre deste ano com o mesmo período do ano passado. Seguem, desta forma, a tendência da economia nacional.Cafeo destaca que no primeiro bimestre somente o comércio decepciona: queda de 4,3%. Todavia, diz, chamam a atenção o setor industrial, com alta de 5,3%, e a prestação de serviços com crescimento de 13,6% sobre o ano passado.

De acordo com o delegado do Corecon, a indústria se consolida para as MPEs. A área de serviços está cada vez mais abrigando os novos negócios, e comércio vive das sazonalidades, da ausência de clientes potenciais e constantes, sem contar a forte concorrência das grandes redes.Neste ano, afirma Cafeo, comparando fevereiro com janeiro, os setores sofreram com o menor número de dias úteis de fevereiro. O próprio governo arrecadou menos. Esse fator, juntamente com a insegurança da dimensão dos problemas na economia norte-americana deram o tom para a queda de 0,5% no setor industrial e uma queda geral no faturamento de 5,4%.

Mas, destaca que, mesmo assim, o pessoal ocupado cresceu 7,1% e os gastos com salários 14,2% de um ano para outro, mantendo-se estável esse ano. Há clara demonstração que, se incentivadas, com menor carga tributária, com linhas de crédito abundantes e a longo prazo, as MPEs podem gerar empregos e fundamentalmente renda, disse Cafeo.

Para o delegado do Corecon, o cenário interno ainda não está de todo definido, mas a exceção do dólar e pequena revisão para cima da inflação deste ano, não há motivos que possam levar ao pessimismo, característica dos anos anteriores. Com paciência as MPEs podem manter o bom volume de crescimento sobre 2000, destacou.