Com quase oito mil habitantes, Gália já foi conhecida como a Princesinha da Seda. Hoje, vive êxodo populacional
Gália - Ao contrário do que acontece na maioria dos municípios, Gália chega ao dia de seu aniversário sem nenhuma obra para ser inaugurada. Considerado, pela classe política, o ponto alto das comemorações, o descerramento de placas inaugurais faz a alegria de 10 em cada 10 prefeitos. Alguns inauguram obras até mesmo inacabadas, só para não deixar passar em branco a ocasião.
Durante as comemorações deste ano, no entanto, o prefeito Ermano Piovesan (PRP) não terá nenhuma placa para ser descerrada em Gália. A única obra pública que está em condições de ser entregue à população exige a presença de autoridades do Governo do Estado. Trata-se da cobertura feita com recursos estaduais da quadra de esportes da escola Graciema Baganha Ribeiro.
O prefeito encontra no pouco tempo de administração (ele assumiu em janeiro) a explicação para a falta de obras no cronograma municipal das festividades.
Ele lamenta profundamente a queda que houve no número de habitantes no decorrer da última década. Essa redução passou a representar um desfalque financeiro para o município, uma vez que os valores dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) são diretamente proporcionais ao número de habitantes da cidade contemplada.
Segundo o prefeito, dois foram os motivos que provocaram de forma decisiva o êxodo populacional em Gália. O primeiro teria sido a globalização. Com uma economia essencialmente agrícola e baseada na criação do bicho-da-seda, Gália, outrora considerada a Princesinha da Seda, viu seu status despencar com a entrada em cena de concorrentes poderosíssimos vindos do Oriente. Com mão-de-obra de baixo custo, países como a China passaram a representar um pesadelo para seus concorrentes do Ocidente. Gália, como era de se esperar, sentiu o golpe. Famílias que viviam da sericultura deixaram a zona rural e foram procurar outros horizontes.
O segundo motivo para o encolhimento da população de Gália, de acordo com Piovesan, foi a emancipação da vizinha Fernão. Somando esses dois acontecimentos, Gália perdeu cerca de três mil habitantes e passou a fazer parte do grupo de cidades que possuem menos de dez mil moradores. Ou seja, o município caíu na escala de repasses do governo.
Questionado sobre o presente que gostaria de receber hoje, aniversário da cidade, Piovesan não hesitou. Disse que gostaria de ter nas suas mãos mais recursos para investir em obras sociais como saúde, educação e assistência às famílias carentes. Enfim, propiciar uma vida mais digna à população. Enquanto o prefeito espera o presente, Gália faz festa para comemorar seu aniversário. E sonha com dias melhores.