08 de julho de 2026
Geral

Religiões divergem sobre a Páscoa

Redação
| Tempo de leitura: 7 min

Enquanto os católicos celebram a Paixão de Cristo, os espíritas e budistas não vêem significado religioso na data

Apesar de a maioria das pessoas associar a Páscoa à época de ovos de chocolate e à ressureição de Cristo, até porque o Brasil é um país predominantemente católico, existem culturas e religiões que não comemoram a data.

Na religião judaica, a Páscoa - Pessach, em hebraico - que, neste ano, coincidentemente começou a ser comemorada no sábado anterior à Sexta-Feira Santa, de acordo com Bernardo Eugênio Baethgen Montenegro, comemora a liberdade do povo judeu. O nosso calendário é um calendário lunar e os dias são contados a partir do pôr-do-sol. A partir do pôr-do-sol do último sábado, nós começamos a contar os oito dias do Pessach, que vão até o pôr-do-sol do domingo, expôs.

Para os judeus, a Páscoa remonta à idéia de libertação do povo judeu do Egito, com destino a Israel. O significado, para nós, do Pessach, é um significado de libertação, de ressurreição, de nascimento para nova vida. É um momento em que nós, judeus, saímos do cativeiro e partimos para a liberdade. Nós não tínhamos a nossa terra e nos tornamos senhores de nós mesmos - do nosso destino e do destino de nosso povo, da nossa terra de Israel, esclarece Montenegro.

Durante os oito dias da Páscoa judaica, os judeus não comem nada que contenha fermento, de acordo com Montenegro. Existe uma explicação filosófica e uma explicação histórica para isso. A explicação histórica é que, na noite de 14 de Nissan, em que nós saímos do Egito, as nossas mães e mulheres não tiveram tempo de fermentar a massa. E nós comemos aquilo, que nos serviu de alimento no deserto. A explicação filosófica é que o fermento representa as ilusões que cercam o nosso dia-a-dia e que nos tapa a verdadeira visão, o verdadeiro sentido das coisas. Nós ficamos esses oito dias sem fermento para nós nos enxugarmos, nos esvaziarmos e procurarmos a verdadeira essência das coisas.

A ceia de confraternização, o chamado seder, tem pratos típicos que simbolizam o tempo de escravidão do povo hebreu. Nós rememoramos, na ceia, a saída do Egito. As orações têm significado e os pratos têm significado, coloca Montenegro. O ovo, por exemplo, lembra o povo judeu e o formato redondo do mundo - a volta das boas e más ações. As raízes amargas lembram os anos de cativeiro dos judeus e as águas salgadas representam as lágrimas derramadas por não serem livres.

Na religião católica, de acordo com o padre Milton César Carraschi, a Páscoa é a festa mais importante do ano. Nós celebramos a paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A liturgia da Páscoa católica começa no Domingo de Ramos, que é o domingo que antecede o dia da Páscoa. Nós celebramos a Semana Santa recordando os momentos mais importantes de Jesus Cristo, afirma Padre Milton.

No Domingo de Ramos, a Igreja Católica celebra e recorda a entrada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém. Na Quinta-feira Santa, é celebrado o mandamento do serviço - estar a serviço uns dos outros - com a cerimônia do Lava-Pés. Na Sexta-feira Santa, recorda-se a morte de Jesus Cristo. A vigília da ressurreição é celebrada no Sábado Santo. No domingo, a ressurreição é recordada pelos fiéis. Isso tudo é Páscoa para nós - um memorial maravilhoso da vida de Jesus Cristo, enfatizou o padre.

Ele acrescenta que a Páscoa católica tem elementos herdados da Páscoa judaica, no que refere-se à libertação. Nossa Páscoa herdou, sem dúvida alguma, alguns elementos da Páscoa judaica. Antes de tudo, a Páscoa é a recordação de que Deus libertou o seu povo por meio de Jesus Cristo, acrescenta.

Quanto o hábito de não comer carne vermelha na Sexta-feira Santa, padre Milton esclarece que deve-se ao tempo de conversão e de penitência representado pela Páscoa, para os católicos. Para isso, a Igreja sugere abstinências de carne vermelha. Mas não é ficar sem comer carne simplesmente por ficar sem comer carne. É para você refletir que, se abstendo de um alimento, você não é escravo das coisas que o mundo pode te oferecer. Você não deve se abster de um alimento e comer o triplo amanhã. Você deve aprender a partilhar com o outro, esclarece.

Na concepção dos evangélicos, a Páscoa também é a celebração da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, de acordo com o pastor Edson Valentim. A Páscoa, para nós, tem ligação histórica com a mesma Páscoa dos judeus. Para nós, a Páscoa traz o ensino de que Jesus é o cordeiro de Deus. É a celebração da obra redentora de Jesus Cristo. A obra redentora de Cristo é morte e ressurreição, expôs.

O pastor falou sobre os significados dos elementos presentes na ceia. A Ceia do Senhor é uma celebração dessa morte e ressurreição. O pão e o vinho simbolizam o corpo e o sangue de Jesus. Nós celebramos a mesma coisa, que é a morte e a ressurreição de Cristo. Na morte e na ressurreição de Jesus, nós temos o único caminho possível para chegar a Deus, e é isso que a Bíblia diz. Assim, celebrar a Páscoa é celebrar o único caminho para que nós pudéssemos voltar à comunhão com Deus, esclareceu.

A interpretação sobre o jejum da carne é um ponto de divergência entre católicos e evangélicos, que não sugerem restrição ao alimento. O jejum de carne no sexto dia não existe para nós porque nós entendemos, pelas escrituras, exatamente o inverso. Quando a primeira Páscoa foi celebrada, Deus mandou que eles sacrificassem os cordeiros e comessem a carne. Então, nós entendemos que não existe esse tipo de restrição, ressaltou o pastor.

Já na religião espírita, não existe o sentido de comemoração da Páscoa lembrando a ressurreição de Jesus, de acordo com Richard Simonetti, escritor, espírita e presidente do Centro Espírita Amor e Caridade. Nós não consideramos que houve uma ressurreição de Jesus. Para o espiritismo, Jesus morreu, foi enterrado e depois seu espírito tornou-se visível. O espiritismo não adota a idéia da ressurreição - o que daria sentido à comemoração da Páscoa. Para nós, Jesus não ressurgiu do túmulo. Ele, simplesmente, como um espírito desencarnado, se materializou perante os apóstolos, afirmou.

No entanto, de acordo com o escritor, as comemorações de outras culturas e religiões são respeitadas, ainda que os espíritas não comemorem a Páscoa. Algum centro espírita pode até, eventualmente, comemorar. Mas, oficialmente, não existe, no movimento espírita, nenhuma comemoração. No entanto, nós respeitamos tradição de outras igrejas, disse.

Para os budistas, a Páscoa também não tem significado religioso, de acordo com Ogino Massaru, 1.º secretário executivo do Clube Nipo e Relações Públicas da Igreja Budista. A Páscoa não tem nenhum significado, no sentido religioso, para nós, budistas.

Portanto, não há comemoração da Páscoa entre os budistas. No entanto, Massaru confessa que os imigrantes japoneses não fogem da mercantilização da festa, que acontece no Brasil. Quanto à mercantilização dessas festas, como o ovo de Páscoa e outras coisas, os netos não perdoam. Queira ou não queira, nós somos forçados a acreditar que tanto Natal como Páscoa ficaram mercantilizados - são mais lembrados pela venda de coisas do que pelo significado principal da festa, opinou.

CD-ROM conta história da Páscoa

Lançamento da Divertire Melhoramentos, o CD-Rom "Histórias da Bíblia" narra para crianças, através de joguinhos e histórias, como surgiu a tradição da Páscoa. Este é o terceiro volume da coleção "Historinhas da Bíblia para Crianças" - os outros títulos são: "O Nascimento de Jesus" e "Moisés no Egito".

Em linguagem de fácil compreensão, o CD começa a narrativa com a chegada de Jesus em Jerusalém, passando por sua morte e ressurreição. Mas a criança não ouvirá apenas o texto. Atividades lúdico-pedagógicas, como pintar desenhos relacionados à história, em Vamos Colorir (são mais de 30 desenhos); o Jogo da Memória e Vamos Cantar (música Boas-Vindas a Jesus), ajudam a desenvolver habilidades como coordenação-motora e concentração.

Na seção Você Sabia, o pequeno internauta poderá conhecer mais sobre o Novo e Antigo Testamentos, os 10 Mandamentos e outras passagens importantes da Bíblia. Já a percepção é trabalhada em Coisas Escondidas, onde deve-se de encontrar objetos escondidos no desenho da tela. Também divertido, é o Quebra-cabeça. O jogo consiste em encaixar corretamente todas as peças do cenário. Há várias opções e três níveis de dificuldade.

Serviço

O CD-Rom custa, em média, R$ 35,00. Roda em Pentium 100 Mhz, com Windows 95 ou 98, 8MB de RAM, 5 MB de espaço em disco rígido, unidade de CD-ROM de 2x, monitor com resolução 640x480 e 256 cores, placa de som compatível com Windows. Informações: www.divertire.com.br