09 de julho de 2026
Geral

Vizinhos reclamam da atuação policial

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

O tráfico de drogas e os assaltos a transeuntes não são novidade para quem trabalha à noite na praça D. Pedro II, mas a polícia estaria deixando a desejar

A vizinhança comercial da praça Dom Pedro II está acostumada a conviver com os problemas decorrentes da degradação da área central da cidade, mas não digere o desempenho da polícia em relação às ações de combate à criminalidade no local. Segundo afirmam alguns entrevistados, cujos nomes serão preservados para isentá-los de eventuais represálias, a Polícia Militar não atende aos chamados, apesar de a Base Comunitária Central estar localizada a apenas uma quadra de distância. A Polícia Civil também estaria alheia à problemática, ainda que seu principal distrito esteja sediado na mesma praça.

Conforme relataram à reportagem do JC nos Bairros, o tráfico de drogas e os assaltos nas imediações do logradouro não são novidade para quem acompanha o cotidiano noturno do local. Todos eles conhecem a identidade de pelo menos dez traficantes que atuam no ponto e outros detalhes sobre as escusas transações. Eles vendem as pedras (de crack) na nossa frente e na de quem mais estiver perto. Não fazem a menor cerimônia. As pedras custam R$ 10,00 e cada um deles vende, no mínimo, 30 delas por dia. Se a gente sabe, a polícia não haveria de saber?, questionam, sem esconder a suspeita de conivência de policiais no esquema.

Também costumam presenciar assaltos, principalmente no escuro corredor da praça que dá para a rua Gérson França. Eles contam que os ladrões usam moças que se prostituem no local como chamarizes. Elas abordam as vítimas oferecendo o programa e logo vêm os caras anunciando o assalto. Isso acontece direto aí. Os velhos que freqüentam os bares também são presas fáceis. Bêbados e ingênuos, eles abrem a carteira e mostram o dinheiro; não demora para aparecer um e roubar tudo. Os ladrões também batem nas vítimas, revelou uma das testemunhas oculares.

Poupadas pelos marginais, as pessoas que trabalham à noite nas adjacências da praça acham que o problema só vai acabar quando os carrinhos de lanche e as linhas circulares da madrugada forem transferidos para outro lugar. Alguns barraqueiros - confirmando as denúncias que chegam à própria PM - estariam envolvidos com o tráfico e assaltos, dando cobertura e escondendo os produtos.

Apesar das negociatas serem feitas abertamente, a polícia estaria deixando a desejar. A gente liga várias vezes, conta o que está acontecendo, mas nenhuma viatura vem comprovar as denúncias. A gente chega a xingar os policiais para provocar um desacato e nem assim eles aparecem, protestam.

O comandante da 1.ª Cia. da PM, capitão Benedito Roberto Meira, foi informado da denúncia, mas não acredita na alegada negligência policial. Quando somos chamados, sempre atendemos. O problema é que o pessoal liga direto para o 190, que é o nosso número de emergência. Os atendentes não conhecem a problemática específica de cada lugar e, geralmente, analisam a gravidade do fato antes de pedir o deslocamento da viatura. Se o denunciante não se identifica e nem informa as características do marginal, fica mais difícil de atender. Não é ligar no 190, soltar o problema sem detalhes e ficar esperando a polícia. Se essas pessoas têm o conhecimento que afirmam ter, eu peço para que procurem a Base Comunitária Centro e apresentem todos os detalhes. Esse, sim, é o local exato para esse tipo de reclamação, orientou Meira.