A Polícia Civil solicitou ao Instituto de Criminalística a reconstituição da morte do adolescente H.R.S., 16 anos, ocorrida durante confronto com a Polícia Militar, no Parque Jaraguá, em 10 de janeiro deste ano. A primeira parte da reconstituição será feita nesta quarta-feira, segundo informou o delegado Dinair José da Silva, do 1.º Distrito Policial, que conduz o inquérito que apura as circunstâncias da morte.
Com a reconstituição, o delegado quer esclarecer dúvidas que, segundo ele, ainda pairam sobre o caso. É que a família do menor alegou à polícia que ele não teria atirado contra os policiais e teria, inclusive, sido baleado quando estava algemado, versão diferente da apresentada pelos policiais.
No entanto, a exumação feita pela Polícia Técnica revelou que nos pulsos do menor não havia sinais de algema e laudos mostraram que nas mãos dele havia vestígios de pólvora, o que indica que o adolescente disparou sim uma arma de fogo. Silva disse que os depoimentos das testemunhas divergem dos dados pelos policiais em alguns pontos e por isso pediu a reconstituição.
As testemunhas, de acordo com o delegado, afirmaram que os policiais que inciaram a perseguição e teriam efetuado os primeiros disparos pertenceriam ao serviço reservado da PM e, portanto, estavam trabalhando à paisana. Já os policiais, segundo Silva, disseram que a perseguição e os disparos foram feitos por homens fardados, apesar de reconhecer a presença, no local, de policiais do serviço reservado.
Outro item que o delegado quer esclarecer é quanto à identificação do adolescente no Pronto-Socorro, logo que foi baleado. Silva apurou que o menor deu entrada no PS, onde foi levado por policiais, com outro nome, que seria de uma outra pessoa que teria várias passagens pela polícia.
Ele também questiona o número de perfurações à bala no corpo do menor. Conforme revelou o laudo do Instituto Médico Legal (IML), o corpo do adolescente continha cinco perfurações de entrada e quatro de saídas. O delegado afirmou que quer apurar se os policiais agiram em legítima defesa, como alegaram, ou se houve excesso, conforme reclamou a família na época da morte.