08 de julho de 2026
Geral

Aquecimento solar é incentivado na moradia própria

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

A Caixa Econômica Federal (CEF) passou a aceitar a inclusão do aquecimento solar nos empreendimentos que financia. Luiz Alberto dos Santos, gerente de Mercado do Escritório de Negócios da Caixa, em Bauru, afirma que, a partir de agora, os engenheiros responsáveis pela análise dos projetos de unidades habitacionais a serem financiadas pela instituição estão autorizados a aprovar propostas nas quais estejam previstos esse tipo de equipamento.

O conjunto tem um custo de aproximadamente R$ 800,00. Porém, para grandes quantidades, como ocorre em construções feitas pela Carta de Crédito Associativa, esse valor pode cair para cerca de R$ 550,00, segundo projeto-piloto feito em Contagem (MG), numa concorrência vencida pela empresa Soletrol, de São Manuel.

A decisão, segundo Santos, se estende a todas as obras acompanhadas pela Caixa, inclusive aquelas que contam com recursos do Orçamento Geral da União. De acordo com a instituição, apesar da instalação do equipamento solar ser um pouco mais cara do que o modo convencional, a decisão se justifica pela necessidade que o País enfrenta de economizar energia.

O projeto-piloto de Contagem foi instalado, em outubro de 2000, para avaliação da viabilidade técnica e econômica do aquecimento solar como substituto do chuveiro elétrico em habitações de interesse social. Em fevereiro deste ano, com as casas já ocupadas, verificou-se o resultado: uma economia de 20% no consumo de energia elétrica, o que representou uma redução de cerca de 30% no valor da conta mensal de energia elétrica.

Inserida no Programa Nacional de Conservação de Energia da Eletrobrás, essa experiência foi viabilizada a partir de uma parceria entre a Caixa, Centro Brasileiro para o Desenvolvimento da Energia Solar Térmica coordenado pela PUC/MG e Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig). A execução foi da Soletrol.

Para se chegar ao índice de redução do consumo de energia elétrica com a adoção do aquecimento solar, tomou-se como referência as 578 unidades habitacionais do projeto, construídas em regime de mutirão pela Prefeitura de Contagem. Desse total, 100 contam com o sistema. O custo unitário de implantação do equipamento, com vida útil estimada entre 15 e 20 anos, ficou em aproximadamente R$ 550,00.

Porém, afirma Luiz Augusto Ferrari Mazzon, vice-presidente de Marketing e Relações Governamentais da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) e diretor da Soletrol, esse valor de Contagem é para venda de grande quantidade de aparelhos, na qual é possível eliminar vários custos que se têm nas vendas pequenas.

Há um custo adicional na instalação do equipamento. No entanto, além de a diferença ser diluída no valor das prestações a serem pagas (o aumento é de apenas R$ 4,00 por mês), ao longo do tempo os ganhos são muito maiores, pois há uma redução significativa na conta de luz, segundo a Caixa.

Como em Contagem a análise foi realizada em um mês no qual o céu está freqüentemente nublado, acredita-se que o aquecimento solar pode proporcionar uma redução no consumo de energia elétrica ainda mais expressiva que os 20% registrados no projeto-piloto.

Para se ter uma idéia, o projeto PopSol, desenvolvido, em São Manuel, numa parceria entre a Soletrol e a Companhia Paulista de Força de Luz (CPFL), que foi o pioneiro em núcleos habitacionais, demonstrou ser possível a economia entre 35% e 60% no consumo de energia de uma casa popular - dependendo dos hábitos das pessoas residentes.

Todos os equipamentos de aquecimento solar a serem utilizados nas obras acompanhadas pela Caixa terão que contar com o certificado do Inmetro. Para viabilizar a análise dos projetos que prevêem essa tecnologia, está sendo preparado, inclusive, um treinamento para os técnicos da instituição, que será disponibilizado pela Universidade Caixa.