09 de julho de 2026
Geral

Eis a alvissareira notícia

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Era esta a notícia que a desprotegida humanidade esperava com toda ansiedade havia muito tempo? Entendemos que sim. Mas, se não o era, pois, embora se considere que este velho mundo traz em seu enorme âmago uma pletora de problemas à espera de soluções ou, no mínimo, informações sérias, esta vem chegando trazendo nas costas uma enormidade de profundas expectativas e inquietações. Contudo, e enfim, do que estamos querendo tratar especificamente e, no entanto, vamos esticando desmedidamente a conversa, que consideramos sem dúvida importante? Sejamos claros, objetivos mesmo. Estamos abrindo espaço para enfocar a alvissareira notícia veiculada nestes dias segundo a qual o universo acaba de ficar livre de uma gravíssima enfermidade que flagelava as populações, especialmente crianças, da maioria de seus países, sem isenção de quase nenhum. Seu nome? Diremos rapidamente: Poliomielite! Seu sobrenome? Mencionaremos prontamente: Incurável! E revestida com essa triste indumentária, bem identificada pelo nome e pelo sobrenome e caracterizada por suas vestes negras como as noites tempestuosas, ela andava, através dos tempos, em todas as partes mundiais, subtraindo a vida indefesa de milhões de crianças, suas vítimas mais preferenciais entre todos os seres humanos. Sua tática indefectível: infiltra-se no organismo das pessoas, ataca-lhes o sistema nervoso e provoca-lhes paralisia total, não oferecendo possibilidade de cura, ainda que enfrentada pelos modernos medicamentos hoje existentes, buscados e rebuscados pela ciência médico-cirúrgica desde muito tempo. Diante da profundidade do problema, nada fazia crer que ela dobraria, um dia, o terrível espinhaço e se curvasse diante da inteligência e devotamento da medicina, mas uma campanha mundial de vacinação infantil acaba de conseguir o milagre, haja vista que os últimos 3.500 casos dela ainda existentes entre todos os povos vêm de ser totalmente eliminados. Resultado auspicioso: a grave endemia, tendente para a epidemia, acaba de ser erradicada em 99% deste enorme Planeta, transformando-a simplesmente numa perneta sem condições de se arrastar a até mais algum terreno fértil... Assim, restando-lhe apenas um por cento de vida, já se pode considerá-la uma inerte defunta. A vitória final sobre a pólio está à vista, afirmou fonte técnico-administrativa da Organização Mundial de Saúde, podendo as crianças do mundo inteiro entoarem, a partir de agora, hinos de louvor à ciência médica que as libertou da arma engatilhada que era mantida sobre suas cabeças. Graças a Deus! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)