A Polícia Civil fez, ontem à tarde, a reconstituição da morte do menor H.R.S., 16 anos, ocorrida em janeiro deste ano, no Parque Jaraguá, em confronto com policiais militares. Ontem, a reconstituição foi feita de acordo com os depoimentos de familiares da vítima e revelou que há pontos contraditórios no caso: a versão dos parentes, que afirmam ter presenciado parte dos fatos, diverge da versão dos policiais.
Provavelmente na próxima semana, será feita outra reconstituição, desta vez de acordo com os depoimentos dos policiais envolvidos. O ponto contraditório é sobre o envolvimento de policiais do serviço reservado (que trabalha à paisana) da PM no caso. Na versão da mãe do adolescente, Claudete Fátima Souza, quem efetuou o primeiro disparo, que não atingiu ninguém, foi o motorista de um Gol verde, que seria policial do serviço reservado.
Já os policiais militares disseram, em depoimento, que homens do serviço reservado estavam no local, mas que os policiais que atiraram estavam fardados. Outro ponto divergente é quanto à presença de uma policial feminina no local. A mãe e a prima da vítima, Deise Patrícia de Souza, afirmaram na reconstituição que a policial feminina efetuou um disparo na direção de H.R.S.
No depoimento dos policiais, não é mencionada a presença de policial feminina. O capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª Cia, responsável pelo policiamento na região do Jaraguá, afirmou ao JC que no dia da morte não havia policial feminina trabalhando na região.
Ele confirmou o depoimento dos policiais, de que os envolvidos no caso estavam fardados. Sobre a reconstituição, ele disse que considera louvável a conduta da Polícia Civil em apurar rigorosamente o caso, para que não pairem dúvidas, assim como acredita proceder com relação a outros crimes.
A reconstituição do crime foi feita Polícia Técnica com base nos relatos da mãe e da prima do adolescente, que afirmaram que estavam na rua e presenciaram os fatos até a vítima entrar na casa onde foi atingida por cinco tiros. No dia do crime, a Polícia Militar foi acionada para o local dos fatos após receber denúncia de que havia um rapaz caminhando a cavalo pelo bairro com uma arma na mão.
Também participou da reconstituição, coordenada pelos delegados Ronaldo Divino e Dinair José da Silva, do 1.º Distrito Policial, um vizinho da casa onde os fatos ocorreram. Outras duas testemunhas não compareceram.
A família do menor alegou que ele não estava armado, não atirou contra os policiais e teria, inclusive, sido baleado quando estava algemado. No entanto, a exumação feita pela Polícia Técnica revelou que nos pulsos do menor não havia sinais de algema e laudos mostraram que nas mãos dele havia vestígios de pólvora, o que indica que o adolescente disparou sim uma arma de fogo.
Apuração
O delegado Dinair José da Silva, que conduz o inquérito sobre a morte de H.R.S, afirmou que quer apurar se os policiais agiram em legítima defesa, como alegaram, ou se houve excesso, conforme reclama a família da vítima. Além da reconstituição, ele solicitou mais laudos à Polícia Técnica, para precisar a distância entre os policiais e o adolescente quando ele foi atingido por cinco tiros.
Familiares da vítima disseram ao delegado e ao JC sentir-se afrontadas e até ameaçadas por atitudes tomadas por alguns PMs após o crime. Ontem, em frente à casa da vítima, a reportagem do JCconstatou que os ânimos estão acirrados de ambas as partes, em atitudes de afronta mútua.
Outro item que o delegado quer esclarecer no caso é quanto à identificação do adolescente no Pronto-Socorro, logo que foi baleado. Silva apurou que o menor deu entrada no PS com outro nome, que seria de uma outra pessoa que teria várias passagens pela polícia.
Paralelamente ao inquérito da Polícia Civil, logo após os fatos, a Polícia Militar instarou inquérito policial militar. De acordo com o capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, o inquérito, que relata os fatos e reúne laudos, já foi concluído e enviado à Justiça.