A equipe da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unesp/Bauru participará, de hoje a 22 de abril, da 7.ª competição SAE Brasil - Petrobrás de Minibaja, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo
Cinqüenta e cinco faculdades de Engenharia Mecânica de todo o País estarão participando com suas equipes da sétima competição SAE Minibaja, que começa hoje e vai até dia 22, na pista de motocross do Autódromo de Interlagos, em São Paulo. E a Faculdade de Engenharia Mecânica da Unesp/Bauru estará presente com sua equipe pela quinta vez consecutiva, correndo com o veículo produzido por uma equipe de nove alunos dos 3º. e 4º. anos do curso de Engenharia Mecânica.
Denominado Jacaré do Tietê, o veículo minibaja foi produzido nas dependências da Unesp/Bauru através de projeto elaborado pelos alunos, sob coordenação dos professores da área de projetos do Departamento de Engenharia Mecânica, Luiz Daré Neto e Reinaldo Sebastião da Silva.
Luiz Daré Neto trabalhou cinco anos no setor de engenharia mecânica da Volkswagen, especificamente na parte de suspensão de veículos pesados, razão pela qual o professor possui conhecimentos suficientes sobre como é o trabalho numa montadora de grande porte.
De acordo com Daré, o diferencial do veículo unespiano com relação aos das demais equipes que participarão da competição, é a presença de câmbio mecânico manual, instalado no volante, e a direção elaborada através de cabos. Nas outras competições que participamos, as demais equipes chegaram a confessar que tentaram copiar o nosso sistema de cabos e não conseguiram, comenta Daré. Nos demais veículos semibaja, é comum encontrar câmbios com mudança automática de marcha. A vantagem do câmbio manual, segundo Daré, é que o piloto coloca a potência que precisa no momento adequado.
Provas estáticas e dinâmicas
A competição SAE Minibaja é composta de várias fases, desde a elaboração do projeto até os testes estáticos e dinâmicos, todas contando pontos na classificação final. Toda equipe deve elaborar o projeto do veículo com o respectivo custo e depois executar. A SAE estabelece pontos para o projeto e para as competições. Cinqüenta por cento da classificação final é composta pela pontuação obtida no projeto e os outro 50% é a pontuação da competição, explica Daré.
Para participar da competição a Society of Automotive Engineering (SAE), realizadora do evento, impõe alguns pré-requisitos que devem fazer parte do projeto do veículo, como a motorização com potência máxima de 8 cavalos de força. A potência é estabelecida para todas as equipes, comenta Daré.
A partir do veículo construído, são realizadas as provas, divididas em estáticas e dinâmicas, incluindo testes que avaliam a segurança do piloto, aparência do veículo, integridade estrutural, capacidade de subida de rampas, tração, medidas de velocidade final e de aceleração, teste de frenagem, manobrabilidade e ergonomia.
Por apresentar uma maior probabilidade de se envolver em acidentes, o veículo minibaja possui cinto de segurança de quatro pontos. Além disso, possui cintos nos punhos, que impedem que o piloto coloque as mãos para fora em situações de acidente.
O projeto de construção do minibaja é elaborado de forma que os custos incluam uma demanda de produção de quatro mil veículos por ano, como se os alunos trabalhassem para uma montadora que produzisse veículos minibaja.
Apesar da vantagem relacionada ao câmbio mecânico manual, o veículo minibaja da Unesp/Bauru possui algumas deficiências decorrentes da falta de patrocínio. A única empresa que colaborou com o projeto foi a Lwart.
Enquanto a maioria dos veículos minibaja apresentam estrutura de alumínio, o Jacaré do Tietê tem ainda estrutura de aço. Outro detalhe que poderia ser melhorado, segundo Daré, são as rodas, ainda em tamanho menor que o ideal e de material pouco resistente. Para reforçar a resistência das rodas, os alunos, neste ano, adaptaram placas de aço com a função de dificultar rachaduras num possível acidente.
Teoria na prática
Para Daré, a vantagem dos alunos se envolverem num projeto desse tipo é a possibilidade de colocar a teoria em prática e desenvolver a iniciativa de cada um. Eu possibilito que eles decidam sobre tudo, inclusive o nome do veículo foi de escolha deles, comenta. A equipe de alunos envolvidos no projeto e execução do Jacaré do Tietê tem como capitão o aluno João Pedrassoli Neto. Os demais alunos são André Yamaguti, Alexandre Yamaguti, Eduardo de Sousa Paro, José Alexandre Simi, Maurício Tambeli, Marcelo Toshiaki Ide, Rodrigo Romano e Rui Okino Nonaka. Este projeto está tendo amplo apoio do chefe do departamento de Engenharia Mecânica, Marcos Tadeu Tibúrcio Gonçalves.
O piloto que irá comandar o Jacaré do Tietê (que estava em fase de acabamento final na ocasião da entrevista), ainda não tinha sido escolhido pela equipe. Para pilotar o minibaja a pessoa deve ser magra e, ao mesmo tempo, ter força e agressividade para enfrentar as diversas situações do off road, comenta Daré.
Competição tem origem nos Estados Unidos
A competição de minibaja é realizada há mais de 30 anos nos Estados Unidos pela SAE. Há sete anos, a entidade resolveu trazer o evento para o Brasil com a finalidade de avaliar o nível técnico dos estudantes de engenharia das faculdades brasileiras.
A Unesp de Bauru concorreu nas competições até 1998, ficando sem participar nos anos de 1999 e 2000. No ano de 1998, a equipe da Unesp/Bauru estava, segundo Daré, com bom posicionamento, chegando a correr em primeiro lugar durante um bom tempo da corrida, situação que foi alterada em função de um acidente que fez uma das rodas rachar, o que colocou o veículo em 29.º lugar no final da competição.
O minibaja é uma versão menos potente do baja, que é um carro de corrida que tem como característica ser composto por uma gaiola feita em estrutura tubular. Para compor o carro deste ano, o motor foi emprestado da própria SAE e foi buscado pelos alunos na faculdade Mauá. Trata-se de um motor estacionário de 8 cavalos, gerador de energia elétrica, que foi adaptado para essa corrida. É um motor ultrapassado, pois os novos já contam com sistema de ignição eletrônica, comenta Daré.
No próximo ano, a SAE determinou que a potência dos motores dos minibajas aumente para 10 cavalos e que cada faculdade adquira o seu motor para poder participar das competições.
A Unesp pretende adquirir o motor, cujo custo estimado é de R$ 1.800,00.
Os dois primeiros colocados brasileiros na competição irão para os Estados Unidos para participar da competição mundial de minibaja, que acontece anualmente.