08 de julho de 2026
Geral

Nem tudo que reluz...

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Via de regra os adágios traduzem versões indesmentíveis, coisas assim que as pessoas nem sempre conseguem se referir com outras palavras. E, assim, vão e vêm muitas vezes sem dizer coisa alguma. Um deles é exatamente esse que cede sua expressão para o interrogativo título desta matéria. No entanto, é o ditado, sem dúvida, plenamente veraz, partindo do axioma de que, realmente, nem tudo que reluz seja mesmo reluzente em toda a linha. Pode inserir-se no contexto a maioria dos medicamentos vendidos no mercado brasileiro. Quase todos trazem impressa em suas embalagens, grandes, médias ou pequenas ou, ainda, artísticas ou nenhuma arte, a clássica indicação ou advertência em função da qual seu conteúdo, em líquido ou pastilhas, só pode ser comercializado sob absoluta prescrição médica. Mas, isso é obedecido? É acolhido pelos responsáveis dos estabelecimentos? Absolutamente, muito raramente, porquanto para bem poucas das drogas o farmacêutico exige receita clínica para retirá-las de suas prateleiras e transferi-las para as mãos do querido freguês. A venda é efetuada automaticamente, sem a exigência que teria de ser efetuada sem delongas. Na Europa, em muitas capitais que o jornalista já conheceu, entre elas Paris, Roma e Madrid, a imposição contida nas embalagens é rigorosamente cumprida, sem desculpas ou contestações. Aliás, os farmacêuticos e demais atendentes de lá a exigem até mesmo para medicamentos comuns, que não tenham necessidade imperiosa de consulta médica. Por isso, certa vez, na metrópole espanhola, tivemos de ficar sem remédio por falta da respectiva receita...

O comentário vem a propósito da polêmica, em andamento no País, envolvendo o Merthiolate e o Mercúrio Cromo como suscetíveis de serem banidos do nosso mercado (será que já não o foram?) por absoluta carência de propriedades químico-farmacêuticas. Traduza-se em cima do pedido: não fazem bem à saúde de ninguém e até fazem mal a todo mundo. É, enfim, o tipo do remédio que não reluz e, portanto, não pode refletir ouro... Vão bem, por isso, as autoridades da Saúde nacionais quanto à disposição de retirá-los objetivamente da praça, para que os incautos não caiam no velhíssimo conto do vigário, ou melhor, não comprem gato por lebre... Por sinal, deveriam os poderes competentes fazer o mesmo no tocante a centenas ou mesmo milhares de outros remédios que superlotam vitrinas, prateleiras e estantes dos estabelecimentos especializados para que não venham a ser comercializados livremente sem a devida aprovação de médicos. É a nossa opinião!

(*) O autor N. Serra, é o jornalista responsável do JC.