Os funcionários do Banespa (que foi comprado pelo Santander) devem paralisar suas atividades amanhã, até o meio-dia, num protesto contra a política de recursos humanos do banco, cujo aspecto mais polêmico, atualmente, é o Programa de Demissão Voluntária (PDV). A decisão foi tomada em assembléia realizada na manhã de ontem, na sede do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, e aprovada com unanimidade.
De acordo com o assessor de comunicação do Sindicato, Marcos Silvestre, a paralisação já foi confirmada em outras cidades do Estado, como São Paulo, Assis, Presidente Prudente, Barretos, Santos, Limeira e Rio Claro. A decisão está sendo tomada em plenárias de banespianos, que estão ocorrendo nos últimos dias.
O protesto dos funcionários pede a revisão da política de recursos humanos do banco, na qual está inserido o PDV, lançado esta semana pelo Banespa e para o qual os banespianos devem optar pela adesão, ou não, até o próximo dia 25. O programa está sendo oferecido para 18 mil dos 22,3 mil empregados da instituição em todo o Brasil. O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região considerou fraco o conteúdo do plano e, em função disso, prevê que o número de adesões não será grande. Silvestre acrescenta que o PDV representaria risco de desemprego e extinção de muitos postos de trabalho. A proposta de paralisação ajudaria a todos os funcionários, inclusive aqueles que pretendem aderir ao plano. A paralisação só nos ajuda. Até quem optou pela adesão poderá ter seus benefícios revistos, afirma.
A diretora do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Leonilda Campos, também fez críticas ao programa em seu discurso, durante a assembléia. O PDV é a melhor proposta para os que compraram o banco porque é barata, para eles. Se aceitarmos, estaremos contribuindo para o rebaixamento dos salários e para o aumento do desemprego, o maior problema social do País, na minha opinião, analisou.
De acordo com a assessoria de imprensa do banco, o PDV faz parte do processo de modernização da instituição.
Entre os aspectos da política de recursos humanos do banco criticados pelos funcionários está a terceirização de diversos setores, o que levaria ao desemprego e à contratação de trabalhadores sem direitos, fragilizando os serviços prestados pela instituição financeira; assim como o projeto de automatização dos serviços do banco. Nós somos contra a substituição de mão-de-obra por máquinas, o que acarreta milhares de demissões, colocou-se Silvestre.
Além disso, o não-pagamento de horas extras (ou pagamento parcial) e a estipulação de metas de vendas de produtos - cartões de crédito, seguros, aberturas de contas etc - acima das do mercado também são aspectos da política de recursos humanos do banco, à qual os banespianos pedem revisão. As metas impostas aos funcionários representam constantes ameaças. É um plano de terror para induzir o empregado a aderir ao PDV, opinou o assessor de comunicação do sindicato.
Os funcionários do banco alegam, ainda, intransigência da direção da instituição nas tentativas de negociação. Não resta outra alternativa a não ser a paralisação de segunda-feira, salientou Silvestre.
Aos clientes do banco, os banespianos pedem apoio e orientam a procurar os serviços apenas no período da tarde.
Sobre o PDV
O Programa de Demissão Voluntária (PDV), lançado na semana que terminou pelo Banespa, inclui a obtenção de todos os direitos garantidos por lei nos casos de demissão sem justa causa, como multa de 40% pela rescisão de contrato, saldo de férias e de 13.º salário etc, além da indenização adicional para os trabalhadores, prevista no acordo coletivo da categoria, com vencimento neste mês de abril. A indenização prevê o pagamento de um salário para quem tem até cinco anos de trabalho no banco, dois salários para funcionários com até dez anos de casa e três salários adicionais para quem tem mais de dez anos de banco, de acordo com Marcos Silvestre.
Além dos benefícios garantidos por lei e pelo acordo coletivo, o Banespa está oferecendo, no PDV, a Indenização do Programa de Desligamento Voluntário, cujo conteúdo estabelece que quem é funcionário do banco há até dez anos e aderir receberá três salários adicionais; aqueles que têm de dez a quinze anos de banco ganharão mais cinco salários; quem tem de 15 a 20 anos de casa, deve ser indenizado com seis salários; quem soma de 20 a 25 anos de casa e aderir, receberá mais sete salários; e os funcionários do banco há mais de 25 anos terão direito a uma indenização de oito salários.
De acordo com Silvestre, o PDV representa risco de desemprego e extinção de postos de trabalho. O banco está fechando postos de trabalho e reduzindo número de pessoas empregadas na sociedade, observou Silvestre.
A assessoria de imprensa do Banespa diz que o PDV faz parte do processo de modernização que estaria sendo implantado pelo banco, com o objetivo de adequá-lo às atuais condições de mercado.
Sobre as expectativas da diretoria do banco de adesão ao PDV, por parte dos empregados, nada foi informado.