O aumento da criminalidade fez com que população buscasse a presença constante da PM, principalmente nos bairros
Jaú - A integração entre a população dos bairros de Jaú e a Polícia Militar tem contribuído, desde 1995, para que ambos se auxiliem, e tornem o nível de vida, nesses bairros, menos violento e mais solidário. De um lado, a população se esforça, física e financeiramente, para viabilizar a presença mais constante dos policiais nos bairros. Do outro, a PM usa seu poder de inibição e repressão para trazer mais segurança e ainda auxilia no desenvolvimento de projetos sociais.
Essa união entre policiais e comunidade foi o estopim para a instalação de postos comunitários no Jardim Pedro Ometo, bairro de Pouso Alegre e Vila Netinho. Outros dois postos devem ser inaugurados em 2002. A construção de ambos já consta do Orçamento Municipal para o próximo ano. Os bairros escolhidos para receber os futuros postos são Nova Jaú e São José.
O critério de escolha segue de acordo com a disposição de cada bairro. O pedido para a instalação de postos comunitários deve partir da associação de bairros. Esse interesse por parte dos moradores precisa ficar claro entre as partes envolvidas, pois é da associação que saem recursos para custear algumas despesas com o posto policial. Em cada um deles fica apenas um policial e uma viatura.
De acordo com a PM, a instalação de postos comunitários tem como objetivo buscar a integração entre a sociedade e os policiais. Essa parceria já ajudou, segundo os policiais, a resolver problemas como o envolvimento de moradores com o consumo e o tráfico de drogas. A PM parte também do pressuposto de que a presença constante de um mesmo policial no bairro acaba favorecendo a relação entre ele e a comunidade local. Teoricamente, a população passaria a confiar no soldado e, a partir daí, forneceria informações que poderiam ajudar na solução de problemas locais, e na ação preventiva dos policiais.
Posto mais antigo
O Posto Comunitário da Polícia Militar do bairro de Pouso Alegre foi o segundo a entrar em operação, em Jaú. Ao mesmo tempo, ele é considerado o mais antigo da cidade, embora não o seja oficialmente.
De acordo com os policiais, como o bairro fica distante 7 km de Jaú, o que dificultaria o deslocamento de uma viatura ao local em caso de urgência, a PM decidiu manter um policial residindo no bairro. Isso teria acontecido há muitos anos. Porém, os policiais não souberam informar a data que isso teria ocorrido.
Hoje a casa é ocupada pelo soldado Maurício Zanquini, 34 anos, e sua família. Ele está há dois anos no bairro e afirma nunca ter necessitado de reforço policial para conter qualquer distúrbio no local. O fato de trabalhar sozinho não dificulta o meu serviço, porque aqui todos se conhecem e sabemos como deve ser tratado cada um.
Zanquini declarou ainda que nunca usou força física com os moradores do bairro Pouso Alegre. Aqui existe uma integração total com a comunidade, disse.
Como não há ambulância no bairro, Zanquini revelou ter participado de dois partos. Aqui, a polícia é chamada para tudo.
O bairro, aparentemente tranqüilo, não tem hoje mais do que 500 moradores. A única vez, em um passado recente (cerca de cinco anos atrás), em que a paz foi quebrada envolveu justamente o sargento Alex. Policial que prestava serviço em Pouso Alegre, àquela época. Ele foi assassinado pelo próprio filho, enquanto dormia, segundo o relato de moradores.
José Carlos Antomiassi, 40 anos, morador antigo do bairro, aproveita a presença da reportagem para fazer uma reclamação. Segundo ele, todos os fins de semana Zanquini é solicitado para auxiliar os policiais no centro da cidade. Com isso, o bairro onde mora fica sem a presença do policial em um dos momentos de maior necessidade, segundo Antomiassi.