Vizinhos e usuários do posto, em Pederneiras, estão incomodados com a sujeira e temem a transmissão de doenças
Pederneiras - O Centro de Saúde de Pederneiras virou abrigo para uma grande quantidade de pombos, que se instalaram entre o forro e o telhado do prédio. Vizinhos da unidade entraram em contato com o Jornal da Cidade para reclamar da invasão, que começou há cerca de um ano. Eles estão incomodados com a sujeira e dizem temer que as fezes das aves transmitam doenças à população.
O forro está cheio de pombas e as paredes e janelas ficam cheias de cocô. Esse cocô seca, vira pó e causa um monte de doenças. Sem contar as penas, que a gente vê até dentro do posto. Muitas pessoas já reclamaram para a Prefeitura, mas nenhuma providência foi tomada. Não é aceitável que se deixe nessa situação, lamentou o vizinho.
Outra vizinha, que também pediu para não ser identificada, disse que a culpa é dos próprios moradores. Segundo ela, muita gente dá restos de comida às aves, que acabam se instalando nas imediações. Também acho que elas precisam se alimentar, coitadas. Mas elas sabem procurar a própria comida. É da natureza delas. Então, a gente pede para não tratar, que elas vão para outro lugar, ressaltou.
Providências
O secretário municipal de Saúde, Carlos Alberto Clementino, confirmou o problema, mas garantiu que várias providências vêm sendo tomadas neste último ano, desde que foi percebida a presença dos pombos. O problema, é que há muitos entraves no combate às aves. O primeiro deles é o tipo de telhado que temos, que atrai os pombos. O segundo é que eles procriam muito e rapidamente. O terceiro é que, os vizinhos alimentando, eles acabam ficando. E também tem a questão legal - não podemos maltratá-los, nem sacrificá-los, comentou.
Segundo o médico, há algum tempo, a Prefeitura entrou em contato com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) para saber se as aves poderiam ser eliminadas. A resposta foi negativa. Existe a proteção legal nesse sentido, o que pesa muito na balança. Usando métodos alternativos, até conseguimos diminuir muito a quantidade de pombos, mas não resolvemos o problema, destacou.
Clementino explicou que as telhas usadas no Centro de Saúde são telhas de amianto largas. As aves ficam abrigadas nos vãos destas telhas, entre o telhado e o forro, onde fazem seus ninhos. Várias tentativas já foram feitas, segundo ele, para vedar estes vãos, mas nada funcionou.
Também tentamos usar um repelente, que é um tipo de cola. A ave fica presa por algum tempo e, quando consegue se soltar, acaba ficando com medo de voltar ao local. Sem contar que, várias vezes, fizemos a remoção manual dos pombos, limpeza dos ninhos, retirada dos filhotes, mas eles se reproduzem demais, contou o médico.
Telhado
A última alternativa apresentada para sanar o problema foi a idéia de trocar todo o telhado do prédio por telhas romanas. O telhado seria levantado e os vãos seriam vedados com concreto e grades. Desta vez, o entrave está no orçamento, que apresentou custos muito elevados para esta obra. Não sei dizer qual o valor, mas os responsáveis disseram que vai ficar bem caro. Além disso, engenheiros estão estudando o prédio para saber se os alicerces suportariam o peso do novo madeiramento, salientou Clementino.
Ele afirmou que a alternativa ainda está sendo analisada e não tem aprovação municipal. Mesmo que seja aprovada, ainda será necessário buscar os recursos para viabilizar a obra, já que a verba destinada à saúde é sempre direcionada à aquisição de medicamentos, aparelhos e materiais médico-hospitalares.
Tentamos fazer a remoção das aves pelos métodos mais baratos, mas não deu certo. Então, já conversei com o prefeito, eles fizeram o orçamento e estão tentando viabilizar a troca do telhado. Já estão providenciando isso, afirmou Clementino.
Limpeza
Enquanto o problema não é resolvido, o Centro de Saúde conta com três funcionárias que promovem limpezas diárias nas instalações, segundo o secretário. A ave está em local indesejado, mas está lá. Então, o homem faz o que precisa, que é limpar. Só que elas limpam de manhã, à tarde as aves já defecaram e isso acaba descendo pelas paredes e vitrôs. Mas estamos sempre cuidando para manter a higiene. E, paralelamente, nós continuamos estudando um meio de acabar com isso da maneira mais legal possível, concluiu.
Fezes transmitem doença
De acordo veterinários, os pombos são aves silvestres e inofensivas. No entanto, fungos encontrados nas fezes secas destas e de outras aves e morcegos podem transmitir uma doença chamada histoplasmose. A contaminação ocorre através da inalação ou respiração do ar contaminado com o pó das fezes, o que pode acontecer ao se fazer limpeza ou permanecer em locais habitados pelas aves.
De acordo com o site Saúde e Vida On Line (www. saudevidaonline.com.br), a histoplasmose é uma doença de evolução crônica, tanto em crianças como em adultos. Ela se manifesta com febre, formação de gânglios ou ínguas no pescoço, virilha ou axilas, infecção pulmonar, feridas na pele, anemia e diminuição da defesa imunológica. Para prevenir, recomenda-se utilizar máscaras protetoras ou um pano úmido no nariz ao limpar galinheiros e pombais que contenham fezes. A recomendação também serve para pessoas que visitam túneis, cavernas e minas.