08 de julho de 2026
Geral

Paciente opina na escolha do tratamento

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Para se chegar a uma conclusão final através de evidências anteriormente estudadas, a experiência do médico é fundamental. Isso porque fatores ambientais e pessoais interferem nos estudos já realizados

Na Medicina Baseada em Evidências (MBE), há detalhes muito importantes. As variações regionais, diferentes tipos de população exigem uma adaptação de cada evidência já estudada. Essa adaptação fica então por conta do médico e de sua experiência e conhecimento da região e do paciente, podendo mudar a informação de acordo com a situação específica. O médico e sua experiência passam a ser fundamentais nesse processo.

De acordo com o médico Álvaro Nagib Atallah, a experiência do médico atuante nessa área é o que faz a diferença a ser aplicada em cada paciente, em cada região. Há pacientes que não podem tomar determinada droga, ou não têm condições de comprar tal droga, ou ainda não existe aquele tratamento na região. Então pega um equivalente e ajusta a esse tratamento. O resultante disso, na prática, são os protocolos clínicos que só fazem sentido se baseados em evidências, porque se forem baseados em opiniões pessoais ou em dados de menos qualidade, perdem a credibilidade e acabam não sendo implantados, explicou Atallah.

Atallah esteve em Bauru ministrando uma palestra sobre MBE. O evento foi realizado pela Confederação Unimed que tem como objetivo implantar esse sistema de medicina.

De acordo com o presidente da Unimed/Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi, a Cooperativa tem como principal meta oferecer o que há de melhor na medicina hoje. Em parceria com o Instituto Cochrane, a Unimed pretende realizar os trabalhos médicos baseados em estudos enviados pelo Instituto e utilizará essas evidências para serem aplicadas em cada região e em cada paciente, realizando as alterações necessárias para enquadrar as evidências de acordo com as características locais.

Sacomandi afirmou que todos os médicos que fazem parte da Unimed estarão aptos para trabalhar dentro desse sistema. O usuário receberá o que há de melhor e o que é melhor, é mais barato, mais seguro e mais eficaz, disse.

Questão de cultura

Na MBE, de acordo com Atallah, o paciente tem uma participação mais direta nas decisões relacionadas ao tratamento. Isso é novo dentro da nossa cultura. Hoje, o paciente chega no médico já sabendo de muita coisa porque ele já deu uma olhadinha na Internet. Ele vai, então, contestar o médico se a coisa for muito diferente do que aquilo que ele viu, disse.

Na opinião do médico, a medicina é sempre um experimento para ver se dá certo. Há coisas que funcionam com uma pessoa e não funcionam com outra, afirmou. De acordo com ele, para o paciente tomar uma aspirina, é preciso que ele saiba quais são os riscos e os benefícios da aspirina. Ele tem todo o direito de saber isso, disse. É assim que o paciente participa do processo decisório e, se não der certo, ele já sabia que não existe 100% de cura em todas as doenças. O paciente tem que partir para o tratamento sabendo que é uma questão de probabilidade. Isso é fundamental na cultura. Nos países mais desenvolvidos, isso é aprendido na escola e no Brasil está apenas começando, explicou.