08 de julho de 2026
Geral

Genoíno teme prévia Lula-Suplicy

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O Partidos dos Trabalhadores (PT) foi a legenda que mais cresceu no Estado de São Paulo nas últimas eleições e, embora o PSDB tenha o comando do País e do governo paulista, há seis anos, o PT tem condições de disputar as eleições do ano que vem com candidatos fortes. A avaliação é do deputado federal, José Genoíno, que se diz candidato a candidato ao Governo do Estado, e surge como o nome mais forte na indicação interna. Como se já estivesse em campanha interna, Genoíno participou do encontro da macrorregião, ontem, na Câmara Municipal. Em seu discurso aos filiados, o deputado federal disse que prefere que não haja prévia para a escolha do candidato interno nas eleições de 2002. Genoíno disse temer que a disputa interna favoreça as críticas vindas da oposição e enfraqueça o legenda.

José Genoíno referiu-se à possibilidade de disputa pela indicação à eleição presidencial entre Luiz Ignácio Lula da Silva e Eduardo Suplicy. O deputado federal afirmou que seu candidato é Lula, mas respeita a intenção de Suplicy de disputar. É um erro se o PT fizer prévia entre o Lula e o Suplicy. A direita está esperando isso. A direita quer quebrar o discurso do PT, tentando expor diferenças internas. E o PT não tem divergências em nível nacional, até porque nós somos contra o modelo atual. Entretanto, eu receio que a prévia possa ser utilizada como exposição de diferenças pessoais, que viria só para nos atrapalhar. Além do mais, eu defendo que o candidato da maioria do partido prevaleça, defendeu.

José Genoíno disse que prévia no PT é lei. Se tiver mais de um candidato, eu respeito e vou defender o nome do Lula. Mas eu acho que será um grande erro se nós não soubermos conduzir este processo. Para o candidato a candidato ao Governo de São Paulo, a população respeita a seriedade do PT, a ética do nosso partido. Isso é reconhecido. O que nós temos que mostrar para a população é que nós também sabemos conduzir nossas diferenças. O que a população quer saber é se o PT, sendo ético, também saberá administrar com a hegemonia dentro do partido, com o respeito àqueles que se destacaram internamente, pregou.

Com isso, o deputado federal comentou que vai defender a unidade. É preciso ter compromisso em torno do melhor nome dentro do partido. A bancada do PT na Câmara dos Deputados é um exemplo desta filosofia. Cada um tem suas convicções, alguns têm posições diferentes em relação a alguns pontos, mas, na hora de atuar, a bancada é petista, em seu conjunto, atua em grupo, defende em grupo, ataca em grupo, é única, independente das diferenças. Genoíno exemplificou que Milton Temer é defendido pela maioria no Rio de Janeiro e eu vou defender o consenso em torno de seu nome. Ele foi adversário do José Dirceu na disputa pelo comando nacional mas eu acho que temos que respeitar a vontade da maioria carioca sobre seu nome. Temos que demonstrar maturidade.

O deputado federal disse que está disposto a enfrentar a eleição estadual e espera que o PT possa disputar com outros dois grupos na reta final. Genoíno acha que a direita terá dois grupos, formados por partidos como o PSDB, PFL, PPB e PMDB, independente da configuração na aliança. O PT tem que conversar com a esquerda, com o PC do B, PCB, PPS, PV, PSB e PDT. Na reta final, ficarão três candidatos e nós vamos para o segundo turno. Então, temos que delinear uma aliança para o segundo turno desde já. Não podemos deixar a direita permanecer no poder, finalizou.

Para chegar à discussão sobre alianças sem o peso da eventual disputa interna, a direção estadual petista vai pedir que seja antecipada a realização das prévias internas que, segundo Paulo Frateschi, estão marcada para serem realizadas em outubro deste ano. A direção estadual quer a definição dos candidatos da legenda em julho deste ano, para não prejudicar a organização da legenda em torno da eleição e a política de alianças.