11 de julho de 2026
Geral

Três homens armados assaltaram uma farmácia, no cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Rio Branco, ontem de manhã. PMs perseguiram e capturaram os ladrões.

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Três homens armados roubaram o escritório da farmácia Droga Rio, localizada no cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Rio Branco, ontem pela manhã. Na saída do estabelecimento, com uma sacola contendo cerca de R$ 79 mil em dinheiro e cheques, os ladrões foram surpreendidos pela Polícia Militar. Eles atiraram contra os policiais e fugiram invadindo residências das imediações. Moradores e transeuntes ficaram apavorados com os disparos e uma mulher que passava pela quadra 14 da rua Agenor Meira no momento se jogou no chão com medo de ser atingida. Os três rapazes acusados do roubo e de efetuar os tiros foram presos em flagrante.

A tentativa de assalto aconteceu pouco depois das 9 horas. Os ladrões foram direto para o escritório da farmácia e perguntaram pelo proprietário. Eles queriam dinheiro e renderam uma funcionária e um vendedor que tinha as mesmas características físicas do proprietários. Os ladrões colocaram todo o dinheiro disponível no escritório, cerca de R$ 79 mil, em uma mochila e quando deixavam o local depararam-se com um policial. Eles dispararam a arma e tentaram matar o soldado Altair Pedro Júnior, que por acaso passava pelo local na hora do assalto.

Na fuga, os ladrões abandonaram a sacola com o dinheiro. Dois deles dispensaram as pistolas que usavam e se esconderam no banheiro de uma edícula, próximo da farmácia. O terceiro rapaz pulou muros, invadiu residências, quebrou telhados e saiu na quadra 14 da rua Agenor Meira. Armado com um revólver Taurus, ele tentou atingir o policial que o perseguia, mas o reforço policial fez com que ele jogasse a arma e se rendesse, sendo preso.

Os outros dois rapazes tentaram se refugiar nas residências das imediações da farmácia. Eles fugiram passando sobre telhados e assustaram moradores, especialmente os mais idosos. Numa padaria, a passagem do ladrão ficou marcada no telhado de amianto dos fundos do prédio, que quebrou em vários locais. Ele foi preso em seguida.

A polícia suspeita que havia pelo menos mais uma pessoa no assalto. Isto porque após a prisão do trio uma advogada apareceu rapidamente no local prometendo a liberação dos acusados em poucas horas. A presença da profissional, que foi vaiada pelo público, revelou que alguém teria entrado em contato com ela, pedindo assistência para os acusados.

Um pequeno mapa do escritório assaltado foi apreendido com um dos rapazes presos. Nele, havia, além da disposição das salas, o nome das pessoas que eles deveriam procurar para pegar o dinheiro. Os rapazes presos, acusados do roubo, são Francisco Ademilson da Silva, 20 anos, Rinaldo Carlos da Silva, 20 anos, ambos moradores em Sumaré (SP), e José Eduardo Moreira, 22 anos, que disse morar no Núcleo Mary Dota.

Acaso

O soldado Altair Pedro Júnior, da 1.ª Cia., seguia pela rua Rio Branco em uma viatura policial com destino à Base Sul, que fica na Praça Portugal. Quando transitava entre a rua Manoel Bento Cruz e a avenida Duque de Caxias percebeu a movimentação e foi avisado do assalto. Eu estava sozinho. Avisei pelo rádio (rádio HT usado para a comunicação da polícia) que o assalto estava em andamento, pedi reforço e entrei. Deparei com dois homens armados, Apontei a arma, mas não pude disparar. A secretária e outras pessoas poderiam ser atingidas, disse.

O ladrão não pensou nos terceiros que estavam no local, segundo o soldado. Ele disparou contra mim e eu me abriguei. Nisso, começaram a chegar outros policiais e nós cercamos o local, contou. Os soldados Cassiano Pinheiro da Silva e Araújo, do Policiamento de Bike, estavam próximo à Praça Portugal e deram apoio. Nós ouvimos a informação pelo rádio de comunicação e descemos a rua Rio Branco pela contramão de direção. Em menos de um minuto chegamos na farmácia, relataram.

Cassiano disse que quando os ladrões perceberam a chegada dele e de seu companheiro de trabalho tentaram eliminá-los. Nós chegamos e eles estavam atirando. Derrapei com a bicicleta e fui ao chão. Meu companheiro também se machucou. Não atiramos, apesar de estarmos muito perto. Havia muita gente na Duque e na Rio Branco. Um tiro perdido poderia tirar a vida de um inocente, ressaltaram.

População aplaude PM e vaia acusados

A prisão dos três acusados do roubo, a recuperação do dinheiro da farmácia e a apreensão das três armas e um aparelho celular recebeu o reconhecimento da população que presenciou os fatos. Os transeuntes que se aglomeraram vaiaram os ladrões e aplaudiram a Polícia Militar, demonstrando revolta através das palavras dirigidas aos presos. Uma das armas apreendidas, um revólver Taurus, estava municiada com cinco cápsulas, todas deflagradas. Duas pistolas 7.65 foram apreendidas nos fundos de uma clínica.

Tiros assustam

Maria Helena César estava descendo a rua Agenor Meira quando viu de perto a possibilidade de morrer. Eu me joguei no chão. O ladrão estava atirando contra o policial. O policial só disparava para cima para assustá-lo, mas ele insistia, contou.

A mulher disse que nunca havia sentido sensação mais horrível. Eu nunca tinha visto isso antes. Fiquei apavorada. Pensei que os tiros poderiam atingir alguém que estava na rua, como eu, disse.

Segundo ela, o ladrão só jogou a arma e se rendeu quando percebeu que haviam muitos policiais ao seu redor e que eu não tinha saída. Fiquei aliviada quando ele se entregou e não tinha ninguém ferido, disse.

Paulo Rocha, morador da quadra 6 da rua Manoel Bento Cruz, pensou no risco que estava correndo caso os policiais não tivessem retornado à sua casa para revistar o quintal, onde se esconderam dois acusados. Eu estava em casa com minha mãe. Ouvi o barulho e pensei em assalto. Fechei a casa e fiquei aguardando o desenrolar. Eles (policiais) olharam tudo e não havia ninguém (ladrões). Provavelmente, estavam escondido em outro lugar. Depois que os policiais saíram, ouvi outro barulho mas fiquei quieto, aguardando, contou.

Pouco depois, os policiais retornaram ao quintal e encontraram a porta do banheiro da edícula fechada por dentro. Os ladrões esperaram os policiais saírem de minha casa e entraram no banheiro. Se eles não voltassem, os dois ficariam aqui e, quando eu abrisse a porta, eles renderiam eu e minha mãe, disse.

A sensação de insegurança de Rocha foi rapidamente substituída pela sensação de alívio. Eu me senti aliviado quando a polícia prendeu os dois que estavam no banheiro. Marisa de Morais estava em sua casa quando ouviu barulho estranho. Parecia que eles estavam pulando muro e abrindo janelas. Fiquei assustada e me recolhi para dentro de casa. A polícia esteve em casa, mas não encontrou ninguém. Fiquei com medo, afirmou.

Moradores e executivos dos prédios ao redor da quadra onde ocorreu o assalto assistiram a fuga e a perseguição e ajudaram, informando a polícia sobre cada passo dos acusados. A avenida Duque de Caxias, a rua Rio Branco e a rua Agenor Meira chegaram a ser interditada ao trânsito em função do assalto.