08 de julho de 2026
Geral

Sem-terras deixam horto em Pederneiras

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Pederneiras - Cerca de 65 famílias de sem-terra, ligadas à Federação da Agricultura Familiar (Fafi/CUT), instaladas no Horto Florestal de Pederneiras há nove meses, estão sendo transferidas para outra área. Eles estiveram acampados no local desde julho do ano passado, mas uma determinação judicial estipulou prazo até ontem para a retirada das famílias. A Prefeitura Municipal cedeu um terreno, destinado ao Distrito Industrial da cidade, para a instalação do novo acampamento.

O coordenador regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Paulo Vieira de Lima, explicou que o Governo do Estado, mantenedor do horto, conseguiu uma liminar de reintegração de posse três dias depois da ocupação. Mas os manifestantes fizeram um acordo e esticaram o prazo para desocupação, alegando que havia crianças na escola e que eles estavam plantando no local - a colheita garantiria sua subsistência. Em contrapartida, eles deveriam sair pacificamente.

Existe uma lei que determina que todos os hortos florestais sejam destinados à reforma agrária. Por isso, as famílias vieram para cá. Só que o horto daqui é uma área de preservação ambiental, que fica fora desta lei. Lá, hoje, são feitos estudos de árvores trazidas de outros países. Então, teríamos que sair, informou Lima.

Segundo ele, nos nove meses em que as famílias estiveram acampadas no horto, houve total apoio da população e da Prefeitura, que contribuíram com alimentos, medicamentos e água para cerca de 180 pessoas. Nosso acampamento tem um projeto diferenciado, organizado, que luta por terra para miniproduções, como a piscicultura, por exemplo, integrando o homem com a fauna e a flora, ressaltou.

Mantendo o apoio, a Prefeitura Municipal cedeu um terreno, inicialmente destinado à criação do Distrito Industrial de Pederneiras, para abrigar provisoriamente as famílias. Desde o último sábado, os sem-terra estão se mudando para as margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, km 223. O transporte está sendo feito com ajuda dos caminhões municipais e do próprio horto, segundo Lima.

Eles vão ficar lá até acharmos outra área. Estamos esperando que o Governo nos indique uma. Vai ser difícil, mas estamos aguardando, afirmou o coordenador da CUT.

Segundo ele, a Fafi foi criada há cerca de cinco anos. Atualmente, ela reúne cerca de 120 mil famílias e já conquistou 17 assentamentos no País.