Na condição específica de jovem aprendiz de jornalismo caboclo incluímo-nos, na nossa saudosa juventude, entre as muitas dezenas de bauruenses e não-bauruenses que acompanharam de perto a construção do Leprosário Aymorés que, depois, passou a se denominar Asilo-Colônia Aymorés, mais tarde Sanatório Aymorés e, posteriormente, Instituto Lauro de Souza Lima, em todas as denominações e situações dedicado expressamente ao tratamento da hanseníase (lepra), através de um punhado de competentes especialistas naquilo que a medicina moderna passou a intitular dermatologia. Vimos a instituição subindo, lance por lance, após a implantação de seus profundos alicerces, da mesma forma com que assistimos, entusiasmados, ao início de suas importantes atividades médico-hospitalares. Diante disso, bem cedo aprendemos a admirar e aplaudir o desenvolvimento de seus trabalhos, a sua luta sem dúvida devotada no sentido de acudir e tratar, carinhosamente, os portadores da grave enfermidade eclodida nos primórdios do mundo, quando, durante muitos séculos, determinava que os seus infelizes portadores fossem marginalizados das comunidades humanas e colocados em áreas de rigoroso asilamento, lembrando-se hoje que muitos casos do gênero foram reproduzidos, em épocas menos remotas, em modernos filmes cinematográficos, mostrando o drama pungente de muitas legiões de cristãos, daquelas priscas eras, condenadas a se afastarem de parentes e amigos para não lhes transmitirem o insidioso mal, então absolutamente incurável, num contraste extraordinário com o que ocorre nos tempos atuais, quando a sua cura já existe, graças a Deus, e impede a sua propagação logo após o início do tratamento. Realmente, graças ao Todo Poderoso, a humanidade está vendo desaparecer o grande flagelo. Dentro de três anos, conforme previsão de especialistas, reunidos no Lauro de Souza Lima, inclusive reproduzida pelo nosso JC, é provável que a enfermidade esteja eliminada na maioria dos Estados brasileiros e também na Argentina, Paraguai e Uruguai, e, então, estará a humanidade diante do triunfo que espera de século em século. E, no que tange a Bauru, uma das pioneiras no combate sanatorial à hanseníase, e que amanhã encerra campanha de combate à doença, a vitória se estenderá à memória de nomes como Rodrigo Romero, Paulino Raphael, Enéas de Carvalho Aguiar e tantos outros que contribuíram com seu esforço para a edificação do seu hospital de leprologia e dos beneméritos que ora lutam por ele. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.