O PDV obteve adesão de 36,77% dos 22,3 mil empregados da instituição. O plano poderia atingir até 18 mil pessoas
Cerca de 8,2 mil funcionários do Banespa - controlado pelo Santander desde novembro do ano passado - aderiram ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) da instituição, lançado no último dia 17 e encerrado anteontem. A informação é da assessoria de imprensa do banco. Esse número significa 36,77% do total de empregados do Banespa em todo País, que atualmente, chega a 22,3 mil. Segundo a assessoria, os resultados da adesão atingiram os objetivos do banco e teriam deixado a diretoria satisfeita.
Para o banco, foi atingido o nível desejado de pessoal, consta em nota oficial divulgada à Imprensa. Segundo a assessoria da instituição, o desligamento dos funcionários que aderiram ao PDV está planejado para ocorrer ao longo deste ano. Na nota, que mostrou os números do programa, também consta que ao divulgar os resultados do PDV, a direção do banco reassumiu seus compromissos com os funcionários que optaram, os quais contam com programas de saúde e processos de treinamento, requalificação, recolocação e até de assessoria para a abertura de novos negócios.
Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da instituição, a direção do Banespa teria informado que, a partir de agora, será dedicado todo esforço à melhoria da qualidade dos serviços para os clientes, ao lançamento de novos e diferenciados produtos, ao treinamento intensivo dos funcionários e ao programa de modernização tecnológica do banco.
O assessor de comunicação do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Marcos Silvestre, diz que o número total de adesões foi maior do que o sindicato esperava e que, provavelmente, menor do que o banco pretendia em termos de enxugamento do quadro de pessoal. Para ele, as 8,2 mil adesões ao PDV são a prova de que os funcionários estão insatisfeitos com o trabalho no banco, desde que foi privatizado.
Na opinião do sindicato, esse número de adesões é a maior prova da situação insustentável que a diretoria do banco está criando para os funcionários. Isso porque, mesmo o programa sendo ruim financeiramente, conforme já falamos anteriormente, a maioria dos funcionários não suporta mais trabalhar da forma como o Santander está fazendo no Banespa, desrespeitando a legislação e o acordo coletivo da categoria, não pagando as horas extras e estipulando metas acima do mercado. Esse é o quadro atual, diz Silvestre.
De acordo com ele, pelos cálculos informais do sindicato cerca de 70 funcionários do banco, em Bauru, devem ter aderido ao PDV. É um número significativo (23,3% do total), já que existem aproximadamente 300 pessoas trabalhando na instituição, no momento, nas agências da cidade.
Para Silvestre, a informação de que o desligamento dos funcionários que aderiram ao programa ocorrerá ao longo do ano é muito preocupante. Na opinião dele, um dos aspectos dessa decisão seria o de que isso provaria que há falta de funcionários no banco. O fato de não marcar uma data específica e prolongar o desligamento para ocorrer até o final do ano prova que o Banespa sofre de falta de funcionários. O banco não tem condições de desligar todos os que aderiram ao PDV de uma só vez, por isso, desmembrará a saída desses trabalhadores durante o ano todo, diz o sindicalista.
Outro aspecto apontado por Silvestre diz respeito aos funcionários que, antes de aderir ao programa, estavam procurando por outro emprego e obtiveram sucesso na tentativa. Em função do clima que foi instalado no banco desde a privatização, alguns funcionários começaram a procurar emprego em outros locais. Quem conseguiu, como vai ficar agora? Se a pessoa for chamada para começar a trabalhar no mês que vem, não poderá aceitar pelo fato de ainda não ter sido desligada do Banespa. Isso é uma grande irresponsabilidade do banco. Essa não é a situação da maioria, porém, é a realidade de vários funcionários, observa.
De imediato, o PDV foi oferecido a 18 mil funcionários do total do quadro de pessoal do banco. Porém, Silvestre diz que, na verdade, todos podiam aderir. Na verdade, o que ocorre é que esses 18 mil funcionários aos quais o PDV foi destinado, segundo o próprio Banespa divulgou, são aqueles que não têm estabilidade de emprego, como o que acontece, por exemplo, com o trabalhador que está no período de pré-aposentadoria e com quem entrou no banco antes de 1975. Mas, através de um 0800 que foi disponibilizado a esses outros quatro mil funcionários, aproximadamente, eles poderiam dizer que estavam interessados em aderir ao PDV. Com essas pessoas, seria feita uma proposta individual, explica.
De acordo com o banco, quem aderiu ao PDV terá um plano de apoio à transição de carreira, receberá bônus de até oito salários, dependendo do tempo de casa, e todos os direitos trabalhistas, garantidos por acordo coletivo.