08 de julho de 2026
Geral

Uma boa cela para ele...

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Atingiu o seu demorado final a tenaz perseguição da Justiça brasileira contra o pertinaz traficante de drogas Fernandinho Beira-Mar. Barbas negras e espessas, o homem fez o que pensou ser suficiente para se tornar uma figura realmente caricata. Somente isso? Não, sem dúvida, porque unicamente a caricatura não seria bastante para torná-lo bem diferente dos outros e, dessa forma, se esconder no ardiloso disfarce, face ao qual se tornou um exacerbado expoente do tráfico de drogas, como jamais existiria outro igual ou parecido. Mas, é no que preferencialmente ele se tornou, conforme registra a curta história de sua vida criminosa, de apenas (será que apenas?) 12 curtos anos. E nessa situação aí está, com a fantasia bem peluda que colocou nos lábios e no queixo sem possibilidade de fazê-lo percebido das autoridades, nem mesmo da Colômbia, onde, conseqüentemente, acabou sendo preso e colocado à disposição para ser extraditado rumo ao Brasil, em que ele possuía bens milionários, entre os quais 150 imóveis, seqüestrados pela Justiça por serem frutos de suas ações delituosas. Beira-Mar volta para o país de origem a fim de pagar pelas centenas de crimes cometidos. E o faz com a maior fama já obtida por outros meliantes de sua indecorosa estirpe. Realmente, ninguém, de sua estrutura e de sua bossa para a compra e veiculação de drogas, tinha tido como ele tamanha facilidade para se infiltrar nas rodas de sua influência e comercializar seus produtos, inicialmente em áreas brasileiras e, depois, nos territórios da Colômbia, Peru e Venezuela, já então a peso influente de dólares norte-americanos. Se não lhe representasse algum elogio, dir-se-ia dele um homem fora de série, e de inteligência também, a partir do que até arranjou sobrenome com uma poesia regiamente aquática, falando das infinitas belezas marítimas. Não se tenha pressa para processá-lo, pois a pressa - diz o ditado - é inimiga natural da perfeição. E ele, por tudo quanto já fez e tem feito, faz jus a um castigo pleno em todos os sentidos. Que retorne, por isso, predisposto a enfrentar a pesada barra que lhe esteja reservada e mais alguma coisa de contrapeso. Que os nossos magistrados não o considerem uma droga e o tratem como uma peça rara, digna do maior presídio... É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.