11 de julho de 2026
Geral

Jamil Murad (PC do B), Ciro Gomes (PPS) e João Herrmann (PPS) abriram, ontem, no Teatro Municipal, o V Congresso da União Estadual dos Estudantes (UEE), em Bauru. A programação segue hoje, com debates, na Unesp.

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O V Congresso da União Estadual dos Estudantes (UEE), aberto ontem, também teve a presença da cúpula nacional do PPS

A mesa do V Congresso da União Estadual dos Estudantes (UEE), que teve sua abertura realizada ontem à noite, no Teatro Municipal, contou com pelo menos três nomes de expressão nacional do PPS, além do prefeito Nilson Costa. Além do deputado estadual Arnaldo Jardim, do deputado federal João Herrmann, estava na mesa o ex-ministro da Economia e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, candidato a presidente da República em uma tentativa de aliança de centro esquerda. E é exatamente a possibilidade desta aliança que deu o tom dos discursos. A cúpula do PPS não poupou críticas a FHC e ao projeto neoliberal e, com a colaboração do deputado estadual Jamil Murad (PC do B), um dos destaques foi o risco da antecipação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que inicialmente está prevista para 2005.

A Alca apareceu nos discursos para sintetizar as críticas neoliberais, para um público predominantemente jovem, que forma sua convicção política num momento em que o País discute ética no Congresso Nacional. Pouco se falou, na verdade, sobre temas eminentemente estudantis e não poderia ser diferente, ainda mais na abertura do evento. A pauta da Comissão de Ética no Congresso Nacional e o discurso de combate ao Governo FHC, como continuação do terreno preparatório visando as eleições de 2002, onde a conquista da opinião ou simpatia dos jovens não pode ser desprezada por nenhuma candidato dominou o discurso. Em relação à Alca, os jovens ouviram da maioria dos presentes que amanhã vão se tornar adultos e precisarão de um País com emprego, longe das amarras dos EUA.

E, Ciro Gomes, embora tenha demonstrado certo nervosismo com as vaias de uma minoria de jovens que foram ao Teatro Municipal, ontem à noite, não deixou de discursar diretamente para o público com o qual procura manter a proximidade do diálogo em função de sua pouca idade. O ex-ministro da Economia começou a falar enfrentando os apupos e um coro: Ciro Gomes é baixaria, representante da burguesia, ouviu, enquanto a maioria dos presentes ainda o aplaudia. A minha geração enfrentou a intolerância, não a intolerância simpática de um pequeno grupo que está aqui. Ainda que haja desagrados, precisamos ver a perversão neoliberal exterminada, este é o projeto, não o da divisão. Enfrentar a oligarquia brasileira é ter a capacidade de ser tolerante em favor de um projeto que não é meu, mas é a única alternativa de salvar este País das garras do neoliberalismo praticado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e para isso nós temos que nos unir, discursou.

O ex-governador do Ceará alertou que a discussão do neoliberalismo não pode ser feita somente em relação à venda de estatais, mas do perigo da Alca para o País e seu futuro econômico e social. A Alca significa o fim da soberania nacional, comentou. Em seguida, sob nova intervenção dos intolerantes, Ciro Gomes comentou que o Brasil quer a oposição, mas o povo não confia em uma alternativa comum, não confia que a oposição não possa continuar dividida, continua vendo que cada um pode continuar do seu lado, com os guetos radicais gritando enquanto o País sucumbe à perversão neoliberal.

A insistência nas vaias e apupos do plenário teve uma pausa quando discursava João Herrmann. Enquanto Herrmann criticava a intolerância que não tem capacidade de ouvir o outro, ainda que não concorde, Ciro Gomes chegou a perder as estribeiras, como se diz em algum canto do Ceará, chamando alguns jovens de babacas, moleques. O deputado federal alertou com alfinetadas nos sectários. Que burrice é esta que a esquerda não consegue conversar, acha que não pode se unir para derrubar o FHC. Será que vaias resolvem nosso problema, será que vamos deixar de ser órfãos desse modelo com apupos?, questionou.

O discurso do deputado estadual Jamil Murad (PC do B) retomou certo silêncio nos rebeldes da platéia. Murad também comentou que a Alca quer transformar o Brasil no quintal dos EUA, no quintal da América Latina. Nós estamos vulneráveis para defender os interesses nacionais, precisamos quebrar este pacto. Vocês estudantes vão se formar, vão precisar de um País que tenha oferta de empregos, de nova indústria e a Alca é um perigo ao futuro de vocês, disse.