08 de julho de 2026
Geral

Temer quer diretório de olho em 2002

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Deputado diz que PMDB tem dois candidatos: um que deseja apenas disputar a eleição e um outro que quer ganhá-la

O deputado federal Michel Temer (PMDB), candidato a candidato ao Governo do Estado, iniciou ontem, em Bauru, uma maratona em busca dos votos dos delegados peemedebistas que vão eleger o diretório estadual do partido. A convenção está marcada para o próximo dia 20. Ele apóia a candidatura do deputado federal Milton Monti (PMDB), de São Manuel. O grupo político que obtiver o controle do diretório indicará o candidato a governador do partido.

O deputado foi recepcionado pelo ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB), de quem já tem apoio. Além do bloco de Temer, vai disputar a indicação para a instância estadual da legenda o ex-governador do Estado, Orestes Quércia (PMDB). O PMDB não registra disputa interna de chapas há mais de 20 anos. O encontro peemedebista de ontem foi realizado na Câmara Municipal. Cerca de 80 militantes e lideranças do partido de Bauru e cidades da região prestigiaram o evento. A ausência mais notada foi a da presidente de honra do PMDB local, Darci Gasparini, que já anunciou seu apoio a Quércia.

Temer discursou por 30 minutos na tribuna do Legislativo e conseguiu prender a atenção dos peemedebistas. Não quero ser candidato do PMDB ao Governo do Estado só para ser candidato. Quero ser candidato para levar o PMDB ao Palácio dos Bandeirantes, disse, numa clara referência a Quércia, que tem disputado sem sucesso as últimas eleições ao governo.

O deputado federal desmentiu as declarações de peemedebistas ligados ao ex-governador, que disseminam que seu objetivo, depois de conseguir o controle do diretório, seria entregar o partido ao PSDB. Isso só pode ser maldade político-partidária. Ele afirmou que defende a candidatura própria à Presidência da República, que no seu ponto de vista está vinculada à eleição para governador de Estado.

Sobre a crise política instalada no Senado Federal, envolvendo os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (PSDB-DF), Temer diz tratar-se de uma situação grave. O caso é grave. Nós não podemos julgar e condenar sem fazer toda uma instrução processual. É preciso que haja, agora, o direito à ampla defesa. Acho grave e percebo que a tendência é pela cassação.

O peemedebista também acha ruim a situação do senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), que é acusado de envolvimento com a máfia que desviava verbas da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Ele (Jáder) tem dado as respostas. Evidentemente, se houver alguma acusação a fazer, a apuração será feita. Sobre a CPI da corrupção, Temer explicou que é favorável a instauração de CPIs que visem a fatos determinados. A CPI da Corrupção é uma coisa muito ampla. Tem 18, 19 fatos e ela não irá prosperar exatamente em função de não haver um fato determinado.

Medo do povo

Ao usar a palavra, o ex-prefeito Tidei de Lima reforçou seu apoio à candidatura Michel Temer. Ele não deixou de alfinetar o ex-governador Orestes Quércia, embora não tenha citado seu nome. Nós não podemos mais ter candidatos que não vão para as ruas, que têm medo do povo. Se isso ocorrer, o partido fecha, avisa. O peemedebista aposta no distanciamento do partido do Governo Federal. Para ele, o PMDB cumpriu com sua obrigação administrativa de garantir a governabilidade do País para que o Brasil não se transformasse numa Argentina.

Tidei criticou o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, indicado pelo PMDB. Na sua opinião, não tem como explicar a situação das estradas brasileiras se não se falar a verdade. O ministro tinha que dizer que o Malan (Pedro Malan, ministro da Fazenda) não libera dinheiro para a manutenção. Mas ele (Eliseu) não pode dizer isso porque faz parte do governo. É melhor que o Padilha saia do governo.

Monti descarta racha no partido após a convenção

O deputado federal Milton Monti (PMDB), candidato à presidência do diretório estadual do PMDB, afirmou ontem, em Bauru, que acredita que o partido não vai rachar após a realização da convenção, marcada para o próximo dia 20. Ele explicou que vê de forma positiva a disputa do controle da legenda com o ex-governador Orestes Quércia. É a oportunidade de o partido se manifestar. Já várias oportunidades o partido tem apenas homologado uma decisão da cúpula. Essa disputa tem seus pontos positivos. Não imagino que ocorrerá uma dissidência. Feita a disputa no dia 20 de maio, vamos todos remar no mesmo rumo.

Monti lembrou que o PMDB já registrou momentos de disputa interna, como a de agora. Ele citou que Franco Montoro disputou a indicação para o governo com Orestes Quércia. Depois da disputa, as coisas caminharam para a vitória do Montoro. O deputado explicou que a antecipação da escolha do comando do diretório é uma orientação política do partido. Nós vamos ter a chapa do Michel e a chapa do Quércia. Evidentemente que os delegados que votarem para a chapa do Michel estão dizendo que o querem como candidato a governador. O mesmo com o Quércia.

Ele afirma que, na prática, os peemedebistas estarão escolhendo antecipadamente quem será o candidato a governador do PMDB. A estratégia de se lançar para já a indicação permitirá ao partido articular e trabalhar a candidatura com mais folga, já que a legenda está longe do poder no Estado de São Paulo há mais de dez anos.

Monti diz que está disposto, se for eleito, a reestruturar o PMDB paulista, mas não esconde que sua indicação ao diretório servirá para materializar a candidatura Michel Temer ao Governo do Estado. O peemedebista diz que há pontos negativos no fato de se decidir com antecedência o nome do candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

Na verdade você expõe o candidato, mas nós precisamos fazer isso. Nós precisamos trabalhar a candidatura de quem for o candidato. Temos que conversar coligações, arregimentar forças. E isso não se faz dois ou três meses antes das eleições. Isso tem que começar já. Aliás, nós já estamos atrasados.