09 de julho de 2026
Geral

Tratamento limpa o esgoto em 90%

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

A obra, cujo objetivo é tratar 100% do esgoto da cidade com processo de decantação, já custou cerca de R$ 245 mil à Sabesp

Espírito Santo do Turvo - Outra obra de cunho ambientalista que está sendo feita na cidade é a lagoa de tratamento de esgoto. Atualmente, todo o esgoto captado no município é lançado in natura no rio Turvo. Segundo especialistas, a técnica utilizada no tratamento consegue retirar 90% dos resíduos, de modo que a água seja devolvida ao rio praticamente limpa.

Em Espírito Santo do Turvo, o projeto da lagoa é desenvolvido pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa que tem a concessão para distribuição de água e captação de esgoto na cidade, em conjunto com a Prefeitura Municipal. A obra, que já custou R$ 245 mil à Sabesp, deve ser concluída nas próximas semanas e a previsão é de que o esgoto comece a ser tratado em, no máximo, 60 dias.

De acordo com o prefeito municipal, João Adirson Pacheco (PSDB), a intenção inicial da Administração era implantar o projeto em 2002, mas a Sabesp abraçou a idéia e antecipou as obras, que estão em fase final. Faltam os acabamentos nos tanques, o enchimento da lagoa (com água limpa) e a ligação de energia elétrica no local para que o trabalho comece a funcionar.

Tratamento

No processo atual, todo o esgoto da cidade é canalizado para escoar até o rio. O projeto da lagoa construiu uma caixa de captação desse esgoto no mesmo nível do rio (ponto baixo da cidade), mas antes de chegar até ele, de modo que o esgoto mantenha seu curso, mas não contamine a água.

Todo o esgoto captado nesta caixa será bombeado eletricamente para o local onde foi instalada a lagoa - num nível bem mais alto que o rio. Ali, o esgoto passará por três caixas/tanques antes de cair na lagoa.

As paredes e muretas construídas nas caixas servirão para triturar o esgoto, que chegará aos tanques com a pressão fornecida pelas bombas elétricas. Depois de passar pelo terceiro tanque, o esgoto cairá na lagoa.

A lagoa foi construída com 180 metros de extensão, por 65 metros de largura e 1,5 metro de profundidade. Isso significa que ela deverá comportar aproximadamente 17,5 milhões de litros de água. Ao cair na água, o esgoto passará por um processo de decantação, ou seja, o material sólido, que é mais pesado que o líquido, tende a afundar, ficando depositado no fundo. Na mesma proporção em que o esgoto entra, numa extremidade da lagoa, a água sai pela outra, sendo lançada ao rio Turvo com apenas 10% dos resíduos.

Esses resíduos, o próprio rio se incumbe de limpar, pelos mecanismos naturais, explicou a secretária municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Rosânia Guerra.

Vida útil

O projeto prevê que a lagoa de tratamento terá uma vida útil de aproximada de 30 a 40 anos, conforme a manutenção da obra. Neste período, o lodo que vai se depositando no fundo da lagoa pode reduzir a eficácia do tratamento, o que exigiria a suspensão temporária dos trabalhos para limpeza da lagoa.

Mas, segundo técnicos da Sabesp, a lagoa foi projetada para tratar o equivalente ao dobro do volume de esgoto produzido pelo Município, que hoje registra menos de 2 mil ligações. Assim, mesmo que a população da cidade seja duplicada, não haveria preocupações quanto à capacidade da lagoa.

Benefícios

De acordo com o prefeito, o principal benefício deste projeto será para a população que se utiliza o rio Turvo para a pesca de subsistência. Com todo o esgoto sendo lançado ao rio, existe uma contaminação que impede a pesca. E muitas pessoas dependem do peixe para seu próprio sustento.

Interrompendo-se o despejo do esgoto, quando começar o tratamento, eu acredito que a recuperação do rio será quase imediata, porque é um rio de médio porte. Parou de jogar, a natureza se incumbe de dissolver o que restou, destacou Pacheco.

Esta é a terceira administração de Espírito Santo do Turvo, cidade com 3.677 habitantes (dados do Censo/2000 do IBGE), cuja emancipação político-administrativa foi decretada em 1990. O primeiro prefeito assumiu o posto em janeiro de 1992 e faleceu num acidente automobilístico antes de encerrar seu mandato.

Pacheco foi eleito nas eleições seguinte, tendo sido reeleito em 1.º de outubro de 2000. Eu já tinha uma participação na administração do ex-prefeito, então, o bom de tudo isso é que estamos conseguindo dar continuidade a todos os projetos. Acredito que, em mais uns poucos anos, toda a casa possa ser colocada em ordem, concluiu.

Margens de ribeirão viram área de lazer

O ribeirão Rangel, que corta a cidade de Espírito Santo do Turvo, sempre foi um problema para os moradores. Segundo a secretária de Agricultura e Meio Ambiente, Rosânia Guerra, por ter um leito estreito e raso, o ribeirão sempre transbordava no período de chuvas, inundando ruas e ameaçando casas. Além disso, era um criadouro de pernilongos, moscas e ratos.

Preocupada com a situação, a Prefeitura Municipal decidiu fazer obras no ribeirão, alargando as margens e fazendo calçamento e paisagismo, o que acabou transformando o local em área de lazer para a população.

Em sua primeira administração, por volta de 1998, o prefeito João Adirson Pacheco (PSDB) iniciou a recuperação da mata ciliar (que protege as margens do ribeirão), na zona rural. Foram plantadas cerca de 10 mil mudas na extensão da bacia, para contenção do processo erosivo e do assoreamento. No ano passado, máquinas alargaram o leito do ribeirão e levantaram as margens, tornando-o mais profundo para evitar o transbordamento.

Nos últimos meses, a Prefeitura iniciou o calçamento das laterais do ribeirão e agora está sendo feito paisagismo no local, com a plantação de grama e flores. Tiramos o criadouro de pernilongo e ratos e estamos transformando em área de lazer, onde o pessoal já está fazendo suas caminhadas com segurança, ao invés de fazer nas estradas, comemorou Pacheco.