08 de julho de 2026
Geral

Sogra: como se dar bem com ela

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 8 min

Popularmente, elas são tachadas de bruxas, chatas, intrometidas. É uma cobra que você tem dentro de casa, dizem. Mas as sogras, que tiveram o seu dia comemorado ontem, em geral não são tão ruins quanto os estereótipos a elas impostos. Pelo contrário, para muita gente elas são grandes amigas, verdadeiras segundas mães. Na realidade, como elas são ou deixam de ser é quase uma questão irrelevante porque, quando se casa, a pessoa leva a sogra de brinde, como dizem. O ponto, então, não é a natureza da mãe do seu par, mas sim como fazer para estabelecer um limite de interferência na sua vida que ela não deve ultrapassar, seja um anjo ou uma bruxa.

Segundo o sociólogo Marco Antônio Fetter, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) para a área de família, a sogra só interfere na vida do casal enquanto eles permitirem. Fetter leva o assunto tão a sério que além de dar um curso para ensinar casais e sogras a conviver, coordena uma pesquisa com 300 casais sobre o assunto. Os resultados até agora mostram que as brigas entre sogras e noras foram apontadas como a causa de 30% das separações.

A origem do problema

Minha mãe parece que ficou com ciúme do meu marido depois que eu casei. Vivia criticando e dizendo que ele não me merecia. Eles ficaram muito tempo sem conversar, lembra a professora Ana Lígia Carvalho. O conflito entre a sogra e a nora (ou o genro) começa quando ela vê o (a) filho (a) tratando outra pessoa melhor do que trata a ela própria. Nesse momento, ela deseja ser tratada da mesma maneira pelo (a) filho (a) e a disputa se estabelece tornando as brigas inevitáveis.

Na opinião da psicóloga e psicoterapeuta Maria Regina Corrêa Lopes Vanin, a sogra que interfere na vida dos filhos, provavelmente, foi uma mãe protetora, uma mulher que superatuou no seu papel de mãe e por isso ainda considera o (a) seu (sua) filho (a) como se fosse aquela pessoa indefesa, que precisa do seu cuidado.

Segundo a psicóloga, esse tipo de mãe/sogra era muito mais comum há até alguns anos atrás quando as mulheres não saíam de casa para trabalhar e se dedicavam somente à família e aos filhos. Sem ter outra atividade que lhe tomasse o tempo, ela exagerava no papel de mãe e mais tarde no papel de sogra. Hoje em dia esse tipo de mãe está diminuindo porque a mulher tem outros interesses além da criação dos filhos e é menos superprotetora, afirma Maria Regina Vanin.

Evitando o confronto

Logo que casei, minha sogra, que até então nunca tinha palpitado na minha vida, começou a querer meter o bico em tudo, na decoração da minha casa, nas roupas da minha mulher, em tudo, conta o motorista Gérson C. Santini. Segundo ele, com o tempo a sogra passou a querer morar mais perto de sua casa só para não deixar a filha sozinha durante o dia. Foi aí que fiquei bravo e coloquei um limite na coisa, afirma. Hoje, o motorista diz que se dá bem com a sogra porque ela melhorou e já não interfere tanto nem mora perto. Se tivesse continuado daquele jeito não sei o que teria acontecido. Acho que tinha me separado, confessa.

Se não for imposto um limite, a sogra vai avançar cada vez mais na intimidade do casal. Para evitar que isso aconteça, não adianta bater de frente com ela. Os dois devem estabelecer os limites e deixar bem claro onde é que fica a linha divisória que ela não pode passar. Mas é importante que sejam os dois para que ela não ache que o (a) filho (a) está sendo controlado (a) e sendo vítima de uma pessoa má. Agora, caso o (a) seu (sua) companheiro (a) não enxergue as intromissões da mãe como algo negativo para o relacionamento, mostre que não se trata de nada pessoal, que você até quer que ela faça visitas de vez em quando, mas que gostaria de mais privacidade. As primeiras medidas para impor os limites devem ser tomadas pelo (a) filho (a), que tem mais intimidade e conhece a mãe.

Se mesmo assim a sogra continuar a incomodar, o melhor a fazer é marcar uma reunião a três e estabelecer as coisas. Mas o mais importante é que todos esses movimentos sejam feitos com calma, educação e sem brigas. Brigar não vai adiantar nada, só vai piorar a situação, diz a psicóloga. Segundo Maria Regina Vanin, existe também a possibilidade da sogra ser uma pessoa carente, insegura, que por alguma razão específica e particular tem medo de perder os filhos e, assim, nem sempre interfere conscientemente por mal.

A melhor maneira de não ter problemas com a sogra é usando a afetividade e não a violência. É preciso saber fazer ela entrar na relação do casal de uma forma positiva, como se fosse uma amiga e não uma pessoa que quer destruir, explica a psicóloga. Para ela, é importante que a sogra participe da vida do casal e que eles não pensem que precisam eliminá-la para poderem ser felizes. Quem tiver um problema com a sogra deve tentar se colocar no lugar dela primeiro e tentar entendê-la antes de fazer alguma crítica ou brigar, ensina Maria Regina Vanin.

Segunda mãe

Mas nem toda sogra se mete na vida dos filhos, pelo contrário, muitas são completamente desligadas da vida conjugal dos filhos e agem mais como amiga do que como sogra. Outras vão mais longe e são como verdadeiras segundas-mães para os (as) genros (noras). É o caso de Marly Cintra. Tenho a nora mais linda e querida do mundo, afirma sobre Luciana Botelho Santos de Almeida Cintra, casada com seu filho, Luís Fernando, há oito anos. Marly diz que a nora é para ela a filha que sempre quis ter e que gostou de Luciana desde o momento que a viu pela primeira vez. O dia que meu filho disse que iria se casar com ela fiquei superfeliz porque sabia que ela era a mulher certa, conta, lembrando que muitas pessoas até acham que a nora na verdade é sua filha. Ela até se parece comigo, diz.

Luciana não pensa diferente em relação à sogra. Ela é minha segunda mãe, minha amiga. Sempre que preciso conversar é com ela que eu falo, afirma. E o estereótipo de mãe protetora também não vale nesse caso. Segundo Marly, ela é o oposto do que se costuma falar sobre as sogras. Ela nem sempre está do lado do filho, muitas vezes ela está do meu lado, explica.

Prevendo o futuro

Quem ainda não se casou deve prestar atenção no relacionamento familiar do (a) pretendente, pois ele pode fornecer alguns sinais sobre como a sogra vai se comportar no futuro.

Se o seu (sua) escolhido (a) for uma pessoa mimada, dependente da mãe e que não ajuda em casa, por exemplo, muito provavelmente vai continuar assim depois de se casar. Isso significa que a sogra, nesse caso, vai ser uma presença constante na vida do casal. No caso da sogra ser uma mulher intrometida e autoritária, cuidado, porque, com certeza, ela vai querer dar palpites em tudo.

Isso pode piorar se a sogra não tiver um bom relacionamento com o marido. Nessa situação, é possível que ela vá tentar fazer o (a) filho (a) viver o casamento dos sonhos que ela não teve. Resumindo: mais palpites.

Se essas características não fizerem parte do histórico da família do (a) seu (sua) pretendente, já vai ser um bom sinal: sua sogra está mais para segunda mãe do que que para bruxa.

A mais amada

Pode ser que nem todo mundo ache a sogra o verdadeiro demônio, mas o folclore popular vai ser lembrar dela se não como o próprio, como algo bem parecido como mostram as bem-humoradas frases abaixo:

Enviuvei e casei com a cunhada para economizar sogra

Sogra é como carro a álcool, você ainda vai ter uma

Sogra não tem problemas no trânsito, vassoura não engarrafa

Sogra não é parente. É castigo

Feliz foi Adão que não teve sogra!

Só não mando a minha sogra para o inferno, com pena do diabo

Se sogra fosse boa, você não tinha só uma

A única sogra que presta é a da minha mulher

Sogra! Tô fora. Filha! Tô dentro

Sogra é como cerveja, só é boa gelada e em cima da mesa

Sogra é igual a mandioca... As boas estão enterradas

Digo para todo mundo que minha sogra caiu do céu. A vassoura quebrou quando voava por sobre minha casa

Que nossas sogras nunca se chamem Esperança, pois a esperança é a última que morre!

Sogra devia ter dois dentes, um para doer e outro para abrir garrafa

Como é a sua sogra?

Ela é gente boa. Até pouco tempo tentava controlar a minha vida, mas melhorou depois que eu casei

Carolina Fernandes, estudante, 20 anos

Ela é legal, sempre protege a filha dela mas até aí ela está no direito dela

Djal Antonio Melo, músico, 21 anos

Sempre tive uma relação boa com ela. Até agora ela não pegou no meu pé

Jefferson Ricardo Batista, analista de sistemas, 24 anos

Não tenho reclamações dela. Ela sempre foi ótima comigo, uma segunda mãe

Shirlei Santos Lopes, dona de casa, 40 anos

Ela é um amor de pessoa, todo mundo gosta dela. Nunca tive problemas com ela

Juliana Negrão, advogada, 23 anos

Ela é legal, só que acho que às vezes pega no pé da filha dela sem razão

Marcelo Gustavo Álvares, auxiliar de serviços gerais, 23 anos