10 de julho de 2026
Geral

80% dos infectados não sabem que são portadores do HPV

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

HPV está presente em mais de 95% dos casos de câncer de colo uterino e 80% dos infectados não sabem que são portadores

O HPV, infecção genital causada pelo Papilomavírus Humano, tem aumentado sua incidência no mundo e já é considerado um problema de saúde pública. Com aproximadamente 9 milhões de infectados no Brasil, o HPV é a doença sexualmente transmissível (DST) mais freqüente.

Existem ainda três agravantes: 1) o câncer de colo uterino (segundo tipo de câncer mais freqüente na mulher) está intimamente ligado ao HPV. As estatísticas apontam que o vírus HPV está presente em mais de 95% dos casos de câncer de colo uterino; 2) 80% das pessoas que têm o HPV não sabem disso e, conseqüentemente, fazem a doença se propagar; 3) por não causar dor nem incômodo, o HPV é tratado como um problema menor até pelos médicos, que muitas vezes falham no diagnóstico e acabam medicando erroneamente pessoas que não são portadoras desse vírus. Estima-se que, de 83% dos casos confirmados pelo exame mais utilizado (histologia), apenas 35% das pessoas estavam realmente contaminadas, o que se comprovou após exames de biologia molecular agora apontados como os mais eficientes. Não temos a intenção de causar alarme, mas consideramos importante que a população e os médicos olhem com mais atenção para essa doença, pois diagnósticos feitos de forma errada significam tratamentos equivocados, que por sua vez podem significar mais mulheres com câncer de colo uterino, avalia Júlio José Máximo de Carvalho, coordenador do Simpósio Satélite sobre HPV, que aconteceu ontem, primeiro dia da VII Jornada de Urologia.

Tipos de infecção

1) Clínica: quando apresenta verrugas. Apenas 20% dos pacientes infectados apresentam verrugas visíveis.

2) Subclínica: as lesões são localizadas com lentes de aumento (peniscopia ou colposcopia) e utilização de marcadores (ácido acético e azul de toluidina). 3) Latente: quando o vírus é encontrado por meio de exames de biologia molecular.

Grupo de risco

Parceiros de pessoas infectadas pelo HPV; parceiros de mulheres com câncer de colo uterino; mulheres com displasia de colo uterino; pessoas que tiveram verrugas genitais no passado; pessoas que mantêm relações sexuais com múltiplos parceiros sem uso de camisinha; homens com fimose e balanopostite de repetição (inflamação da pele do pênis) e portadores de outras DSTs.

Contaminação

O HPV é contraído por meio de relações sexuais e manipulação dos órgãos genitais.

Sintomas

Geralmente a infecção pelo HPV não apresenta sintomas, salvo as verrugas que aparecem em apenas 20% dos casos (mesmo assim, os exames precisam confirmar a presença do HPV).

Diagnóstico

São necessários os exames de peniscopia e histologia, mas só a biologia molecular pode confirmar a presença do vírus.

Tratamento

Não há um tratamento ideal; cada paciente deve ser analisado isoladamente. Os tratamentos disponíveis são a cauterização local, (a laser ou a eletrocautério). Há cremes que cauterizam e estimulam a imunidade (imiquimod).Contamos também, com a podofitolotoxina e as vacinas que estão em fase final de estudo. E, nos casos mais graves, há a indicação de uma medicação injetável, o interferon. A cura pode ser alcançada em seis meses.

Novidades

1) Infecção pelo HPV deve ser diagnosticada e tratada com seriedade, porque está relacionada ao câncer de colo uterino.

2) Oitenta por cento dos infectados não sabem que são portadores e cerca de 48% dos pacientes que estão sendo tratados não possuem o HPV.

3) Só a biologia molecular pode dar o diagnóstico final. E isso é novidade até mesmo para os médicos, que até o momento se valem da peniscopia e da histologia.

HPB pode ser tratada com injeção

A Injectex, um novo medicamento para tratar da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), já está no mercado brasileiro. Com a ajuda de um aparelho introduzido pelo canal da uretra aplica-se uma injeção com 5 ml de gel de álcool a 96%, nos dois lados da próstata. O gel faz com que a próstata encolha, retirando a pressão da uretra e liberando a urina normalmente.

A resolução dos sintomas é de 100%, mas os médicos alertam que será necessário um acompanhamento a longo prazo. A anestesia é local e o procedimento dura apenas 30 minutos. Outro benefício: o custo da Injectex é até 10% mais baixo que os tratamentos tradicionais. O único incômodo é ficar cinco dias, após a aplicação, com uma sonda para urinar. O medicamento está na última fase de aprovação do FDA.

A Injectex foi desenvolvida na Califórnia, Estados Unidos, em 1999. Até o momento somente os mercados norte-americano, mexicano e brasileiro têm acesso à novidade. Há 50 anos que os cientistas tentavam desenvolver uma injeção para tratar da HPB.

Tratamentos tradicionais

Até agora os homens que sofrem de HPB tinham duas alternativas:

1) A RTU, Ressecção Transuretral da Próstata, na qual um aparelho é introduzido pela uretra até a próstata e vai raspando-a, até desobstruir a passagem da urina. Nesse caso a internação leva três dias e há riscos de ejaculação retrógada.

2) A Prostatectomia Radical, retirada total da próstata. Uma cirurgia aberta, com cinco dias de internação.

Os dados são alarmantes: 50% da população masculina com mais de 50 anos tem Hiperplasia Prostática Benigna, doença que se caracteriza pelo aumento da próstata que, por sua vez, contrai a uretra e leva o homem a se preocupar com um dado corriqueiro: a disponibilidade de um banheiro e o tempo que ele demorará lá dentro. A qualidade de vida fica seriamente comprometida acarretando em problemas psicológicos.

Com a realização anual do exame de toque a HPB pode ser diagnosticada precocemente e tratada com facilidade, além de aumentar as chances de cura do câncer de próstata.