A empreiteira que vem executando o asfalto comunitário levantou um potencial de 2 milhões de metros quadrados, mas as localidades mais carentes da cidade estão fora por não terem condições de suportar as prestações
Além de experimentar a triste exclusão social e econômica, a população carente também amarga a falta de políticas destinadas à infra-estrutura. Em Bauru, essa parcela do povo se concentra nos bairros mais sofridos da periferia, onde esgoto e energia elétrica muitas vezes ainda nem chegaram, que dirá o asfalto. Nem mesmo o programa de pavimentação comunitária os inclui, uma vez que as empreiteiras autorizadas a realizar o serviço não têm interesse em executar uma obra onde o retorno financeiro é incerto.
A Engetrix, única empresa que até o momento vem empreitando o asfalto pago, já descartou os bairros pobres da sua lista de potenciais clientes. Uma pesquisa interna da empreiteira levantou que Bauru tem um potencial de 2 milhões de metros quadrados em termos de asfalto comunitário, dos quais 450 mil deverão ser executados ao longo da atual gestão municipal. A perspectiva, considerada ótima, porém, não computa as localidades onde o padrão de vida dos moradores é muito baixo. Nós priorizamos os pontos onde há capacidade de contratação do serviço. Não podemos empreitar o asfalto se os moradores não têm condições de suportar as parcelas, disparou, sem meias palavras, Areonth Assumpção Rosa, sócio-proprietário da Dynabase, subempreiteira da Engetrix.
O não-compromisso de a empresa privada trabalhar sem previsões de lucro ou recebimento é compreensível, mas o poder público tem que buscar alternativas de compensação. Já se sabe que a Prefeitura tem idéia de priorizar o asfalto nos locais providos de galerias de águas pluviais, ou seja, os bairros mais pobres estão fora a princípio. Além disso, a prioridade também leva em conta outros fatores, como o potencial comercial. O Jardim Contorno, por exemplo, deve ser um dos primeiros beneficiados com o asfalto executado pela Prefeitura. Motivo: a melhoria pode alavancar o desenvolvimento do local, que já concentra várias empresas e tem chances de ser um novo pólo gerador de empregos na cidade.
Tal colocação não intenciona questionar a correção ou não das prioridades pré-estabelecidas, mas levantar uma discussão sobre a justiça em cumpri-las sem um amplo debate junto à sociedade. Se a Prefeitura considera injusto, além de inviável, oferecer o asfalto gratuito sob o risco de beneficiar um em detrimento do outro, deveria começar a repensar suas preferências.