08 de julho de 2026
Geral

Ministério da Saúde aponta que Centrinho é modelo de qualidade

Redação
| Tempo de leitura: 6 min

O ministro da Saúde José Serra citou o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofacias da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho de Bauru, e mais oito hospitais brasileiros integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS), como exemplos de excelência nacional na qualidade de atendimento ao paciente. O anúncio foi feito durante a outorga do prêmio Qualidade Hospitalar aos melhores hospitais do País, segundo avaliação dos própios pacientes por meio de pesquisa de apuração dos usuários.

O superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, recebeu o prêmio das mãos do ministro no último dia 17, em Brasília. Para o secretário de Assistência à Saúde, Renilson Rehem, este foi o primeiro grande levantamento e opinião realizado diretamente com os cidadãos. Em 2000, o Ministério da Saúde enviou 960 mil cartas a pacientes que se internaram nos hospitais do sistema SUS.

Mais de 110 mil pacientes responderam à pesquisa, por meio de cartão-resposta com porte pré-pago, que avaliava a qualidade da assistência que eles receberam nestes hospitais. A presença do Centrinho de Bauru entre os vencedores apenas confirmou o que a gente já sabia. O lado humanista do Centrinho sempre foi um grande diferencial de qualidade, lembrou Rehem.

O Centrinho realiza atendimento integral e dá orientação e acompanhamento de pessoas que nascem com deformidades do crânio e da face. O tratamento é gratuito e considrado, por sua excelência, um modelo internacional de reabilitação. O processo compreende atendimento ambulatorial, diagnóstico, cirurgias, terapias e atividades especiais de educação, recreação, integração social e colocação no mercado de trabalho.

Para isso, uma equipe multidisciplinar atua junto aos pacientes. São médicos, cirurgiões-dentistas, fonoaudiólogos, geneticistas, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas, pedagogos, enfermeiros e outros. Atualmente, mais de 55 mil pessoas estão matriculadas e em atendimento no Centrinho, vindas de todos os estados do Brasil e outros países.

Bastante emocionado, Gastão, ressaltou que o prêmio é fruto do esforço de uma equipe, que muitas vezes confunde-se com uma família, que coloca o paciente em primeiro lugar. O diretor do Centrinho também recebeu o Prêmio Qualidade Hospitalar, nível regional, pelo Centro de Pesquisa e Reabilitação da Face e Audição de Santo André, vinculado à Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf), que ele preside. Foram entregues 15 premiações regionais.

Uma das maiores supresas da pesquisa foi o grande número de respostas que chegaram ao Ministério, revela João Gabbardo dos Reis, diretor do Departamento de Controle e Avaliação de Sistemas, responsável pelo gerenciamento das correspondências. Sabemos que são os bons hospitais, e ficamos sabendo quem não está tão bem e vamos trabalhar para melhorar. Para o ministro Serra, o prêmio tem como objetivo principal reconhecer e motivar a continuação da qualidade do serviço público.

O Prêmio Qualidade hospitalar será concedido uma vez por ano, a partir de 2001, no mês de abril. Os conceitos excelente (nota 10); bom (7,5); regular (5); ruim (2,5) ou péssimo (zero) são atribuídos aos seguintes quesitos para pontuação: a para qualidade das instalações físicas do hospital, b para equipe médica, c equipe de enfermagem e d maneira como foi tratado.

A premiação está dividida em duas categorias: nacional, que envolve os nove hospitais de todo o País, de acordo com o seu porte, que tenham obtido a melhor avaliação de qualidade assistencial por seus usuários; e regional, concedido aos três hospitais, dentre os de sua região - Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste- com a melhor avaliação pelos usuários. A instituição hospitalar premiada na categorai nacional não participa do concurso na categoria regional.

Atendimento se destaca

Nessa primeira pesquisa, os pacientes usuários do SUS apreciaram de forma positiva o atendimento recebido: 85% das respostas foram excelente e bom, 11% regular, 2% ruim e 2% péssimo. O índice de satisfação geral do usuário ficou com 8 pontos e o critério com melhor avaliação foi o da equipe médica, com nota 8,3, e o com pior desempenho, instalações físicas, com 7,7.

A região Sudeste teve a melhor nota dada pelo usuário (8,2) e em último lugar ficou a região Norte (7,3). O Estado de São Paulo obteve o maior índice (8,3), seguido pelos Estados do Rio Grande do Sul (8,3). Minas Gerais (8,2), Paraná (8,2) e Goiás (8,1). No Estado de São Paulo o município de São José do Rio Preto obteve a melhor classificação (8,5), enquanto a região metropolitana registrou nota 8,3.

Os municípios com maior população apresentaram também os melhores indicadores de satisfação, a a exemplo dos municípios com mais de um milhão de habitantes, que ficaram com 8,3. De acordo com a natureza dos hospitais, os maiores, ou seja, com mais de 300 leitos, obtiveram a melhor nota (8,3). Os hospitais com menos de 30 leitos, de pequeno porte, tiveram a menor avaliação (7,8).

A pesquisa revelou ainda que a satisfação do usuário está diretamente ligada à complexidade dos procedimentos realizados durante a internação. Quanto menor a complexidade, menor o índice de satisfação. Tais dados ficam evidendes, segundo informações do Ministério da Saúde, nas internações de UTIs, que têm custo mais elevado para o SUS. Os pacientes que estiveram internados nessas unidades - 4% do total das respostas - avaliaram melhor a assistência médica prestada (8,7). O restante, que não se internaram em UTIs (96%), avaliou a assistência com nota 8, quase um ponto a menos.

O prêmio faz parte de um conjunto de ações que o Ministério da Saúde tem desenvolvido para incrementar a qualidade da assistência prestada aos usuários do SUS e, consequentemente, aumentar o grau de satisfação. Entre as ações na área, o governo federal destaca a humanização da assistência hospitalar, centros colaboradores, modernização gerencial dos grandes estabelecimentos, acreditação hospital, cartas aos usuários e ainda o program reforSUS que, com seus recursos, tem garantido investimentos para reequipar unidades, contruir e reformar áreas físicas e melhorar a administração.

Qualidade hospitalar

Categoria Nacional

* Centrinho* Biocor - Hospital de Doenças Cardiovasculares Ltda (Nova Lima - MG)* Hospital Universitário de Londrina (PR)* Hospital das Clínicas de Porto Alegre (RS)* Fundação Pio XII (Barretos - SP)* Hospital Universitário de Botucatu (SP)* Hospital Santa Tereza (Salta Albertina - SP)* Hospital Universitário da USP (São Paulo - SP) * Instituto de Coração - Incor (São Paulo - SP)

Monitoramento constante

Na solenidade de premiação, o ministro Serra assinou portaria que reconhece a Organização Brasileira de Acreditação Hospitalar (ONA) como entidade autorizada a operacionalziar o Programa Brasileiro de Acreditação Hospitalar. O objeto é instituir mecanismos para a auto-avaliação e aprimoramento contínuo da qualidade da atenção médico-hospitalar em todos os serviços públicos e particulares. Desta forma, segundo o Ministério da Saúde, será possível expor nacionalmente o permanente processo de melhoria da qualidade da assistência. Apenas duas instituições brasileiras recebeream certificado, uma do Paraná, o Centro Médico Comunitário Bairro Novo e uma do Ceará, Hospital Antonio Prudente.