08 de julho de 2026
Geral

Paciente recebe sete pontes de safena

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O paciente recebeu um número recorde de pontes de safena; a cirurgia é considerada de alto risco e grande porte

Um paciente diabético de 61 anos, A.C.S. (nome não fornecido pelo médico por motivos éticos), passou por uma cirurgia em que recebeu sete pontes de safena e uma ponte de mamária, um número considerado recorde em Bauru. A cirurgia, que durou sete horas, aconteceu no Hospital de Base, na semana retrasada, e o paciente encontra-se em bom estado de recuperação, de acordo com o médico cardiologista Henrique Furtado.

A cirurgia de revascularização miocárdica é considerada de alto risco e de grande porte, de acordo com Furtado. O número médio é de 3,2 pontes por paciente, afirma.

O paciente sofria de insuficiência coronariana e apresentava lesões em praticamente todas as artérias do coração, de acordo com Furtado. Na cirurgia, notamos que oito das artérias do coração poderiam ser tratadas. Ele recebeu quatro pontes nos ramos da coronária direita e quatro nos da coronária esquerda, disse.

A insuficiência coronariana - doença que caracteriza-se pelo acúmulo de gordura nas paredes das artérias, impedindo a passagem do sangue que é levado ao coração - é a doença mais comum e a primeira causa de morte no mundo todo, de acordo com Furtado. No Brasil, 60% dos atestados de óbito têm como causa o enfarto do miocárdio - o estágio final da doença.

O paciente A.C.S. sofreu uma revascularização completa, já que todas as suas artérias do coração sofreram intervenção cirúrgica. A cirurgia foi um sucesso absoluto. Eu sou adepto da revascularização completa, já que quanto mais alterações forem corrigidas, melhor será o resultado, opina o cardiologista.

O paciente permaneceu dois dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) sem sangramentos nem outras complicações. A recuperação está ocorrendo sem complicações.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco que podem levar à insuficiência coronariana são o hábito de fumar, a hipertensão arterial e as alterações dos lipídios no sangue (colesterol e triglicérides, que deriva dos açúcares). Além desses, o diabetes, a vida sedentária e o estresse são outros fatores que podem aumentar o risco da doença.

O fumo provoca espasmos nas artérias coronárias e lesão no interior dos vasos, devido à grande quantidade de metais pesados que a fumaça contém - carvão, zinco e cádmio, entre outros - e aos resíduos de venenos utilizados no cultivo do fumo, expõe o médico.

O nível de colesterol do sangue aumenta com a ingestão de alimentos gordurosos, como queijos amarelos, leite gordo e gorduras que ficam sólidas à temperatura ambiente.

Já os triglicérides, aumentam com a ingestão de açúcares, como pães, massas, doces e alimentos à base de farinha.

Entenda a ponte de safena

A ponte de safena é implantada quando o paciente apresenta lesão em artéria coronária que impede que o sangue saia da aorta e chegue ao músculo cardíaco, levando oxigênio e nutrientes, o que caracteriza a insuficiência coronariana.

Quando as placas de gordura obstruem mais de 70% do diâmetro do vaso, a cirurgia de ponte de safena é recomendada, devido ao risco de enfarto do miocárdio. No procedimento, um segmento de uma veia safena é retirado da perna do paciente e é ligado à aorta e à artéria coronária, após a lesão, constituindo uma ponte que conduz o sangue de forma que ele não passe pelo local obstruído. Assim, o sangue pode fluir normalmente para os ramos coronarianos.

No caso da ponte de mamária, o procedimento difere-se pela utilização de uma artéria da região do tórax, em vez de uma veia da perna do paciente.

Os principais fatores de risco são o fumo, a hipertensão arterial, as alterações dos lipídios do sangue (colesterol e triglicérides), o diabetes melitus, a vida sedentária e o estresse.