09 de julho de 2026
Geral

Economistas não indicam comprar dólar no momento

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

A atual instabilidade que tem assombrado as bolsas de valores do mundo todo, a crise argentina e as constantes elevações do dólar têm atormentado os pequenos investidores brasileiros, que ficam inseguros em relação ao destino das suas aplicações. Na análise do economista Wagner Ismanhoto, o momento não é indicado para comprar dólar. A cotação do dólar está no pico. Quem está pensando em comprar, deve aguardar. Quem acha que, comprando agora e esperando um pouco para vender, ganhará mais, pode cair do cavalo, observa.

De acordo com Ismanhoto, todas as vezes que esse cenário de instabilidade se instala, abalando, principalmente, a entrada de capital no País e fazendo com que a Bolsa deixe de ser atrativa, as pessoas procuram por uma saída considerada menos arriscada para investir. Nessa hora, muitos optam pelo dólar. Mas, o momento é de cautela. Na opinião do economista, a moeda norte-americana não deve subir mais. A tendência, daqui em diante, é de queda, já que o patamar atual seria insustentável.

Eu não acho que o dólar tende a subir, pelo contrário. A partir do momento em que a economia mundial começar a se assentar, a tendência do dólar é de recuar. Não será possível voltar à margem de R$ 1,97, como há um mês. Mas, certamente não continuará nesse patamar, que é irreal. Então, quem está procurando dólar para comprar agora e deixar para vender daqui a um mês com o objetivo de ganhar dinheiro, pode se dar mal, analisa Ismanhoto.

O fato dele considerar que o atual patamar do dólar deve recuar, não o faz esquecer de que, há cerca de duas semanas, os economistas diziam que não teriam novas altas. A base de sua análise seria a lógica de mercado. Está certo que, há duas semanas, os economistas já diziam que o dólar não iria subir mais, por já ter atingido a marca de R$ 2,20. No entanto, chegou a R$ 2,35 no paralelo. Mas, pela lógica, não existem condições econômicas que possam gerar novas altas do dólar, a não ser as especulações em função da crise da Argentina. Então, do meu ponto de vista de investidor, eu não compraria dólar agora, nem pagando R$ 2,30, diz o economista.

Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) e economista Reinaldo César Cafeo, o momento também é de aguardar, já que a crise da Argentina não deve durar muito mais. O momento para os investidores é de paciência. A crise argentina não vai durar eternamente e o dólar não deve passar do atual patamar, porque já estamos no limite. Para se ter uma idéia, uma cotação equilibrada deixa o dólar a R$ 2,10, no máximo R$ 2,15. Não existe razão para um câmbio tão elevado, analisa.

De acordo com o economista, a cotação está muito alta porque existem poucas pessoas comercializando dólar no mercado e muitos compradores. Para entender melhor, basta citar a situação ocorrida na semana passada. A declaração do senador Arruda, fazendo a sua confissão de culpa, foi suficiente para melhorar o pregão, porque mesmo com o dólar em alta, a Bolsa se elevou. Ou seja, trata-se de um mercado que está esperando por boas notícias. A primeira boa notícia que vier da Argentina, vai contaminar positivamente o nosso mercado, avalia.

Para quem está pensando em comprar dólar agora como investimento, Cafeo também desaconselha. Segundo ele, o que está bom, no momento, são as aplicações financeiras em juros, que estão rendendo mais. Em primeiro lugar, a dica mais importante aos investidores é não mudar muito de posição. Quem ficar inseguro agora, querendo proteger o seu ativo em dólar, vai acabar pagando uma cotação super avaliada. Mais para frente, com a acomodação do mercado, essa pessoa perderá dinheiro, orienta.

Para Cafeo, os pequenos investidores devem continuar apostando na caderneta de poupança, que acompanha os rendimentos do CDB. O pequeno investidor que não tiver condições de alçar vôos maiores, deve continuar na caderneta de poupança. Quem tem um pouco mais de dinheiro para aplicar, pode investir nos fundos chamados D.I., que é o depósito interbancário. Trata-se de um fundo que é reavaliado todos os dias em função da taxa de juros praticadas entre os bancos. Portanto, consegue captar toda essa sensibilidade de variação de juros no mercado futuro e garante um bom rendimento. Qualquer coisa fora disso, significará um ato de loucura. O momento é de ter os pés no chão, destaca o economista.

Viagem ao Exterior

As recentes e constantes elevações do dólar estão ocasionando reflexos negativos para as agências de viagens, que estão amargando quedas nas vendas de pacotes internacionais. Em uma empresa consultada, o agente de turismo Guilherme Bueno Cardoso diz que já está sendo registrada uma queda de 20% a 30% nas viagens ao exterior comercializadas na agência, em comparação com o mesmo período do ano passado.

As companhias aéreas estão investindo em promoções para atrair os turistas. Mas, quem está viajando para fora, no momento, são pessoas que realmente necessitam, geralmente em função de negócios. Quem está viajando a lazer está preferindo roteiros nacionais, afirma.

Atualmente, segundo Cardoso, a maioria das viagens para o Exterior tem como destino os Estados Unidos, Portugal e França.

Em outra agência de viagens, a coordenadora de atendimento Mara Cristina Francisco também diz que as vendas de pacotes internacionais caíram muito. Apesar de não ser época de temporada, houve uma queda grande na procura por viagens ao exterior. Quem realmente quer viajar para fora, a lazer, tem enfrentado a alta do dólar. Mas, são poucos. São pessoas de um alto poder aquisitivo. No geral, as pessoas estão mudando o destino e optando por viagens nacionais, que estão superando as internacionais, observa.