Por ocasião do 7.º Dia do falecimento do Padre Lima, gostaria de externar, através desta Tribuna, meus agradecimentos aos leigos da Paróquia Santa Luzia, de Bauru, que com muito amor, dedicação, sacrifício e generosidade, cuidaram do querido colega no Sacerdócio, o já saudoso Pe. Antonio Jorge Lima. Pude presenciar a solidariedade estampada nos rostos dos samaritanos e samaritanas que ficaram até o último segundo, ao lado do Padre Lima. Era um ficar esperançoso, pois mesmo diante da gravidade da doença, havia esperança de cura. Passados alguns meses, diante da morte que já era inevitável, também havia esperança e disposição ainda maior em servir com amor e por amor. Conclusão: padre Lima morreu com dignidade.
A ética cristã diz que a vida deve ser respeitada, seja qual for a situação em que ela se encontra. A eficiência, porém, tornou-se o novo paradigma nas relações humanas. O homem moderno, como conseqüência, é considerado de forma reducionista, isto é, avaliado a partir daquilo que tem e que pode realizar, e não a partir daquilo que é. A hegemonia do ser é substituída pela do fazer e do ter. Nesse sentido, a vida humana, a partir do paradigma eficientista, é avaliada, a partir do agir eficiente. O valor da vida humana é calculado segundo o bem-estar físico e segundo a eficiência e a capacidade produtiva. Se esse é o novo paradigma, como explicar o carinho e o amor de um povo para com um doente em fase terminal? Eis aqui o grande sinal de vida, sinal pascal para cada um de nós.
As lideranças da Paróquia Santa Luzia, numa reunião com o nosso administrador diocesano - monsenhor Enedir - pronunciaram a seguinte afirmação: Nós temos padre. Padre Lima era amado por aquilo que era e não somente por aquilo que fazia. Mesmo na cama, em estado terminal, o povo sentia que tinha pastor e que o pastor não podia mais oferecer trabalho, celebrar Missa, visitar doentes, mas podia oferecer seu sacrifício a Deus, pois todo sacrifício, associado à Cruz de Cristo, torna-se também redentor. Conclusão: os leigos e leigas da Paróquia Santa Luzia romperam com o paradigma eficientista e afirmaram o ser e não o fazer. É curioso que, enquanto este sinal de vida acontecia, a Holanda aprovava, no início de abril, uma lei que legaliza a prática da eutanásia.
De um lado, a cultura da vida; do outro, a cultura da morte. No caso do padre Lima, prevaleceu a cultura da vida. Por isso, ele morreu com dignidade, pois enfrentou o sacrifício com fé e coragem, cercado de carinho e amor.
Que o testemunho cristão do padre Lima e dos leigos e leigas da Paróquia Santa Luzia, de Bauru, nos sirva de exemplo. Eles nadaram contra a correnteza. Que possamos, portanto, afirmar a vida, sua inviolabilidade e sacralidade, seja qual for a situação em que ela se encontre.
Querida comunidade de Santa Luzia, muito obrigado pelo testemunho de vida cristã e pelo sinal de ressurreição dados a cada um de nós, neste Tempo Pascal. (Padre Luiz Antonio Lopes Ricci - RG. 15.245.718)