08 de julho de 2026
Geral

Médicos têm dificuldades no diagnóstico

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 7 min

A fibromialgia por ser uma doença com vários sintomas, dificulta do diagnóstico correto por parte do médico

Dores generalizadas que dificultam caminhar ou subir escadas, fadiga incapacitante, alterações no intestino e noites mal dormidas são alguns dos sintomas da fibromialgia que é quase sempre mal diagnosticada. Os tratamentos disponíveis podem reduzir o problema e até mesmo auxiliar na covivência com a dor, desde que o paciente tenha disciplina e determinação.

Fibromialgia, às vezes também chamada de fibrosite, é uma doença bastante comum, associada à dor difusa e generalizada, rigidez e cansaço, do corpo todo.

De acordo com o médico reumatologista, Herbert Newton Campos Moreira, algumas pessoas apresentam como sintoma um tipo de dor no corpo. Na a maioria das vezes, sentem a dor espalhada pelo corpo todo. Normalmente o paciente se queixa de que doe o corpo todo, disse. Essa forma de dor generalizada traz dificuldades para o paciente comunicar ao médico o que realmente sente e também dificuldades para o médico fazer o diagnóstico. Muitas vezes, o diagnóstico é errado e, portanto, o paciente se submete a algum tipo de tratamento que não seja o indicado para a fibromialgia e, por não sentir melhoras, maximiza o quadro doentio evoluindo para outras doenças como depressão e estresse.

A falta de informação causa dúvidas sobre como encarar a doença. É muito importante que o médico que está atendendo o paciente com fibromialgia conheça outros casos para saber bem como oferecer ajuda ao doente.

Sem estatísticas oficiais, os números se limitam aos atendimentos em consultórios de reumatologistas. As queixas de dores músculo-esqueléticas representam 26% de todas as consultas feitas, e mais da metade desse percentual preenche os critérios para a doença na faixa dos 9 anos aos 15 anos.

A freqüências de acontecimento em adultos entre 30 anos e 60 anos chega a 8% nos consultórios de clínica geral e até 15% nos reumatológicos. Outras estatísticas apontam a incidência de fibromialgia (ou fibrosite) de 4% a 15% da população. As mulheres são fortemente mais afetadas que os homens, na proporção de um homem para cada nove mulheres.

Causas

Moreira explicou que até agora não se descobriu uma causa específica para a fibromialgia. Vários autores têm levantado variadas prováveis causas e, entre elas, as seguintes:

1. sono de má qualidade;

2. falta de condicionamento físico (vida sedentária);

3. estresse (físico ou emocional)

4. algumas doenças crônicas

5. depressão

Alguns desses fatores, normalmente associados a outros como, por exemplo, distúrbios do sono, pouca auto-estima, personalidade obsessiva podem fazer com que as pessoas se tornem mais predispostas a sintomas da fibromialgia. Contudo, embora alguns não considerem a fibromialgia um distúrbio psiquiátrico, ela está solidamente incluída no capítulo das doenças psicossomáticas.

Portanto, a causa da fibromialgia é desconhecida, mas parece haver um vínculo com a regulação de determinadas substâncias do sistema nervoso central, como por exemplo a serotonina e a noradrenalina (ambos neurotransmissores também envolvidos com a depressão emocional) e/ou uma alteração do padrão de sono REM (sono profundo). Outros fatores que certamente parecem contribuir com o desenvolvimento ou manutenção da fibromialgia são: estresse psicológico, doenças imunológicas ou endocrinológicas.

Exames e diagnóstico

Não há alteração laboratorial indicativa de fibromialgia. Isso quer dizer que os exames de laboratório, de raios X e ultra-som não ajudam para que o médico possa tirar suas conclusões. Moreira disse que o diagnóstico é clínico e feito com base na história e exame do paciente, baseia-se nas evidências clínicas e na exclusão de outros problemas que poderiam se apresentar de forma semelhante.

Entretanto, o diagnóstico clínico também é complicado. Não há padrões definidos de apresentação da fibromialgia.

A paciente chega no meu consultório e em cinco minutos de conversa eu já sei que ela tem fibromialgia. Como conheço vários casos e já li muito sobre o assunto, para mim, é fácil diagnosticar, explicou Moreira.

Segundo o Colégio Americano de Reumatologia, a pessoa que sofre desse problema deverá apresentar:

1. dor difusa pelo corpo;

2. alguns pontos sensíveis no corpo, normalmente em torno do pescoço, cotovelos, joelhos e nas bordas das escápulas;

3. sensibilidade aumentada à pequena pressão sobre essas áreas, chamadas de pontos de gatilho (tender points).

Alguns médicos argumentam que não há necessidade desses critérios e que qualquer pessoa com queixa de dores espalhadas pelo corpo e dores crônicas músculo-esqueléticas podem ter fibromialgia.

Muitos pacientes com fibromialgia não têm nenhuma outra doença subjacente, outros, entretanto, podem ter alguns problemas associados como artrite reumatóide, artrite da coluna vertebral, doença de Lyme, síndrome do cólon irritável, enxaquecas, etc.

Está baseado na descrição do paciente de uma dor difusa, com mais de três meses de duração, o achado dos pontos de gatilho (tender points) e distúrbio da qualidade de sono.

Portanto, para o diagnóstico, não existe nenhum teste laboratorial ou de imagem suficiente.

Algumas patologias devem ser consideradas no diagnóstico diferencial. Entre elas incluem-se o hipotiroidismo, Lúpus Eritematoso Sistêmico, artrite reumatóide, e infecções, as quais podem ser excluídas através de testes laboratoriais.

Tratamento

De um modo geral as orientações ao paciente portador de fibromialgia dizem respeito à reduzir situações provocadoras de estresse, evitar períodos prolongados de atividades desgastantes, tentar criar uma forma de alternar rotinas diárias de trabalho e de relaxamento.

Muitas pessoas com fibromialgia têm benefícios quando adotam prática de exercício físico de baixo impacto e exercícios aeróbicos acompanhados de alongamentos e busca de boa postura.

Combinar sessões de acupuntura com exercícios específicos recomendados pelo médico pode ser uma boa base do tratamento. A acupuntura, através do estímulo dos terminais nervosos, determina o aumento da produção de serotonina e endorfina no sistema nervoso central, age como forte analgésico a partir de sua ação no sistema supressor da dor e ainda auxilia no controle emocional através de seus efeitos anti-depressivo e ansiolítico, possibilitando a regularização do sono e a diminuição da fadiga.

Como em quase todas as doenças, é importante que o paciente promova significativas mudanças em suas atitudes. Exigir-se demais, com perfeccionismo e detalhismo no dia-a-dia, só pode atrapalhar a recuperação. Sair do emprego ou reduzir atividades cotidianas é um outro erro freqüente. Por outro lado, em casos mais graves é necessário o uso de medicamentos auxiliares ao tratamento.

Transtorno Psiquiátrico

Pesquisadores da Universidade de Georgetown, Washington, C.C. conduziram uma investigação em quatro centros de saúde norte-americanos para determinar se havia de fato uma comorbidade psiquiátrica nos pacientes com síndrome de fibromialgia (SFM). Foram avaliados 73 pacientes com entrevista clínica e entre os pacientes com SFM foi encontrada uma alta prevalência de depressão e sintomas sugestivos de Doença do Pânico. Os transtornos emocionais mais comuns foram:

1. Depressão = 22%

2. Distimia = 10%

3. Fobia = 12%

4. Pânico = 7%

Os níveis de depressão e ansiedade parecem ser uma comorbidade importante do paciente com fibromialgia.

Medicamentos

Doses moderadas de aspirina, de acetaminofen podem ajudar a aliviar os sintomas. Às vezes o médico poderá prescrever outros medicamentos que podem propiciar sono profundo e de melhor qualidade. Esse recurso pode ser benéfico para algumas pessoas.

Muitas pessoas têm benefícios quando recebem massagens relaxantes, banhos quentes e outras técnicas como da yoga, shiatsu, etc.

Não há uma cura específica para fibromialgia. No entanto, Moreira afirmou que pode ser dito que se trata de uma condição extremamente benigna, do ponto de vista que não provoca nenhuma lesão mais séria, apesar das dores serem muitas vezes intensas. Essa doença não deforma e nem vai desencadear nenhuma outra doença, disse.

Os antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina e a ciclobenzaprina, são os mais indicados medicamentos para a fibromialgia, normalmente sendo usados em baixas doses. Esses medicamentos aumentam a concentração dos neurotransmissores envolvidos na doença (serotonina e noradrenalina), além de melhorar a qualidade de sono e melhorar o relaxamento muscular. Outros medicamentos como, hipnóticos, ansiolíticos e outros antidepressivos podem ser utilizados como coadjuvantes, ou quando os antidepressivos tricíclicos são contra-indicados.