08 de julho de 2026
Geral

O ano internacional do voluntário

(*) Prof. Dr. Valmor Bolan
| Tempo de leitura: 3 min

O voluntariado se tornou a nova causa mundial. A ONU declarou 2001 como o Ano Internacional do Voluntário, procurando estimular a prática da solidariedade numa época de forte individualismo e ceticismo generalizado.

Para Henri Valot coordenador da equipe da ONU a imagem caduca e caritativa do voluntário está sendo substituída por uma militância realizada por convicções pessoais e éticas.

No entanto, ser voluntário nos dias de hoje não é tarefa fácil. Vivemos impregnados pela cultura individualista, além do hedonismo fazer as pessoas priorizarem atividades que lhes dêem satisfação física, evitando aborrecimentos, especialmente quando elas não podem tirar vantagens materiais daquilo que fazem.

A lógica utilitária, portanto, colocou em crise o conceito de solidariedade. Daí porque a ONU busca incentivar os trabalhos voluntários, como forma de combater o egoísmo cada vez mais crescente nas sociedades do mundo inteiro.

Frei Betto, em artigo no jornal O Estado de São Paulo, 18.04.010, esclarece que é equivocada a idéia de que voluntários são pessoas que não precisam de trabalho remunerado, pois dispõem de renda.

A maioria dos que conheço são pessoas pobres e remediadas que, além de seus trabalhos profissionais, dedicam tempo a obras assistênciais ou movimentos sociais. (...) A dificuldade de obter voluntários é maior na classe alta, que, objetivamente, dispõe de tempo e recursos para ajudar aos mais carentes. É como se a educação para o egoísmo, em função da preservação do patrimônio, prevalecesse sobre a educação para o altruísmo. Frei Betto ainda define o trabalho voluntário como sinônimo cívico de amor ao próximo.

Há também muitos outros fatores concretos do dia-a-dia que dificultam as pessoas de se dedicarem mais a atividades voluntárias, principalmente, os jovens e adultos que precisam dar duro pela sobrevivência, muitas vezes, trabalhando em dois ou mais trabalhos, fazendo bicos, aqui e ali, para complementarem a renda, pagarem os estudos, ajudarem os pais e os filhos, algum doente em família.

Estas situações criam grandes obstáculos para uma ação voluntária mais regular e constante, porém, mesmo diante da complexidade dos problemas atuais, ainda vemos muita gente capaz de tirar uma hora do seu lazer para visitar doentes, doar seu tempo em instituições sociais, culturais e religiosas, apenas pelo amor do próximo, querendo fazer alguma coisa, por mais simples que seja, para trazer alegria a alguém.

Tudo vale a pena se a alma não é pequena, recordou Fernando Pessoa em um dos seus poemas. O voluntário é hoje uma exigência de quem realmente quer uma ética a serviço da vida. E uma urgência para aqueles que sabem que só o amor é capaz de assegurar o verdadeiro bem aos milhões de necessitados existentes no mundo.

O próprio apóstolo São Paulo dizia que fazer o bem não cansa. Porque dá alegria e felicidade não apenas em quem recebe amor, mas em quem também o oferece.

Façamos sentir nossa humanidade aos enfermos em sua fraqueza, aos exilados em suas provações, aos órfãos em seu abandono, às viúvas desoladas em sua tristeza: prestando esta ajuda, nenhuma pessoa deixará de se tranqüilizar com alguma porção de benevolência. diz S. Leão Magno (séc. V a. C.)

(*)Valmor Bolan doutor em Sociologia. Diretorsecretário da Sociedade Educacional Sulsancaetanense (Soesc), Rua Amazonas, 2000 Bairro Oswaldo Cruz, São Caetano do Sul, SP, CEP 09540-203 Fone: (11) 291-2355 r. 282 - E-mail: valmorbolan@uol.com.br