09 de julho de 2026
Geral

Culinária caseira gera negócios lucrativos

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 6 min

O mercado de alimentação tem casos de sucesso que surgiram de histórias de vida interessantes, como a de um metalúrgico que se torna um exímio criador de massas e recheios para salgadinhos e a de uma família que, apenas quatro meses após ter investido no ramo de marmitas, conseguiu abrir um negócio próprio. O talento para trabalhar nessa área pode ser um antigo conhecido que ficou reprimido durante muito tempo ou uma dádiva que surge no momento certo.

Bauru é palco de diversos casos assim, que começaram inusitadamente ou timidamente e que acabaram se transformando em empresas de sucesso e fama local, às vezes até ultrapassando os limites municipais. Há aproximadamente 25 anos, Pedro Petenusse Neto, hoje com 66 anos de idade, trabalhava como metalúrgico e nem pensava em se dar bem dentro de uma cozinha. A esposa, Chirley de Oliveira Petenusse, começou a fazer salgadinhos em casa para vender com o objetivo de engordar o orçamento familiar.

Com o tempo, aqueles salgados caseiros começaram a ganhar fama pelo sabor e qualidade e o experiente metalúrgico decidiu ajudar a esposa para aumentar a produção. Naquela época, as encomendas já eram muitas e o casal começou a modificar e sofisticar as receitas e ampliar a variedade de salgados oferecidos à clientela, que crescia gradativamente. Quando Petenusse Neto se aposentou, passou a se dedicar exclusivamente à produção familiar de salgados.

A fama dos produtos feitos pelo casal cresceu muito, até que, em 1990, eles abriam a primeira e modesta sede de uma micro-empresa, nos Altos da Cidade. Meus pais passaram cerca de 12 anos fazendo os salgados em casa, até que chegou numa fase em que a produção aumentou tanto que a casa ficou pequena para dar conta de todas aquelas encomendas de salgados e de doces também. Foi aí que o meu irmão, Valmir, teve a idéia de abrir uma empresa em sociedade com o meu pai, em 1990, conta Cláudio de Oliveira Petenusse, o outro filho de Pedro e Chirley, que agora está à frente da empresa.

Em pouco tempo, a pequena sala à qual se limitava a micro-empresa precisou ser ampliada, ocupando o imóvel ao lado. Em pouco tempo, o negócio cresceu tanto que Cláudio precisou largar o emprego que tinha em Jaú, na época, para ajudar a administrar a empresa da família. Atualmente, ele divide a sociedade com o pai e o irmão. Naquele local, a empresa permaneceu durante dez anos, sempre tendo como carro-chefe as encomendas. Segundo Cláudio, a proporção era de 80% de encomendas contra os restantes 20% de vendas no balcão.

Em março deste ano, mais uma vitória foi conquistada pela família Petenusse com a mudança de local da empresa. Num imóvel bem mais amplo, situado na rua Machado de Assis, ganhou decoração moderna, pinturas especiais nas paredes, sala vip e estacionamento para os clientes.

A tradição da culinária de Pedro Petenusse Neto foi passada aos filhos, que atualmente formam a linha de frente da empresa. Meu pai fica aqui todos os dias, comandando os trabalhos na cozinha e fazendo as massas, que é o que ele adora fazer. Mas, tudo o que ele sabe, ensinou a mim e ao meu irmão e nós damos continuidade ao trabalho que consagrou a empresa em Bauru, oferecendo mais de 20 tipos de salgados e mais de 20 tipos de doces, diz Cláudio Petenusse.

Restaurante e marmitaria começouhá quatro anos

Um outro caso de sucesso empresarial que surgiu do trabalho iniciado dentro dos limites da própria casa é o da família de Regina Célia Gomes dos Reis, 38 anos, o marido Renato Gomes dos Reis, 45 anos, e os filhos Rafael, de 17, Rodrigo, de 16, e Renan, de 11 anos. Segundo conta a matriarca da família, em 1996 ela e o marido começaram a fazer salgadinhos e tortas em casa para vender sob encomenda. Permaneceram assim durante quase quatro anos até que, há um ano, quando as encomendas já atingiam grande volume, eles decidiram investir na venda de marmitas e marmitex.

Como eles já tinham se tornado conhecidos pelo trabalho com os salgados e tortas, a nova aposta do casal decolou em pouco tempo, mas tão pouco, que quatro meses depois eles abriram a nova empresa. No local, eles continuam servindo marmitas e marmitex e ainda oferecem almoço self-service por quilo, de segunda a sexta-feira. Com a ajuda dos filhos, Regina e Renato estão plenamente satisfeitos com o retorno que o pequeno negócio, no qual investiram tudo, está dando.

De acordo com Regina, a intenção é de que o restaurante e marmitaria prospere para que seja passado para os filhos, futuramente. Nossos dois filhos mais velhos estavam querendo arrumar um trabalho para terem o próprio dinheiro. Mas, na idade deles é muito difícil conseguir alguma coisa. Quando eu e meu marido contamos sobre a idéia de abrir um negócio próprio, eles adoraram, mesmo porque, já nos ajudavam em casa. Agora, o nosso objetivo é deixar a marmitaria e restaurante para eles, conta Regina. Para comprovar o sucesso da empreitada familiar, basta ver o crescimento do faturamento mensal da empresa. Nos primeiros meses, o rendimento girava em torno de R$ 700,00 a R$ 800,00. Atualmente, esse número passou a oscilar entre R$ R$ 1,8 mil e R$ 2 mil por mês, segundo o casal. Nós nem esperávamos um aumento assim em tão pouco tempo, comemora Regina.

Doceria surgiu de um trabalho caseiro

A maioria das pessoas que freqüenta a doceria de Ana Serrano Vieira não imagina que a semente do sucesso dessa empresa foi plantada há 30 anos. Em 1971, Ana Serrano Vieira, hoje com 74 anos de idade, começou a fazer bolos em sua casa e a vender por encomenda. Com o tempo, seu trabalho foi se tornando famoso e, a divulgação popular, amplamente conhecida como boca a boca, se encarregou de gerar um grandioso aumento da quantidade de encomendas, segundo conta o filho de Ana, Silvio Serrano, 41 anos.

A propaganda boca a boca tratou de divulgar os bolos que a minha fazia e ela acabou conquistando uma clientela bem grande. Chegou um momento em que precisou chamar duas irmãs para ajudá-la, porque ela não estava mais dando conta de toda a produção. A clientela cresceu tanto que essas minhas duas tias acabaram pegando uma parte dos fregueses e, até hoje, elas trabalham com encomenda de bolos. Em 1990, quando veio toda aquela crise do governo Collor, eu e um dos meus irmãos, Carlos, decidimos propor à minha mãe abrir um negócio próprio. Ela concordou e nós inauguramos a doceria, que ficava na rua Capitão Gomes Duarte, conta.

Silvio Serrano diz que o início foi difícil, justamente pela época em que a doceria foi inaugurada. A maioria das pessoas estava com problemas financeiros naquela época, até mesmo em função daquela história do bloqueio da caderneta de poupança. Então, o começo foi difícil, mas o trabalho em família venceu as barreiras e a qualidade dos nossos produtos foi conquistando as pessoas, lembra.

Naquele local a doceria permaneceu até meados de 1997, quando os resultados obtidos com a empresa possibilitaram a mudança para um imóvel bem maior, localizado em área nobre da cidade, na avenida Getúlio Vargas. Na antida unidade, cerca de oito pessoas compunham o quadro de funcionários da empresa. Atualmente, aproximadamente 20 pessoas integram a equipe, entre atendimento, cozinheiros e setor de produção.

De acordo com Sílvio Serrano, entre bolos e tortas salgadas e doces a doceria comercializa, atualmente, cerca de 1,5 toneladas por mês. O crescimento do negócio também gerou a abertura de uma unidade franqueada no Bauru Shopping e de outras duas lojas, também franqueadas, em São José do Rio Preto, que são administradas por outro filho de Ana Serrano Vieira.