09 de julho de 2026
Geral

Obesidade faz escola alterar cardápio

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Objetivo é evitar a obesidade desde a infância e também criar novos hábitos melhorando a alimentação dos alunos

Salgadinhos, refrigerantes e hambúrgueres em cantinas escolares continuam sendo grandes preocupações dos profissionais médicos ligados à área infantil, atentos à grande incidência da doença em crianças. Algumas escolas, em Bauru, fizeram alterações nos cardápios oferecidos aos alunos com o objetivo de melhorar os hábitos alimentares dos estudantes visando, inclusive, evitar problemas como a obesidade infantil.

A obesidade é definida como excesso de gordura corporal, um desequilíbrio entre a formação e a destruição das células adiposas. De acordo com a pediatra e gastroenterologista pediátrica Nabia Aparecida Sabbag, a doença pode ter causas externas - como sedentarismo - e internas - caso dos fatores genéticos.

No entanto, a especialista afirma que 95% dos casos de obesidade infantil são causados por fatores externos, que podem ser nutricionais, culturais, psicológicos e sócioeconômicos. Entre eles, os maus hábitos alimentares seriam os principais fatores de determinação da doença em crianças. As crianças devem comer bem, sem exagerar, e no horário certo, sem beliscar. Substituir refeições por lanches com maionese, mostarda etc é errado, afirma.

A nutricionista Silvia Regina Vieira Tosi acrescenta que alimentos como doces, refrigerantes, e fast foods devem ser evitados. Não é nunca comer; é controlar, comer apenas em festas, ocasiões diferentes. Infelizmente, a obesidade começa na fase infantil. Alguns estudos indicam que, em 2020, não haverá cardiologistas suficientes para tratar a obesidade, diz.

O lanche que as crianças levam para a escola, uma de suas refeições diárias, devem receber uma atenção especial por parte dos pais, de acordo com Silvia. O ideal é optar por uma fruta ou por um lanche proteico, de pão com presunto, observa.

A nutricionista acredita que o lanche que as crianças levam para a escola deveria ser padronizado. O lanche deveria ser padronizado para que o aluno que leva fruta de casa não queira a bolacha do outro, por exemplo. Outra opção seria substituir as cantinas por quitandas, já que o ideal é que a criança coma de duas a quatro frutas por dia, sugere.

As cantinas instaladas em escolas particulares são uma constante preocupação de pediatras e nutricionistas, já que muitas crianças deixam de levar alimentos de casa para comprar lanches, refrigerantes e salgadinhos na escola, de acordo com a pediatra Nabia. As escolas deveriam orientar os responsáveis pelas cantinas a vender sanduíches naturais, assados em vez de salgados fritos e frutas. Além disso, os salgadinhos de saquinhos podem ser substituídos por biscoito de polvilho e pipoca, disse.

No Colégio São Francisco de Assis, o cardápio oferecido pela cantina sofreu alterações em decorrência de sugestões feitas por professores e pais de alunos, com a preocupação de garantir bons hábitos alimentares às crianças inclusive na escola, onde passam grande parte do dia.

De acordo com Aparecida Fátima de Oliveira Meireles, coordenadora da cantina, os salgados fritos foram substituídos por assados, como esfihas, enroladinhos e pastelões. Além disso, balas e chicletes não são vendidos no estabelecimento. Os professores leram matérias sobre obesidade infantil e sugeriram as substituições. As crianças também gostaram. Esse foi um primeiro passo no combate à obesidade infantil, opina.

Além de bons hábitos alimentares, a prática de atividades físicas também é um fator importante no combate à obesidade infantil, de acordo com a nutricionista Silvia. A criança tem que brincar para queimar as calorias depositadas e para ter fome, afirma.

A obesidade infantil, quando não controlada, pode desencadear outros problemas de saúde como diabetes, problemas cardíacos, pressão alta, colesterol alto, problemas intestinais e psicológicos. Os profissionais da área médica orientam os pais para observar a alimentação da criança principalmente em caso de ganho de peso. A orientação periódica com médicos é importante para que o problema possa ser tratado o quanto antes. Os pais têm que se conscientizar de que a obesidade infantil é um problema de saúde, e não estético, alerta a pediatra Nabia.

Rede pública

A merenda escolar oferecida aos alunos do ensino fundamental da rede pública, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), é orientada por uma nutricionista e conta com um cardápio específico para cada faixa etária das crianças que atende, de acordo com Irene Sampaio Shiraishi, diretora do Departamento da Merenda Escolar de Bauru, órgão ligado à SME.

A merenda dos alunos do ensino fundamental tem 720 calorias e 22 gramas de proteína, uma orientação exigida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fnde), vinculado ao Ministério da Educação (MEC). O objetivo do programa é oferecer uma refeição com valor nutricional equivalente a 15 a 30% das recomendações diárias para o aluno, afirma Irene.

Como saber se a criança é obesa

Para saber se uma criança é obesa, basta fazer o cálculo do índice de massa corporal: a altura elevada ao quadrado e dividida pelo peso da criança resultará em um número chamado ponto de corte. Números até 24 não indicam obesidade. Se esse número ficar entre 25 e 29,9, a criança tem obesidade leve. Se o resultado for de 30 a 39,9, a obesidade é moderada. De 40 para cima, trata-se de obesidade severa.