08 de julho de 2026
Geral

Pesquisa mostra SUS à beira do caos

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Trabalho aponta que situação é de extrema gravidade e estabelecimentos sequer têm crédito para honrar compromissos

Os hospitais que prestam serviços para o Sistema Único de Saúde (SUS) necessitam, com urgência, de um reajuste na tabela de serviços prestados para o órgão governamental. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Hospitais que aponta uma situação extrema de dívidas desse tipo de estabelecimento, que sequer têm, na maioria dos casos, crédito junto a instituições financeiras para parcelar empréstimos e honrar compromissos. Para se ter uma idéia, pela tabela do SUS, uma consulta médica é remunerada com R$ 2,04, enquanto uma diária hospitalar é paga com R$ 3,85.

Para Joseph Saab, presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra o Hospital de Base, Maternidade Santa Izabel e Hospital Manoel de Abreu, a entidade bauruense ainda não chegou na situação extrema, mas aponta que, para que os hospitais saiam do sucofo, o reajuste na tabela deveria ser algo em torno de 30%.

Saab disse que a Associação Hospitalar deveria receber cerca de R$ 700 mil a mais pelos serviços que presta, se a tabela tivesse um reajuste. De acordo com ele, se não fosse o Governo do Estado ajudar, anualmente, a situação seria muito pior.

No mês passado, a AHB tinha a receber, de serviços prestados a pacientes do SUS, cerca de R$ 2,1 milhões. Desse valor foram glosados R$ 230 mil, por existirem pacientes homônimos em outros hospitais da rede. A cobrança será reapresentada, mas o pagamento só acaba chegando em mais 120 dias.

O presidente da AHB disse que a situação vivida pela entidade é semelhante a todos os hospitais que prestam serviços para o SUS. Ele lembra que, em geral, quando houve a criação do real, a conversão oficial foi de Cr$ 2,75 mil para cada R$ 1,00, enquanto que a tabela de conversão da saúde foi de Cr$ 3,225 mil para cada R$ 1,00, numa defasagem de 9,65%.

Para agravar a situação dos hospitais, segundo ele, o Governo Federal não reajusta a tabela de serviços prestados para o SUS desde 1994. Isso vem provocando problemas para todos os hospitais, não é apenas o de Bauru, afirmou.

Porém, Saab lembra que estão em situação mais confortável os hospitais ligados a faculdades de Medicina, como é o caso da Unesp de Botucatu e hospital da Unicamp, que recebem uma tabela diferencia, com um valor 70% maior.

Saab disse que a situação é muito difícil para os hospitais do SUS, já que a tabela paga R$ 3,85 por uma diária hospitalar, na qual são fornecidas, além do serviço de hotelaria, cinco refeições.

Dívidas

As dívidas da AHB, que trabalha com 75% de paciente do SUS, com fornecedores chega a R$ 4,5 milhões. Além disso, a entidade discute o pagamento do INSS patronal (o dos empregados, segundo Saab, está em dia). Há, ainda, uma dívida de quase R$ 5 milhões com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que está sendo proposto o parcelamento para que seja feito o pagamento.

Ao longo do Plano Real, segundo o presidente, os trabalhadores da AHB tiveram reajuste salarial de 84%, sem que houvesse reajuste da tabela. Saab reclama, ainda, que o valor da energia elétrica, água, medicamentos, entre outras coisas, também tiveram reajuste, que só agregaram custos aos hospitais, que não tiveram o reajuste, agravando a situação do endividamento.