O mundo recebeu, através da mídia, a grata notícia de que Brasil e China estão acertando os ponteiros de seus relógios para virem a se encontrar num campo amplo de cooperação social e econômica. É inegável que ambos os países já têm relacionamentos seculares nesses terrenos. A história o registra constantemente. Mas não é o suficiente para suas necessidades, e, então, partem agora para uma aproximação mais íntima e extensa, o que ocorre, exatamente, no instante em que a China e os Estados Unidos suavizam as sequelas da grave crise diplomática em que há pouco se envolveram em decorrência do conflito aeronáutico. Tudo parece já contornado e põe à tona a verdade axiomática de que como não há bem que sempre dure não há também mal que não tenha fim. O que parecia insolúvel, com ambos os países quase se engalfinhando irremediavelmente num confronto bem perigoso, deixa de sê-lo agora, quando a boa vontade e o espírito pacifista acoroçoam-lhes o irrequieto costado, curando suas cicatrizes. E aí está a legendária China aproveitando a renascente calmaria para se sentar com o Brasil num mesmo banco de negociações, jurando de mãos postas parceria num programa de irrestrito relacionamento social e comercial. Vai a poderosa dupla realizar conjuntamente tarefas visando desenvolver sua economia, enriquecer seus povos e fortalecer seus países. Isso é muito bom, esplêndido até, sendo de destacar, na oportunidade, o harmônico pensamento do presidente chinês, Jian Zemin, opinando sinceramente que sua amada terra, ao lado do Brasil, compartilha da mesma responsabilidade histórica e da boa base de cooperação agora estabelecida no que diz respeito à manutenção da paz mundial e à promoção do progresso conjunto. E, então, o que resulta, de imediato, das palavras do chefe chinês para nós outros do Hemisfério Sul e que já vamos conseguir negociar com seu país reduções de tarifas muito importantes para exportação de nossos produtos, entre os quais café solúvel, soja e suco de laranja, pois o mercado chinês abre-se, assim, fraternalmente, para nosso comércio e indústria uma gama de acesso bastante prometedora, fadada, dessa forma, a imprimir com cores mais vivas o papel de destaque que já ostenta no trato de assuntos regionais e internacionais. Aplauda-se isso, pois o panorama decorrente leva à conclusão de que a divergência China-Estados Unidos, que parecia belicosa, repete, muito bem, a história segundo a qual pode acontecer, às vezes, que, numa contenda de dois, a vitória tende a pender para um terceiro, no caso o Brasil que vai poder permutar exportações e trocar experiências técnicas com gente que, na verdade, tem muito para ajudar o progresso dos outros e vice-versa. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC.