08 de julho de 2026
Geral

A memória viva de Judeu

Isolina Bresolin Vianna
| Tempo de leitura: 1 min

No dia 8 de maio de 1705, nascia, no Rio de Janeiro, Antônio José da Silva, o Judeu, um dos maiores dramaturgos do século 18, cujas peças no Teatro Bairro Alto, de Lisboa, atraíram, durante cinco anos, uma platéia fiel, composta por um público bem eclético, que ia da plebe à corte, onde o rei e o povo sempre o aplaudiam vigorosamente. Na apresentação dessas peças, ele sempre comparecia no palco e antes de levantar as cortinas, declamava o acróstico (leia abaixo), que ele mesmo fez, em homenagem ao público que ele amava. Queimado pela Inquisição em 18 de outubro de 1739, aos 34 anos, em pleno sucesso.

Amigo senhor prudenteNão crítico rigoroso,Te desejo, mas piedosoOs meus defeitos consente;Nome não busco excelenteInsigne entre os escritores;Os aplausos inferiores

Julgo ao meu plectro bastante,Os encômios relevantesSão para engenhos maioresEsta cômica harmoniaPassatempo é douto e grave,Honesta, alegre e suave,

Divertida a melodia;Apolo que ilustra o dia,

Soberano me reparteIdéias, facúndia e arte,Leitor, para divertir-te,Vontade para servir-te,Afeto para agradar-te.

(*) Isolina Bresolin Vianna é autora do livro Masmorras da Inquisição e membro da Academia Bauruense de Letras, cadeira 12.

Especial para o JC Cultura *