08 de julho de 2026
Geral

Isto é uma revolução!

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 3 min

Reconheça-se que já não são unicamente as pessoas, de ambos os sexos ou mesmo de sexo dúbio, que hoje em dia necessitam de se documentar devidamente para se movimentar nas cidades, devendo ter nos bolsos algum cartão, simples ou plastificado, tipo dos que a avançada era da Internet ou sucedânea andou inventando e disseminando abertamente pelo mundo afora. Diga-se, então, que, um dia, quem pensou que as documentações acabariam ficando só no rol ou no âmbito dos diversos seres humanos enganou-se algo redondamente. E, se quiser, já pode até morrer plenamente desenganado, com direito a urna de 1ª, porque precisa se convencer de que nada está acontecendo de tudo que as pessoas verdadeiramente esperavam, uma vez que pelo menos no caso específico da necessidade da documentação começa a ocorrer, bem pertinho de nós, uma grande novidade ou uma sensacional inovação de se tirar solenemente o chapéu e se curvar diante de algo realmente surpreendente. Querem os leitores saber do que se trata? Contaremos sem delongas para satisfazer depressinha à saciedade dos curiosos em geral. Trata-se da nascente idéia de se instituir, nada mais nada menos, que uma Cédula de Identidade Oficial - fornecida pelos poderes públicos - exclusiva para animais domésticos, como gatos e cachorros, obrigatoriamente. É a famosa RG, hoje indefectível na vida de homens e mulheres - adultos e adolescentes - que passa a infestar também a vida de animais da casa da gente, agora com sigla acrescida de uma letra, qual seja RGA, representativa de Registro Geral de Animais.

A mídia paulistana está dando asas soltas ao invento, acrescentando que em São Paulo já se vai colocando-o em plena execução, porquanto os donos dessas belas espécies caninas e gatinas vão ser intimados a botar a Cédula nos pescoços das tais, tão peludinhos que encantam os olhos da gente, pois é bom saber que a RGA até que fica bonitinha dançando em baixo do queixo da irrequieta meninada, conforme constatação do público, nestes dias, através de reportagem aparecida na Televisão. Sorriam bastante os leitores, pois os distinguidos ficam realmente uma gracinha com a condecoração em si. Resta saber-se, agora, se a maioria dos pais dos interessantes animais, principalmente das periferias genéricas, teria dinheiro sobrando para as despesas de registro das figurinhas nos serviços policiais, para adquirir-lhes os necessários RGA, inseri-los nos conhecidos envelopes plásticos, atrelá-los onde preciso e, finalmente, impedir que se danifiquem nas brigas dos gangsteres nas esquinas e avenidas da Capital. Há tantos que não carregam nos bolsos moedinhas nem para colocar alimentos em suas cozinhas e, então, será que as possuiriam para essa nova responsabilidade, que parece regalia de gente rica ou abonada? Há que se duvidar. Ironicamente, já se prevê, por isso, que, não tendo condição para pendurar no próprio pescoço a documentação devida, milhares de animais vão acabar tendo de fazer curso de despistamento da fiscalização. Pode ser que a moda venha a pegar, mas é uma idéia revolucionária, sujeita a chuvas e trovoadas. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC.