08 de julho de 2026
Geral

55 ANOS DE BAURU

Carlos Sandrin
| Tempo de leitura: 2 min

Ao chegar nesta cidade sem limites, em 1 de maio de 1946, a impressão que se tinha era a de que, no futuro teríamos um povo bastante evoluído na educação, na sociedade e na família.

Contudo, essa impressão foi se degenerando, sabendo-se que naquele tempo, os moços iam para o cinema de ternos e gravatas e as moças, invejavelmente vestidas e ao saírem do Cine Bandeirantes e Cine Bauru, na rua 1.º de Agosto, nesses dois quarteirões eram interrompidos os trânsitos de veículos e os moços ficavam ao lado das calçadas e as moças passeavam dirigindo seus flerts e vice versa.

Do resultado dessa oportunidade, quando a moça se entrosava com um jovem, ao chegar em casa perguntava aos pais se podia enviá-lo e se lhe autorizava a namorá-lo estes lhes respondia: ele tem família? Ele trabalha? Não tem passagem na polícia? Da resposta é que surgia a autorização ou não.

Passado algum tempo de namoro, nesta cidade que se limitava aos bairros da Vila Falcão, V. Independência, V. Bela, V. B. Vista, V. Quággio, V. Seabra, V. Camargo, V. Antártica, Cardia e Alto da Cidade, assistia-se casamentos maravilhosos e os noivos, após a festa, despediam-se rumo à lua-de-mel.

Hoje tudo se modificou. A periferia foi crescendo com núcleos lá no meio do mato, levando o povo ao caipirismo, ao analfabetismo em conseqüência do alto custo do transporte e dificuldade de irem à escolas, as moças, 33% delas, já não falam em casamento, amasiam-se com qualquer um e estes, por não terem empregos e a devida renda para alimentar os filhos, não raro, vêem-se obrigados a assaltar, acabando indo para a prisão e a família para a miséria.

Gostaria que Bauru voltasse ao passado e que todos vivessem normalmente como naquele tempo quando se tinha amigos, os políticos eram competentes como tivemos Ernesto Monte, Brisola, Nicolinha, dr. Nuno, Franciscato, Túlio Coube e Sbeghen, que de manhã bem cedo já iam visitar os bairros para ver o que era necessário, criando-se a Casa do Garoto, o Reco Reco, dezenas de creches, pavimentação, viadutos e tudo que fosse de interesse para o povo em geral. Os vereadores não ganhavam e sabiam representar o povo, ao contrário de hoje que o jornal só tem como notícias, buracos nas vias públicas, áreas abandonadas, delinqüências para mostrar e moças seminuas em plenas ruas, muitas adolescentes com bebê ao colo, sem o tradicional uso de alianças na mão esquerda.

Que bom se Bauru voltasse ao passado, sem delinqüência, sem miséria e sem buracos nas ruas e que nossos vereadores voltassem ao passado quando sabiam representar o povo honrando seus mandatos. (Carlos Sandrin - advogado)