09 de julho de 2026
Geral

Postos: boicote a cartão começa dia 20

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Sincopetro informa que, se não houver redução nas taxas cobradas pelas administradoras, boicote pode ser permanente

Postos de combustíveis de Bauru e região deixarão de aceitar pagamentos em cartão de crédito a partir do próximo dia 20. A iniciativa faz parte de um boicote nacional às empresas administradoras de cartão, conforme matéria publicada pelo Jornal da Cidade na última sexta-feira (04/05). O objetivo do movimento é forçar as empresas a reduzir as taxas de administração, que chegam a 3% do total, de acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo (Sincopetro), Sebastião Homero Gomes.

Cada vez que o consumidor usa o cartão de crédito, nós pagamos 3% sobre o valor para as administradoras, mais 1% do aluguel da máquina, mais cerca de 3% de prejuízo, considerando que nós já antecipamos o dinheiro para comprar o combustível. Se nossa margem de lucro gira em torno de 8%, estamos ficando com 2% bruto, explicou Gomes.

De acordo com ele, há alguns anos, quando os ganhos beiravam os 20%, a taxa de 3% não era tão sentida e o valor podia ser repassado para o produto. Mas hoje, com um lucro tão baixo, pagar 6% e ficar com 2% torna-se inviável. Estamos no limite. Então, ou eles reduzem a taxa ou deixaremos de aceitar o cartão. Sabemos que isso é um retrocesso para o mercado, mas estamos pedindo há mais de um ano e os administradores não aceitam negociar, ressaltou.

Adesão

Apesar de ser um boicote nacional, a reportagem foi informada de que alguns donos de postos têm demonstrado certa resistência em aderir ao movimento. Eles alegam que, apesar dos altos custos, quando o pagamento é feito com cartão, o repasse do dinheiro é garantido. Por outro lado, o pagamento com cheques é sempre uma ameaça ao comerciante em razão da possibilidade de inadimplência.

Questionado sobre este problema, Gomes destacou que 100% dos associados que participaram de uma reunião, na última segunda-feira, concordaram em parar. Os associados que faltaram estão sendo convocados para uma reunião geral no próximo dia 16. Mas, creio que não teremos problemas. Em Campinas, por exemplo, de 180 postos, apenas dois não aderiram, informou.

Gomes salientou que a taxa de administração para cartões de crédito cobrada no Brasil é a mais alta do mundo e o dinheiro ainda demora 30 dias para ser liberado. Abaixo dela, segundo ele, estaria o Chile, onde é cobrado 1%, com pagamento em sete dias. E nos Estados Unidos, cobra-se 0,7%, com repasse do dinheiro em 48 horas.

Eles vão ter que negociar, porque tem vários postos que já não estão aceitando cartões, há meses. E, se a taxa não for reduzida, muitos postos não vão voltar a aceitar o cartão de crédito. É triste, é um retrocesso, mas não podemos manter um custo alto assim, concluiu.