Vivemos uma conjuntura favorável para o desenvolvimento da indústria do turismo, paradoxalmente beneficiada por uma situação econômica do País bastante preocupante. A alta dos juros internos e a curva ascendente do dólar são indicadores econômicos que nos permitem imaginar um menor crescimento e uma recessão econômica. No entanto, essa mesma alta do dólar torna mais atrativo o turismo doméstico que, independente da questão econômica pontual, é um setor que deve ser cada vez mais explorado no Brasil e no Estado de São Paulo, graças ao seu enorme potencial de desenvolvimento de economias locais e de geração de empregos.
No recém-encerrado Fórum São Paulo Século XXI se pôde constatar que o Estado de São Paulo possui uma infra-estrutura de 3.794 hotéis, mais de 8 mil restaurantes, cerca de 1974 agências de viagem e 391 locadoras de automóveis, atividades estas que empregam ao redor de 130 mil pessoas. Trata-se, no entanto, de uma infra-estrutura ainda subaproveitada e com um potencial grande de crescimento. Neste momento do País, no qual é fundamental promover o desenvolvimento, atrair recursos e gerar mão-de-obra, a priorização da indústria do turismo é indispensável. Isso inclui tanto o turismo mais tradicional, o de aventuras, o ecoturismo, o rural, o de negócios (feiras, congressos, exposições), o cultural, o gastronômico, todos com atrações diferenciadas que promovem o deslocamento de pessoas e movimentam a economia.
Temos condições inigualáveis no que diz respeito às nossas belezas naturais e características culturais peculiares. Quem vem aqui se encanta com a beleza da nossa terra e com a generosidade e hospitalidade de nossa gente. Precisamos, no entanto, melhorar nossa infra-estrutura (transportes, telefonia, hotelaria), investir maciçamente em recursos humanos qualificados e em segurança pública, para nos tornarmos uma potência turística mundial. Entendo que é possível sonharmos alto nessa área. Mesmo que a gente não alcance a condição de uma Espanha, cuja renda nacional advém em grande parte da indústria turística, poderemos efetivamente explorar nosso enorme potencial. Para início de conversa, poderíamos promover a ampliação e desburocratização das linhas de financiamento do BNDES e dar mais agressividade comercial à nossa agência promotora de turismo. Afinal, a potencialidade da área é tão grande que mesmo sem uma política específica temos, só em São Paulo, estimativas de investimentos, até 2005, de R$ 7,1 bilhões de reais, o que poderá gerar 258 mil empregos.
(*) Arnaldo Jardim - Deputado Estadual - Presidente Estadual do PPS