09 de julho de 2026
Geral

Feira de ônibus abre com críticas ao transporte e rodovias

André Tomazela
| Tempo de leitura: 4 min

A abertura da 6ª. edição do Salão Internacional do Ônibus (Expobus), que teve início no dia 7 de maio e terminou ontem, foi marcada por discursos inflamados sobre a política governamental para os transportes coletivos e um apelo ao governo em função das quedas das vendas de ônibus no mercado interno. Este ano, o evento contou com a organização de promoção da Alcantara Machado Feiras e Negócios e apoio da Associação Nacional dos Fabricantes de Carroçarias para Ônibus (Fabus), Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre).

De acordo com o presidente da Fabus, Evaristo Nascimento, as empresas que fabricam chassis e carrocerias de ônibus, tanto rodoviários como urbanos, não deveriam arcar com os custos da população autorizada pelo governo a andar de ônibus de graça. Para Nascimento, as pessoas autorizadas a andar de ônibus gratuitamente deveriam ser custeadas pelas entidades que os representam. Isso porque, na compra de frotas de veículos das montadoras, não é o frotista que arca com o custo do produto, e sim as pessoas que utilizam o sistema pagando a passagem. Então, quem acaba custeando as passagens grátis são as próprias montadoras. Para se ter uma idéia, cerca de 39% dos passageiros do Rio de Janeiro não pagam passagem.

Nascimento também criticou o sucateamento do transporte coletivo urbano que ocorre nas grandes cidades e a política do governo de autorizar o funcionamento das vans, que, na opinião dele, contribuiriam decisivamente para tornar ainda mais caótico o trânsito nas metrópoles e prejudicar as empresas de ônibus, que não conseguem investir em suas frotas, o que causa a queda das vendas de ônibus. Houve críticas também às situações em que se encontram as rodovias brasileiras e os terminais rodoviários.

Apesar da crise no mercado interno, as empresas estão tendo um aumento considerável na produção. Isso porque as quedas de vendas dentro do País são compensadas pelas exportações, que estão se expandindo cada vez mais, e pelo crescimento do turismo.

Segundo dados da Anfavea, que agrega as empresas responsáveis pela fabricação de chassis, a produção do setor foi de 22,6 mil unidades em 2000, a maior desde 1992, com crescimento de 52% em relação à 99. Os números apresentados pela Fabus, também demonstram o bom momento do setor. A produção de 2000 alcançou a marca de 17 mil, com faturamento bruto de R$ 1,172 bilhão e geração de 12 mil empregos diretos (a relação é de cinco empregos indiretos para cada direto).

Segundo a Fabus, a crise de 99 abalou todos os setores da economia, atingindo também o mercado de fabricação de ônibus. A partir do ano passado, esse segmento teve um crescimento constante e deve ter um aumento de produção em 2001. Para Nascimento, que é diretor da Expobus, o evento é um espaço para o aprimoramento do setor, pois proporciona o intercâmbio entre empresários. No momento temos o crescimento do turismo no país e o estudo de soluções para o transporte público e rodoviário. Isso reflete automaticamente no mercado de ônibus, explica.

O Salão em 2001 contou com 120 expositores, que ocuparam 40 mil metros quadrados do Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. Ainda não são conhecidos os dados sobre a quantidade de pessoas visitantes mas, a previsão era de que cerca de 25 mil profissionais do setor visitassem a feira.

A Expobus 2001 contou com os seguintes setores: encarroçadoras de ônibus e microônibus; montadoras de chassis; plataformas comerciais e leves; autopeças e acessórios; pneus, rodas, e acessórios; aparelhos, equipamentos e sistemas eletrônicos de segurança e informática; máquinas, equipamentos e serviços para empresas de ônibus e oficinas, além de empresas de transporte de passageiros.

Alcantara Machado

Pioneira no Brasil e na América Latina na realização de feiras de negócios, desde 1958, a Alcantara Machado tem a sua história ligada ao desenvolvimento da indústria do País. A empresa já realizou mais de 600 eventos em amplitude nacional e internacional. Hoje, a Alcantara Machado promove 30 feiras de negócios por ano, englobando diferentes segmentos da economia, incluindo as mais importantes realizadas no Brasil e na América Latina. Entre elas, Fenit, Fenatec, UD, Salão do Automóvel, Feicon, Cosmética, Elétrica, Automec e Mecânica.